O Brasil entra no clube dos países com PIB superior a US$ 1 trilhão
O novo cálculo do PIB revela uma participação diferente dos setores na economia: o de serviços produz 64% das riquezas, indústria e a agricultura recuaram
Annie Gasnier
correspondente no Rio de Janeiro
Surgiram novos números, novos resultados e novas perspectivas: ao modificar o cálculo do seu produto interno bruto (PIB) relativo ao período de 1995 a 2006, o Brasil descobriu na quarta-feira, 28 de março que nos últimos onze anos a sua economia havia sido subestimada em 10,9%. Após a correção, o crescimento do PIB para o ano de 2006 alcançou 3,7%.
Esta revisão para cima constitui uma boa notícia para uma economia brasileira que está doente por causa do seu crescimento fraco demais, principalmente se comparado com a taxa de 10% observado em outros gigantes emergentes como a Índia e a China.
Daqui para frente, o total das riquezas geradas pelo maior país da América do Sul é superior a US$ 1 trilhão (R$ 2.070,8 trilhões). “Éramos a décima economia mundial até agora. Em 2005, nós ocupávamos o oitavo lugar e agora, estamos nos aproximando do sétimo, que é o da França”, comemorou, na quarta-feira, 21 de março, o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Para Alex Agostini, um economista da firma de consultoria Austin Rating citado pela agência de notícias AFP, o Brasil ainda assim permaneceu, em 2006, a décima economia mundial, em dólares correntes. “Em 2010 é possível que ele ultrapasse o Canadá e a Espanha para alçar-se ao oitavo lugar, isso se o crescimento da Rússia não tiver nenhuma aceleração no período”, avalia.
A metodologia de cálculo não havia evoluído desde 1985, o que tornava a “fotografia” da atividade ultrapassada. Na época, por exemplo, o telefone celular não existia, e hoje existem 100 milhões de usuários. Os números afinados incorporam a economia “informal”, que emprega sem carteira assinada 40% da população ativa.
As “dúvidas” da oposição
A mudança foi preparada durante cinco anos pelos economistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme os critérios das Nações Unidas. Os economistas, de todas as tendências, receberam a revisão com satisfação, mas parlamentares da oposição manifestaram as suas “dúvidas”. Principalmente porque os anos em que o presidente Fernando Henrique Cardoso governou o país (1995-2002) foram revistos para baixo, e os quatro últimos anos, do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, para cima.
Este PIB revelou uma distribuição diferente por setores: o setor dos serviços produz 64% das riquezas. Junto com as telecomunicações, as atividades financeiras beneficiaram de uma forte expansão. A indústria recuou para 27,7%, e a agricultura, campeã das exportações, para 8,3%. “Nós podemos deduzir dos novos dados que o nosso país se aproxima cada vez mais da maturidade”, declarou Eduardo Pereira Nunes, o presidente do IBGE.
Uma maturidade que parecida conferir ao Brasil o status de país “emergido”, diferentemente dos “emergentes” tais como a China e a Índia, em fase de industrialização, e limitar o seu crescimento anual, que permanece distante da média mundial de 4,9% em 2006. Os novos resultados incitaram o governo a assegurar que “o Brasil voltou a se inserir num ciclo de crescimento duradouro”. A dívida segue diminuindo, à custa de um importante esforço fiscal. Atualmente, a dívida equivale a 45,7% do PIB, contra 52,5% em 2003. O governo espera atingir o patamar de 30% já em 2010, para seduzir os investidores estrangeiros.
Mas os investimentos permanecem em níveis reduzidos (16,7% do PIB em 2006). Além disso, apesar do Programa de Aceleração do Crescimento (que prevê investir US$ 500 bilhões - R$ 1.035,4 trilhão - ao longo de quatro anos), que foi anunciado no final de janeiro, mas ainda não foi aprovado pelo Congresso, “os investimentos não deveriam ultrapassar 21% em 2010″, reconheceu o ministro da economia.
A educação e a saúde, que são os eternos “parentes pobres” do orçamento, não beneficiam de nenhum crescimento. Ignorando o piso de 6% recomendado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura), o Brasil investiu 3,8% do PIB apenas na sua juventude. As despesas com saúde, por sua vez, diminuem para 1,77%.
Assim como o Estado, os brasileiros gastam muito e a expansão do PIB se deve principalmente ao consumo. O aumento dos salários, associado à distribuição da “Bolsa Família” para 11 milhões de lares desfavorecidos, incentivou as despesas, entre outros em equipamentos domésticos.
Tradução: Jean-Yves de Neufville
Le Monde
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RAQUEL MOTA disse,
2 de Março de 2008 @ 03h 10m
gostaria saber relaçao pib dos paises do mundo em 2007, onde posso obter essa informaçao. abraços
Luiz Antonio disse,
17 de Junho de 2008 @ 15h 23m
Gostaria da mesma informação de Raquel Mota