Arquivo de 1 de Maio de 2007

A CIA esta tentando matar Hugo Chávez?

Chris Carlson; 19 de April, 2007

“Eu quero matar aquele filho da puta,” disse o capitão da Guarda nacional Venezuelana, Thomas Guillen em uma conversa telefônica com a sua esposa que foi gravada. Durante a ligação, que passou no canal de televisão da Venezuela, o Capitão revela os planos que tinha com o pai, o General aposentado, General Ramon Guillén Dávila, eles foram peses e levados em custódia por conspirar para matar Presidente da Venezuela. [1]

Nas últimas semanas, Hugo Chávez tem avisado repetidamente que os Estados Unidos têm planos de matá-lo e estão progredindo as suas atividades contra ele e o seu governo. Chávez também afirma que a CIA está trabalhando com os associados do famoso terrorista Cubano e agente da CIA Posada Carriles, criando planos para o seu assassinato. Mas pode haver alguma verdade em tudo isso? Isso poderia ser uma conspiração clássica da CIA para matar um outro oficial “inimigo” dos Estados Unidos? Uma análise rápida das conexões entre a CIA e o General Ramon Guillén Dávila mostra que há definitivamente uma possibilidade.

Os Estados Unidos consegue espalhar os seus tentáculos em diferentes países do mundo de várias maneiras, influenciando e intervindo nas políticas soberanas das nações. Na América Latina, uma das maneiras mais comuns é através das supostas “operações das drogas”. Sabe-se que a CIA desenvolve operações “anti-droga” em países como a Bolívia, Colômbia Equador.

Na Venezuela, as operações “anti-droga” criadas pela CIA foram lideradas nos anos 80 pelo mesmo General Ramon Guillén Dávila que recentemente planejava matar Chávez. Segundo o Miami Herald, Guillen era um dos homens de maior confiança da CIA na Venezuela e o oficial sênior havia colaborado com a CIA nos anos 80. [2]

Como chefe da Guarda Nacional da Venezuela, Guillén trabalhou junto com a CIA para infiltrar e obter informações sobre as operações do tráfico de drogas na Colômbia. Mas ao invés de reprimir as operações de droga, Guillén e a CIA acabaram traficando cocaína, e tudo veio à tona quando 60 Minutes mostrou os fatos em 1993. A CIA tem colaborado Guillén traficando a quantia inacreditável de 22 toneladas de cocaína para os Estados Unidos. [3]

Após a interceptação pela alfândega de um carregamento de cocaína que estava entrando no país pelo Aeroporto Internacional de Miami, uma investigação oficial revelou que o General Guillén era responsável. Mas segundo o jornalista Michael Levine, Guillén era um “trunfo” da CIA operando sob as ordens e proteção da CIA, um fato que mais tarde foi admitido pela CIA. O General Guillén nunca foi extraditado para julgamento nos EUAS. [4]

Então o General Ramon Guillén Dávila ainda é um “trunfo” da CIA trabalhando para matar o Presidente Venezuelano? Se o General mantém ou não ligações com a CIA, parece que ele seria o melhor candidate nos esforços de desestabilização contra o governo de Chave.

Segundo a página da web do Observatório da Escola das Américas, o General Guillén graduou-se da abominável escola de treinamento de combate dos EUA em 1967. [5] A Escola das Américas, que foi renomeada como Instituto do Hemisfério Ocidental para Cooperação de Segurança em 2001, é a instalação militar dos EUA usada para treinar soldados Latino Americanos em técnicas de contra-insurgência e técnicas de interrogatório.

Como mais um dos tentáculos do Império dos EUA, a Escola das Américas foi chamada de a “maior base de desestabilização na América Latina”. Localizada em Fort Benning, na Georgia, a escola envia os seus graduados para toda a região para reprimir movimentos de esquerda e comunista, e para influenciar as situações políticas nos países da América Latina. A escola tem apoiado frequentemente regimes com uma história de uso de esquadrões da morte e tortura para reprimir a sua população.

A semana passada, durante o 5° aniversário da tentativa de golpe apoiado pelos EUA ao governo da Venezuelana, Chávez enfatizou que “o império nunca descansa”. Ele garantiu que os Estados Unidos, juntamente com a elite Venezuelana irão continuar conspirando para removê-lo do poder, e que nunca aceitariam a Revolução Bolivariana.

Não seria uma surpresa, entretanto, se a CIA estivesse planejando matar ou depor Hugo Chávez. Essa organização criminosa tem uma história longa e suja de operações secretas inclusive assassinatos, Guerra econômica, e eleições fraudulentas. Na América Latina a CIA depôs inúmeros regimes como a Nicarágua, Chile, Panamá, Brasil, Grenada, Republica Dominicana, Guatemala, e mais recentemente o Haiti em 2004.

O que seria mais surpreendente seria se a CIA não estivesse buscando uma maneira de se livrar do presidente Venezuelano popular. Afinal, Chávez provou ser uma grande ameaça aos interesses do império dos EUA e os seus patrocinadores corporativos. Chávez rejeitou determinantemente a agenda neoliberal de Washington, nacionalizou os setores’ mais importantes da economia, liberou o seu país dos mandatários do FMI e Banco Mundial, fortaleceu a OPEC, tomou controle da indústria petroleira da nação, e fortaleceu a integração sul-sul em todo o mundo.

Entretanto, o que é ainda mais ameaçador para os interesses do império é que a revolução na Venezuela serve como exemplo para a região, e está se espalhando agora para outros lugares. Países como a Bolívia e Equador estão vivendo agora as suas próprias revoluções, replicando a experiência Venezuelana.

É possível que o antigo “trunfo” da CIA General Ramon Guillén Dávila estivesse conspirando com a CIA para se livrar do movimento mais consolidado na América Latina hoje. Mas independentemente, se a CIA vai ou não conseguir apagar o fogo na Venezuela, pode ser muito tarde para eles controlarem a crescente onda de revoluções de esquerda na região.

1. “Presentan grabación sobre supuesto plan de magnicidio contra Chávez,” ABN / Aporrea.org, 07/03/07 http://www.aporrea.org/actualidad/n91527.html
2. Jerry Meldon, Guia Contra-Crack: Lendo nas entrelinhas, 1998. http://www.consortiumnews.com/archive/crack10.html
3. Howard G. Chua-Eoan, “Jogos de confiança,” Time Magazine, Segunda-feira, 29 de Nov., 1993, http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,979669,00.html?iid=chix-sphere
4. Michael Levine, “Media oficial: a Guerra das drogas esfria? ” http://www.expertwitnessradio.org/essays/e6.htm
5. Observatório da Escola das Américas, notórios graduados da Venezuela, http://www.soaw.org/article.php?id=248

Chris Carlson é um jornalista free-lance e ativista vivendo na Venezuela. Veja o seu blog: www.gringoinvenezuela.com

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