Arquivo de 29 de Setembro de 2006

Entrevista do Ricardo no Jornal Hoje (São Bernardo)

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Ex-vereador durante dois mandatos consecutivos em Santo André (1997 a 2000 e 2001 a 2004), Ricardo Alvarez trocou 20 anos de militância no Partido dos Trabalhadores pelo recém-criado Psol (partido Socialismo e Liberdade). Alvarez afirma que sempre houve um distanciamento entre ele e o prefeito Celso Daniel assassinado em janeiro de 2002, até mesmo por conta das divergências políticas. Questionados sobre sua volta a disputar um cargo político, o petista disse que não quer voltar à Câmara.”Não estou desfazendo da Câmara, nem dos vereadores. Eu, pessoalmente, não quero voltar à Câmara”, avaliou.

HOJE - Por que o senhor trocou o PT pelo Psol?
RICARDO ALVAREZ - O que é mais interessante é que o grupo que criamos dentro do PT já era um grupo que tinha afinidade contra uma política de degradação partidária que já passava por Santo André. Não dá para dizer que Santo André é responsável pelo que o PT passou, mas com certeza Santo André deu sua contribuição. O partido teve na figura do Celso Daniel (ex-pre-feito assassinado em janeiro de 2002) uma pessoa incontestável. O que o Celso falava dentro do PT era lei. Ele se colocava acima do partido e do grupo majoritário que ele controlava. Forçamos muitas vezes a discussão, mas dentro do partido as portas estavam fechadas.

HOJE - Era difícil a relação com ele?
ALEVAREZ- Era. O Celso era uma pessoa que tinha relação difícil com muita gente. A relação dele com a gente era estritamente política. Dava para perceber que ele não era uma pessoa com muitos amigos dentro do PT. Era uma pessoa rara no partido porque ele combinava expressão popular/pública e tinha capacidade para elaborar política. Ele era quase auto-suficiente nesse sentido. Ele estava rodeado por um monte de puxa saco, que bajulava ele. Aconteceram reuniões no diretório, onde o presidente, que é o atual prefeito, João Avamileno, sequer encaminhava a discussão. A somatória disso é que acabou degradando o partido.

HOJE - Como o senhor avalia as eleições deste ano sendo filiado ao Psol?
ALVAREZ - O partido é muito pequeno no ABC. Não adianta ter figuras se não tem base organizada por trás do partido. O Psol está disputando uma eleição sem ter essa base organizada. Espero que o partido use a eleição para se organizar nesse sentido.

HOJE - O senhor voltará a disputar um cargo político ?
ALVAREZ - Eu vou discutir tudo com o partido. Não vou tomar nenhuma decisão pessoal minha. Eu, pessoalmente, não quero voltar à Câmara. Não renego a Câmara e nem quem está lá. Se na próxima eleição o partido disser que eu preciso sair, eu não estou fechando a porta. Depois do dia primeiro de outubro vamos ’sentar’ e discutir.”

HOJE - O senhor concorda com a tese da polida de que o assassinato do Celso Daniel foi crime comum?
ALVAREZ - Não. Eu não acredito em crime comum. Eu vi as fotos da necropsia e elas são chocantes. Eu não sou criminalista, mas me pergunto por que num crime comum alguém faria aquilo que faria com ele? Ele foi muito machucado. É inexplicável provocar tantos tiros, hematomas e pauladas por conta de um crime comum.

Caderno Regional, página 3, em 24 de setembro de 2006.

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