Arquivo de 17 de Maio de 2007

Preço da gasolina dispara na França, enquanto o do barril de petróleo diminui

O preço na bomba é quase o mesmo de há dez meses, quando o barril alcançou a sua cotação recorde; a culpa pode ser das multinacionais americanas

Jean-Michel Bezat

As más recordações do verão de 2006 seguem assombrando a memória dos motoristas franceses: os preços da gasolina vendida nos postos alcançaram nos últimos dias níveis próximos daqueles de julho de 2006, quando o barril oscilava entre US$ 70 e US$ 78.

Por mais que as cotações do petróleo bruto tivessem diminuído nitidamente desde então (entre US$ 60 e US$ 65), esta queda não foi repassada e o preço médio na bomba da gasolina “super 95″ é hoje de 1,32 euro - equivalente a R$ 3,60 - ou seja, por volta de 0,45 centavos de euro (R$ 1,23) descontadas as taxas, segundo informa a União Francesa das Indústrias Petroleiras (Ufip). Um nível muito próximo do preço recorde de 1,34 euro alcançado há dez meses.

Trata-se de um duro golpe para os consumidores, mesmo se a gasolina representa apenas um quarto do mercado dos combustíveis para os automóveis na França, e mesmo se a força do euro em relação ao dólar alivia um pouco a fatura.

Desde o início de fevereiro, o litro de “super 95″ aumentou em 17 centavos de euro. Vale lembrar que o preço do barril de petróleo bruto, de fato, aumentou desde que ele alcançou em meados de janeiro o seu nível mais baixo no período (US$ 50) para subir novamente até o seu mais alto nível (US$ 66) no final de abril no mercado de Nova York, mas a explicação continua sendo insuficiente.

Para obter uma explicação mais precisa, é preciso se voltar para o próprio mercado do refino da gasolina. “No final de abril, início de maio, houve um forte aumento do preço internacional da gasolina nos mercados de Nova York e de Roterdã (Holanda), que alcançaram patamares excepcionalmente elevados”, explica Jean-Louis Schilansky, o delegado geral da Ufip.

Nunca a diferença entre o preço de um barril de petróleo bruto e um barril de gasolina (US$ 32) esteve tão alta. As margens das refinarias também foram excelentes no primeiro trimestre, reconhecem executivos da multinacional Total. Na Europa, elas alcançaram US$ 33 a tonelada em média para o grupo petroleiro francês, ou seja, uma progressão de 28% em relação aos três primeiros meses de 2006.

Como fica o poder aquisitivo?

Considerando-se os volumes que são escoados nos Estados Unidos, é a América que faz o preço da gasolina, comenta Jean-Louis Schilansky. Ora, a demanda americana esteve intensa no início de maio, ao passo que o aumento anormal do número de refinarias paralisadas (incidentes, manutenção…) neste país provocou problemas de abastecimento.

Por mais que as reservas da França sejam excedentes e que ela tivesse exportado 6,1 milhões de toneladas de gasolina em 2006, ela foi duramente atingida por esses aumentos.

Nos Estados Unidos, eleitos democratas deram a entender que as grandes companhias (Exxon, Chevron, BP…) estariam reduzindo deliberadamente a oferta, de forma a provocar aumentos dos preços. A candidata à investidura democrata para a eleição presidencial de 2008, Hillary Clinton denunciou essas multinacionais que, aos seus olhos, “não são consideradas como responsáveis pela manutenção dos seus equipamentos”, acusando-as de “obrigar os consumidores a arcarem com as conseqüências das dificuldades com abastecimento”.

O impacto é menos grave na França, onde o consumo de gasolina não pára de diminuir (- 5,9% em 2006) em proveito do óleo diesel (+ 2,7%), em parte importado da Rússia. Este aumentou muito menos, segundo explica Jean-Louis Schilansky, passando de 1,01 euro (R$ 2,75) no início de janeiro para 1,07 euro (R$ 2,92) em maio.

Ele assegura que “a tendência no mercado internacional da gasolina está agora para baixo, de 4 a 5 centavos”. Um refluxo que, segundo ele, deveria se traduzir por uma diminuição em breve dos preços na bomba.

Será mesmo uma certeza? Os estoques americanos de gasolina permanecem inferiores em 7% aos níveis que eles apresentavam em 2006 na mesma época, segundo as estatísticas que foram publicadas na quarta-feira, 9 de maio, pelo departamento americano da energia. Além disso, a “driving season”, o período durante o qual os americanos utilizam maciçamente os seus carros, vai começar no final de maio…

Na França, o aumento dos preços da gasolina amputa gravemente a renda das famílias. O que fará o novo governo? Apesar do discurso de campanha de
Nicolas Sarkozy sobre a necessidade de aumentar o poder aquisitivo, nenhuma previsão foi anunciada neste campo.

O novo presidente da República não sinaliza qualquer intenção de restabelecer a TIPP flutuante, que previa uma redução da taxa interior sobre os produtos petroleiros, de modo a amortecer a disparada dos preços na bomba. Ele tampouco pretende impor uma sobretaxa sobre os lucros das companhias que operam na França.

Tradução: Jean-Yves de Neufville.

Jornal Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

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CTNBio ignora a biossegurança

Graças à MP sancionada pelo presidente Lula em março, comissão libera milho transgênico da Bayer

Luís Brasilino

da redação

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou, hoje (16), o plantio e a comercialização do milho transgênico Liberty Link, da transnacional alemã Bayer. A decisão ainda precisa ser confirmada pelo Conselho Nacional de Biossegurança, formado por 11 ministros, mas a tendência é que a liberação seja mantida.

Em nota, a Via Campesina Brasil afirma que “a liberação comercial do milho transgênico é uma total irresponsabilidade com os agricultores, a agricultura e com a biodiversidade brasileira”.

Com a medida, as lavouras de milho brasileiras correm sério perigo de serem contaminadas pela variedade transgênica. Este grão, ao contrário da soja, se reproduz por meio de polinização cruzada, o que aumenta muitas vezes as chances de contaminação. E, como o Decreto de Rotulagem, em vigor desde 2003, nunca foi cumprido, a população pode passar a consumir, nos próximos meses, milhos transgênicos inadvertidamente.

Já os agricultores que insistirem em cultivar a variedade convencional da semente estarão expostos a um outro risco. Por conta da polinização cruzada, sua lavouras podem ser contaminadas pelo Liberty Link, o que os obrigaria a pagar royalties para a Bayer quando forem vender seus produtos.

Além disso, segundo documento apresentado pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) à CTNBio, no dia 20 de março, “não há nada no dossiê apresentado pela Bayer que se aproxime de um estudo sobre impactos do milho Liberty Link no meio ambiente”. A Comissão baseou sua decisão exclusivamente em dados fornecidos pela transnacional.

Tal documento foi apresentado à CTNBio numa audiência pública - realizada por ordem judicial - para discutir os impactos do milho transgênico. Milton Fornazieri, integrante da Via Campesina Brasil, revela, na nota da entidade, que, na ocasião, “a Comissão não abriu a metodologia do encontro, só aprovou a exposição de pessoas favoráveis aos transgênicos e desdenhou qualquer argumentação que fosse de encontro à liberação do milho”. Além disso, a CTNBio ainda não respondeu nenhuma das questões levantadas na audiência por pessoas contrárias à liberação de transgênicos.

Ajuda do governo

A liberação foi a primeira desde a aprovação, em 2005, da Lei de Biossegurança. E, talvez, só tenha ocorrido por conta desta nova legislação. Ao dispensar estudos de impacto ambiental e à saúde para aprovar a comercialização de transgênicos, a lei seria inconstitucional, garantem especialistas. Inclusive, a Procuradoria Geral da República entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Lei de Biossegurança.

Mas o que é certo é que o Liberty Link não teria sido aprovado sem a ajuda da medida provisória 327, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 21 de março. O dispositivo reduziu o quórum mínimo da CTNBio, composta por 27 membros, para liberação comercial de transgênicos de dois terços (18 membros) para a metade (14). O milho da Bayer foi aprovado por 17 votos a quatro.

Jornal Brasil de Fato
ttp://www.brasildefato.com.br/

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10 meses e muitas visitas

O blog CONTROVÉRSIA completa neste dia 17 de maio seu 10º mês no ar. Neste último mês acumulamos 26.200 visitas, estabelecendo novo recorde, o que representa cerca de 850 visitas diárias, em média. Mais uma vez, obrigado pela audiência.

Ainda em maio o Blog CONTROVÉRSIA ultrapassou a barreira das 100 mil visitas, marca obtida no dia 08. É muito clic.

Acompanhe a movimentação mês a mês (desde 17 de julho de 2006).

01° mês: 3 mil visitas (0 a 3.000)
02° mês: 3 mil e 500 visitas (3.000 a 6.500)
03° mês: 5 mil visitas (6.500 a 11.500)
04° mês: 5 mil e 800 visitas (11.500 a 17.300)
05° mês: 7 mil e 900 visitas (17.300 a 25.200)
06° mês: 10 mil visitas (25.200 a 35.200)
07º mês: 13 mil e 800 visitas (35.200 a 49.000)
08° mês: 13 mil e 100 visitas (49.000 a 62.100)
09° mês: 19 mil e 700 visitas (62.100 a 81.800)
10° mês: 26 mil e 200 visitas (81.800 a 108.000)

Obrigado. Ricardo Alvarez

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