Arquivo de 21 de Fevereiro de 2007

Leonardo da Vinci na Oca do Ibirapuera

CIE BRASIL TRAZ AO PAÍS MAIOR E MAIS COMPLETA EXPOSIÇÃO JÁ REALIZADA NO MUNDO SOBRE LEONARDO DA VINCI, A PARTIR DE 28/02

Mostra reúne mais de 150 peças que contemplam a grande parte das áreas de estudo e trabalho do artista italiano, na Oca, em São Paulo

A mostra chega ao país num formato inédito. É a mais abrangente já concebida para itinerar pelo mundo em relação às exposições anteriores sobre Da Vinci, que normalmente focam um segmento particular de sua trajetória. Reúne mais de 150 peças inspiradas no legado davinciano e contempla sua diversidade como pintor, filósofo, cientista, arquiteto, engenheiro, anatomista e inventor. Por isso, é considerado um dos maiores gênios que o mundo já conheceu e certamente, um nome referência da Renascença Italiana.

A origem da mostra - Desde a metade da década de 50, famílias de artesãos italianos têm estudado os códigos e desenvolvido os modelos idealizados por Da Vinci. As primeiras peças foram encaminhadas para Vinci, cidade de origem do artista, e ao Museu de Milão - onde ainda se encontram em exposição. Nos anos 90, um pequeno acervo destas máquinas foi preparado para itinerar por cidades européias como Florença, Veneza, Berlim, Viena, Varsóvia e Atenas. Apesar do formato reduzido, as exposições obtiveram um retorno bem-sucedido, variando entre 50 mil e 100 mil visitas por mês.

Até 2005, porém, nenhum país de língua inglesa ou asiático havia sediado uma destas exposições - e ainda não havia um planejamento para compilar estes acervos num conjunto mais completo a respeito do trabalho de Leonardo da Vinci, sob o mesmo teto. Em maio de 2006, a Anthropos Foundation e a RYP Australia estabeleceram uma parceria para realizar este conceito, que originou a mostra atual.

Antes de chegar ao Brasil, partes deste acervo obtiveram expressivos números de visitação em Roma, na sede da Anthropos Foundation (mais de 600 mil visitantes no último verão europeu) e Moscou (500 mil visitantes durante os três meses em cartaz).

Autenticidade - A mostra contempla a essência criativa de Leonardo da Vinci (1452-1519), em todas as facetas de seu legado. Dada a restrita quantidade de originais existentes e a rígida legislação que restringe a circulação destes, a proposta é buscar a autenticidade plena na reconstrução este universo, numa abordagem extremamente detalhada. Para tanto, todos os trabalhos foram concebidos em solo italiano, por um grupo de artesãos e especialistas europeus coordenados por Modesto Veccia, presidente da Anthropos Foundation e referência mundial na pesquisa sobre Da Vinci e Bruce Peterson, co-fundador e diretor-executivo da RYP Australia Major Projects.

Na montagem das máquinas, por exemplo, em todas as ocasiões possíveis, foram utilizado materiais e técnicas do século XV, buscando um resultado semelhante ao que Da Vinci teria obtido à época. Vale ressaltar que metade delas sequer chegou a sair do papel - são conhecidos apenas os projetos e rascunhos originais, além de maquetes produzidas por outros pesquisadores.

Obras de arte foram reproduzidas em tamanho original, assinadas pelos mais reconhecidos artistas da região de Florença, enquanto os códigos, estudos de Anatomia e os desenhos da Batalha de Anghiari ganham réplicas ampliadas para uma melhor visualização. Fundamentais na trajetória de Da Vinci, o “Homem Vitruviano”, o princípio da Proporção Divina e a criação da “Última Ceia” são recriados em 3D, com recursos tecnológicos de última geração para proporcionar ao público uma experiência totalmente interativa.

A exposição - “Leonardo da Vinci - A Exibição de um gênio” está dividida em treze segmentos: “Estudos Anatômicos”, “Arte da Guerra”, “Máquinas Civis”, “Códices”, “O pai da aviação”, “Máquinas Hidráulicas e Aquáticas”, “Instrumentos Musicais e Ópticos”, “Estudos sobre Física e Mecânica”, “A arte da Renascença”, “O Homem Vitruviano”, “Desenhos da batalha de Anghiari”, “Documentário” e “Vídeos em 2D e 3D sobre o Homem Vitruviano e a Última Ceia”

Com 75 máquinas e reproduções em grande escala, os segmentos “Estudo sobre a Física e Mecânica”, “Máquinas Civis”, “A Arte da Guerra”, “Máquinas Hidráulicas e Aquáticas”, “Pai da Aviação” e “Instrumentos musicais e Ópticos” demonstram a habilidade com que Da Vinci relacionava os conceitos da mecânica ao funcionamento do corpo humano, como um conjunto verdadeiramente harmonizado.

Volantes, sistemas de rolamentos de esferas e molas espirais dividem o espaço com maquetes e modelos em escala original para itens como a bicicleta, o elevador, escavadeira, perfurador, carro de auto-tração e pontes móveis. No segmento bélico, apresentam-se artefatos como catapulta, canhões e tanques, enquanto os projetos aquáticos mostram sua inventividade visionária, trazendo escafandros, equipamentos para respiração e até mesmo um submarino.

Entre as contribuições fundamentais para a conquista do espaço aéreo, que incluem o pára-quedas, o deltaplano, o estudo da asa e o anemômetro, está também a própria “máquina-voadora” - um helicóptero de 4m x 4,5m. Por outro lado, sua relação com a música - Da Vinci era conhecido por sua habilidade em tocar a lira e também por dirigir festivais e espetáculos em Milão - originou projetos e preciosidades como o piano portátil, o tambor e a flauta mecânicos.

Detalhados e precisos desenhos de Da Vinci formam o conteúdo de “Estudos Anatômicos” (40), disciplina que desenvolveu ao dissecar mais de trinta corpos - não só para captar a beleza das proporções, como também o fluxo de energia que emanava da figura em movimento.

“A Arte da Renascença” exibe reproduções de dez de suas mais famosas pinturas, como a “Mona Lisa” - a obra de arte mais visitada em todo o mundo - e “A Última Ceia”. “Desenhos da Batalha de Anghiari” traz 14 ilustrações retratando homens que atuaram na vitoriosa ofensiva de Florença em 1440. “Códices” reúne cinco conjuntos de manuscritos e desenhos que registram diversas épocas da vida de Leonardo da Vinci e seus projetos, com notas, teorias e assuntos superpostos livremente entre as páginas: “Forster”, “Madrid” (estes recentemente descobertos na Biblioteca Nacional daquela cidade, no ano de 1966), “Hammer” (atualmente de propriedade do empresário Bill Gates), “Windsor”, “Arundel”, “Atlanticus” e “Trivulziano”.

Em formato 3D, apresentações em telas de plasma sobre o estudo da proporcão divina, em “O Homem Vitruviano” e, em 2D, o estudo em movimento para a criação da “Última Ceia” formam outro setor da exposição, que se completa com dois murais - uma linha do tempo chamada “A Vida e Realizações de Da Vinci” e outro com suas mais importantes citações - e um “Documentário” sobre sua trajetória.

Leonardo da Vinci (15/04/ 1452 - 02/05/1519) - um dos maiores inventores, artistas, cientistas e pensadores de todos os tempos. É considerado o maior gênio da história, devida a sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, engenhosidade e criatividade, além de amplamente proclamado como um dos mais importantes pintores e escultores da Renascença. Seu QI foi estimado em cerca de 180, mas outras fontes chegaram a mencionar 220 - enquanto a média universal baseia-se em 120.

Nascido no pequeno vilarejo de Anchiano, próximo ao município toscano de Vinci, na Itália, Leonardo era filho ilegítimo do tabelião Piero e de Caterina, provavelmente uma camponesa ou, numa hipótese menos provável, uma escrava judia oriunda do Oriente Médio, comprada por Piero. Presume-se que ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo - e sim, o Vinci, com referência a sua terra natal.

Viveu em plena Renascença Italiana, nos séculos XV e XVI, sob influência de duas grandes personalidades da época - o estadista Lourenço de Médici e o artista Andrea del Verrocchio. Em 1472, com vinte anos, já era membro do grêmio dos pintores florentinos.

Como pintor, é o autor da obra de arte mais visitada no mundo, a “Mona Lisa” - exposta no Museu do Louvre, em Paris - e de “A Última Ceia”, exposta no Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão. Escultor ambicioso, também era conhecido como engenheiro e cientista, embora sua obra nestes campos tenha permanecida oculta por muitos séculos.

Hoje, sabe-se que é o “pai” do vôo humano, inventor do automóvel, do rolamento de esferas e dos sistemas diferenciais. Foi estrategista militar dos exércitos milanês e florentino, criando o tanque, a bala, e muitas pontes, com uma surpreendente inventividade de engenharia; elaborou a “cidade ideal”, de ambiente equilibrado para livrar o mundo da peste; esboçou os mecanismos para construir um robô e um dos pioneiros da cartografia, anatomia e geologia.

Leonardo era fascinado pelo estudo da Natureza e a partir dos princípios naturais, obteve a base para suas criações. Dedicou-se também ao aprofundamento sobre a luz e a sombra, teorizou sobre efeitos criados por múltiplas fontes de luz sobre fisionomias e objetos. Foi, acima de tudo, um observador incansável. Ocupou sua mente na solução de uma vasta gama de problemas, criando planos e esquemas de invenções que, todavia acabaram levando séculos para serem produzidas.

Morreu em Cloux, França, e de acordo com o seu desejo, sessenta mendigos seguiram seu caixão. Leonardo da Vinci foi enterrado na Capela de São Hubert no Castelo de Amboise.

Comentários (5)

50 mil visitas

Quando pensei em colocar o Blog no ar confesso que visitei alguns sites que orientavam os blogueiros sobre erros que deveriam ser evitados e acertos que deveriam ser copiados. Algumas das orientações eu incorporei, outras não. Dentre elas uma me chamou a atenção: se o Blog alcançasse uma média de 350 a 400 visitas por mês, se dê por contente, pois há bilhões deles espalhados pelo mundo. Um dos autores inclusive, falava na decadência desta forma de comunicação em decorrência do seu próprio sucesso. Fiquei ressabiado, mas decidi entrar na onda.

Nesta quarta-feira de cinzas o Blog Controvérsia alcançou a incrível marca de 50 mil visitas em um pouco mais de 7 meses de vida.

Agradeço mais uma vez pela navegação.

Grande abraço.

Ricardo Alvarez

Comentários

Um ‘país’ chamado interior paulista

Com PIB superior ao do Chile, área continua a atrair empresas

Marcelo Rehder e Agnaldo Brito

Estadão on line

Com uma força econômica superior à de países como o Chile, o interior paulista tem atraído cada vez mais empresas da capital e de outros Estados que buscam custos menores, espaço para crescer e um sistema logístico que favoreça o escoamento da produção, sem os congestionamentos crônicos da cidade de São Paulo. Fortalecido com essa migração de empresas, o interior viu sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) paulista crescer 3,7 pontos porcentuais no curto período de quatro anos. Hoje, a região já responde por praticamente metade da soma de todas as riquezas produzidas no Estado.

O interior paulista (descontando os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo) é um ‘país’ com um PIB de US$ 135,9 bilhões no ano passado, segundo projeção feita pela consultoria MB Associados. O valor é 12% maior que o PIB chileno, de US$ 121 bilhões em 2006.

No território brasileiro, o interior paulista não tem rivais em poder econômico, com exceção da Região Metropolitana de São Paulo. Sua participação no PIB do País é de 15,3%, praticamente metade da contribuição do Estado, de 30,9%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2004.

‘Se somarmos o PIB das Regiões Norte e Centro-Oeste do País, mesmo assim não dá o do interior de São Paulo’, compara Miguel Matteo, chefe do Departamento de Estudos Econômicos da Fundação Sistema de Análises de Dados (Seade), órgão do governo do Estado.

Esses fatores tornam a região um pólo de investimentos que tem atraído muitas empresas , principalmente para o espaço produtivo formado por municípios das regiões de Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos, que se concentram num raio de 150 quilômetros, com foco na região metropolitana.

‘O aumento das exportações do Estado, nos últimos anos, beneficiou essencialmente a região metropolitana e seu entorno, onde se concentram cerca de 90% do valor adicionado pela indústria paulista’, observa o economista Sergio Vale, da MB Associados.

NA FAVELA

A Omamori Indústria de Alimentos, empresa que produz embutidos da marca Ceratti, decidiu deixar a cidade de São Paulo em outubro de 2004. Segundo Mario Benedetti, proprietário da indústria, foi a única maneira de tirar a empresa da estagnação.

A fábrica da Ceratti ficava dentro da maior ocupação urbana do País, a favela de Heliópolis, na região do Sacomã, em São Paulo. ‘Há 30 anos não havia nada por ali. A ocupação avançou, surgiram os barracos, as casas de alvenaria. Quando vimos, estávamos no meio da favela, sem a menor condição de operação’, conta Benedetti.

A transferência da fábrica para Vinhedo, município da Região Metropolitana de Campinas, foi um salto. Além de ter elevado a capacidade de produção para 1 mil toneladas por mês, a unidade ganhou um SIF Exportação - que a habilita a exportar para mercados exigentes. ‘Era algo impensável em São Paulo.’ As perspectivas de exportação para a França e a China são concretas e podem ser acertadas em breve.

A 40 quilômetros de Vinhedo, entrando mais para o interior, a panificadora industrial Wickbold se apressa para terminar a montagem da nova fábrica, em Hortolândia, cidade também da Região Metropolitana de Campinas. Até abril, duas novas linhas de produção de pães começarão a funcionar. O plano, até 2010, é alcançar até seis linhas de produção de pães.

O interior paulista foi a alternativa da Wickbold para a falta de capacidade das duas fábricas na região metropolitana de São Paulo, uma em Diadema e outra na Vila Santa Catarina. A empresa tem uma terceira unidade em Jacarepaguá, no Rio. Em nenhuma destas havia espaço para crescimento.

‘A empresa precisava crescer a produção numa região próxima de São Paulo, a no máximo 150 quilômetros da capital. Hortolândia foi um achado’, diz Eric Wickbold, gestor de novos projetos da empresa. A construção da fábrica vai consumir R$ 50 milhões.

Ao lado da Wickbold, a Dell Computer, líder do mercado de servidores no Brasil, com 44,4%, escolheu o mesmo distrito industrial de Hortolândia para por em marcha um plano de expansão da produção de computadores no País. O interior de São Paulo vai dar à empresa duas condições para reforçar a capacidade de disputar uma fatia do mercado nacional: ficará mais perto dos principais fornecedores de partes e peças e estará ao lado do maior mercado de computadores, o Sudeste do País.

A Dell vai manter a unidade de produção e o centro de desenvolvimento de software em Eldorado do Sul (RS), mas terá nova condição para competir no mercado interno. Segundo Laury Johnson, diretor de Distribuição e Operações da Dell, a unidade de Hortolândia, que começa a produzir neste semestre, deve dar à empresa custos mais baixos por máquina. Os 10 principais fornecedores, que respondem por 80% das compras, estão no interior de São Paulo.

BALANÇO

US$ 135,9 bilhões
foi o Produto Interno Bruto (PIB) do interior de São Paulo no ano passado, conforme levantamento da MB Associados

12%
é quanto o PIB do interior paulista superou o do Chile
no ano passado

15,3%
foi a participação do interior paulista no PIB Brasileiro
no ano de 2004

4 anos
foi o tempo que o interior de São Paulo precisou para elevar em 3,7 pontos porcentuais a sua participação no PIB paulista

30,9%
foi a participação do Estado de São Paulo no PIB Brasileiro
em 2004, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE)

Comentários (1)