Arquivo de 19 de Maio de 2007

Muito mais que novos combustíveis

A meta é ambiciosa: reduzir pela metade as emissões de CO2 e ainda assim transformar o acesso à energia num direito de todos. A humanidade precisa estar disposta a uma nova relação consigo mesma (A possível Revolução Energética, parte 3)

Um novo paradigma é, como se viu, algo muito mais profundo que a simples mudança das fontes energéticas. Para que a meta de redução pela metade das emissões de CO2 seja alcançada, [R]evolução Energética julga necessário (e plenamente possível) criar uma nova noção de eficiência energética. A que temos hoje considera um único fator: o preço final dos combustíveis. A que é necessária para salvar o planeta precisa ser capaz de criar algo muito mais complexo: relações sustentáveis do ser humano com a natureza e consigo mesmo.

Isso implica rever os princípios do modelo atual: a começar da visão antropocêntrica de mundo. O ser humano precisa abandonar a postura de senhor da natureza, e passar a se reconhecer como parte dela. Isso não equivale a penúria: o documento enfatiza, como se verá adiante, a necessidade de estender o uso da energia aos que hoje não têm acesso a ela. Mas significa redução máxima do desperdício, do consumo alienado cuja finalidade não é o bem-estar — mas a preservação de relações sociais, econômicas e simbólicas perversas.

Como meta, o relatório propõe uma redução no uso geral de energia, ao longo dos próximos 43 anos. Somadas todas as fontes, consumimos, hoje, 435,1 mil petajoules por ano [1] — dos quais 348,6 mil provêm de combustíveis sujos. Sem mudança de políticas e atitudes, passaremos, em 2050, a 807,7 mil petajoules/ano. O Greenpeace demonstra que é possível reduzir essa marca para 421,9 petajoules/ano. Será uma diminuição de 3% em relação ao dispêndio atual e de 47% em relação à previsão para 2050, no cenário-referência. [2]

Em cheque, a civilização do automóvel

Para assegurar tal economia, será preciso rever mais três princípios do paradigma anterior. O consumo individualista dará lugar ao consumo responsável. Possuir riqueza não deve equivaler a direito de contaminar o planeta. O relatório sugere uma ampla mudança nos métodos de produção e nos hábitos de consumo. Técnicas avançadas de construção reduzem sensivelmente o uso de ar condicionado e de aquecimento, em residências e escritórios. Aquecedores solares podem ser instalados também nas fachadas dos edifícios, para ampliar sua auto-sustentabilidade. O uso de lâmpadas e aparelhos elétricos e eletrônicos econômicos faz enorme diferença no consumo total de energia. Na indústria, o mesmo se obtém com motores, compressores e bombas eficientes, ou com a reciclagem. A produção de alumínio primário, por exemplo, requer uso ultra-intensivo de eletricidade. Mas esse dispêndio é reduzido em 90% a 95% na produção secundária do metal.

Nos transportes, tanto os biocombustíveis quanto os motores elétricos e híbridos estão avançando. Mas por que não questionar, também, a racionalidade dos sistemas baseados no automóvel? A construção e manutenção de ruas e rodovias asfaltadas suga uma enorme parcela das finanças públicas. A circulação nas cidades torna-se caótica — frenética no ritmo e muito lenta na velocidade. Cada usuário perde no trânsito, a cada ano, milhares de horas, que poderiam ser dedicadas à leitura (em trens, bondes e ônibus confortáveis), ao descanso, lazer e convívio com seus semelhantes. Os índices de mortes, mutilações e ferimentos em acidentes automobilísticos são brutais.

Mudanças no padrão de consumo podem ser suscitadas tanto por atitudes individuais (como poupar água, ou deixar de usar plásticos descartáveis) quanto por decisões coletivas. Certas práticas devem ser simplemente proibidas (o uso de veículos poluentes ou a fabricação de motores ineficientes, por exemplo). Em outros casos, funcionam os estímulos financeiros, positivos e negativos. Pedágios eletrônicos sobre a circulação de automóveis nas cidades são perfeitamente aceitáveis, se a arrecadação destina-se a melhoras reais nos sistemas de transporte coletivo. O emprego de métodos de construção sustentáveis e aparelhos eletrônicos econômicos pode ser promovido por meio de incentivos fiscais e de crédito.
No lugar da mega-empresa, a rede de produtores autônomos

Na esfera da geração de energia, o modelo da concentração produtiva é substituído pela geração descentralizada. Por sua própria natureza e diversidade, as fontes renováveis estão disponíveis em todo o planeta, e podem ser aproveitadas também em pequenos espaços e instalações. Isso multiplica as possibilidades de captação e oferece enormes vantagens de autonomia e redução de custos. Já existe tecnologia disponível para construir casas e edifícios que geram toda a energia de que necessitam. Instalar um catavento, uma usina de concentração solar ou uma unidade de produção de óleo de mamona requer incomparavelmente menos espaço e capital que construir uma refinaria de petróleo ou escavar uma mina de carvão. Em regiões remotas do Sul do planeta, as fontes limpas podem garantir que centenas de milhões de pessoas tenham, pela primeira vez, acesso à eletricidade. Em todas as partes do mundo, a autonomia livra as sociedades da dependência em relação a um número reduzido de grandes corporações, historicamente conhecidas por seu poder e apetite para devastar o ambiente, desalojar populações, conspirar contra governos legítimos, formar cartéis e impor preços.

O uso descentralizado de fontes renováveis permite resolver problemas de transporte e produção que marcam o padrão fóssil. O deslocamento diário de milhões de toneladas de petróleo e derivados, carvão e gás resulta em enormes perdas ambientais e econômicas. Na geração termelétrica, estima-se que 61% da energia existente nos combustíveis simplesmente se perca, na forma de calor e por ineficiência tecnológica. A transmissão de eletricidade, por fios de alta e baixa tensão, rouba 10% adicionais.

[R]evolução Energética demonstra que outra fonte notável de economia é o emprego da tecnologia da informação para estabelecer a geração colaborativa de energia em rede. Trata-se de um princípio capaz de superar a ênfase atual na competição entre empresas. As redes de transmissão, criadas há mais de um século, foram construídas para integrar apenas um pequeno número de grandes unidades geradoras. A energia que chega a cada casa ou empresa pode vir, digamos, de uma hidrelétrica (limpa) situada a centenas de quilômetros ou — se o nível da represa está baixo — de uma termelétrica poluente, porém operante.

A informática permite criar redes com centenas ou milhares de fornecedores. Nelas, cada unidade despeja energia no sistema de acordo com as condições físicas e as prioridades definidas socialmente. A rede pode priorizar a geração de energia solar, nos períodos de maior luz, aproveitar os momentos de alta intensidade dos ventos e elevado volume das águas e, até mesmo, quando necessário, incorporar energia suja para evitar interrupções. A fonte fóssil, contudo, é automaticamente desligada, assim que as renováveis voltam a distribuir eletricidade. Todo o processamento é feito em “centrais elétricas virtuais”, cujo papel é exatamente coordenar o sistema para “produzir” energia evitando perdas e aproveitando ao máximo a capacidade instalada. Essas centrais virtuais permitem, além disso, articular a produção local autônoma com territórios mais vastos. Um catavento pode fornecer energia exclusivamente para a localidade mais próxima, nos momentos de pico do consumo; e, quando esse diminui, redirecionar sua produção para o sistema.
Reduzir as emissões garantindo o direito à energia

A adoção de conceitos como consumo responsável e descentralização é ainda mais necessária porque o paradigma da [R]evolução Energética inclui, como elemento indispensável. a justiça social. No novo padrão, a energia passa a ser vista como um bem a que os seres humanos têm direito, independentemente de capacidade aquisitiva. Isso significa incorporar centenas de milhões de seres humanos, hoje, excluídos ao consumo de eletricidade e aos sistemas de transporte. O trecho do relatório que trata do tema é particularmente expressivo.

“A energia é central para reduzir a pobreza e a desigualdade e promover grandes avanços em áreas como Saúde e Educação. Mais de um quarto da população do mundo não se beneficia de serviços modernos de energia. Na África Sub-saariana, 80% dos habitantes não têm acesso a eletricidade. (…) Populações empobrecidas gastam até um terço de sua renda em energia, principalmente para cozinhar. As mulheres, em particular, empregam uma parte considerável de seu tempo coletando, processando e usando combustível tradicional pra cozinhar (…) Essas horas poderiam ser gastas no cuidado com as crianças, educação ou geração de renda. (…) A Organização Mundial da Saúde estima que 2,5 milhões de mulheres e crianças morrem prematuramente a cada ano, por respirar fumaça de fogões de biomassa.

“Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de reduzir pela metade a pobreza até 2015, não serão alcançados sem energia para ampliar produção, renda e educação, criar empregos e reduzir o desgaste de lutar todos os dias pela própria sobrevivência.(…) Não será possível reduzir os índices de mortalidade sem energia para a refrigeração necessária em clínicas, hospitais e campanhas de vacinação. (…) As crianças não estudarão à noite sem luz em suas casas. Não se bombeará nem tratará água sem energia”.

Jornal Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

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Na América Latina, o papa confronta a Teologia da Libertação

Larry Rohter
Em São Paulo

No início dos anos 80, quando o papa João Paulo II quis reprimir o que ele considerava um movimento perigoso na Igreja Católica Romana - a Teologia da Libertação, inspirada no marxismo- ele procurou um assessor de confiança: o cardeal Joseph Ratzinger.

Agora o cardeal tornou-se o papa Bento 16 e, quando chegar aqui, na quarta-feira (9/4), para sua primeira visita pastoral à América Latina, talvez se surpreenda com o que encontrará. A Teologia da Libertação, que ele chamou certa vez de “ameaça fundamental à fé da igreja” persiste como uma força ativa, até desafiadora na América Latina, lar de quase metade dos católicos romanos do mundo, que são em torno de 1 bilhão.

Nos últimos 25 anos, enquanto o Vaticano se movia para silenciar os teóricos da Teologia da Libertação e a igreja reforçava sua hierarquia conservadora, os males sociais e econômicos que o movimento abordava pioraram. Nos últimos anos, a política na região também pendeu para a esquerda, dando um novo ímpeto e credibilidade à demanda do movimento que a igreja adote “a opção pelos pobres”.

Hoje, cerca de 80.000 “comunidades de base” operam no Brasil, a mais populosa nação católica romana, e quase 1 milhão de “círculos da Bíblia” reúnem-se regularmente para ler e discutir a escritura do ponto de vista da Teologia da Libertação.

Durante a visita de cinco dias, o papa Bento ao Brasil reunir-se-á com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, canonizará um santo, pregará aos fiéis e visitará um centro de tratamento de drogados, antes de inaugurar a conferência de bispos latino-americana que discutirá o futuro da igreja na região, onde a Teologia da Libertação surgiu, prosperou e atraiu tanto de sua censura. Alguns defensores da Teologia da Libertação estarão presentes, outros estarão em uma reunião paralela, e todos foram advertidos a não serem agressivos demais em suas opiniões.

No passado, os seguidores da teologia mantiveram-se firmes, enquanto esquadrões da morte criavam vários mártires do movimento, desde o arcebispo Oscar Arnulfo Romero, de El Salvador, morto em 1980 enquanto celebrava uma missa, até Dorothy Mae Stang, freira americana assassinada na Amazônia brasileira em fevereiro de 2005. As pressões do Vaticano, comparadas com isso, não atemorizam, dizem.

“Apesar de tudo, prosseguimos de uma forma subterrânea”, disse Luiz Antonio Rodrigues dos Santos, professor de 55 anos, ativo no movimento por quase 30 anos. “Que Roma e os críticos digam o que quiserem, simplesmente perseveramos em nosso trabalho com os pobres e oprimidos.”

Em uma manhã fresca e nublada no final de abril, as evidências da vitalidade do movimento eram claras. Representantes de 50 comunidades de base reuniram-se na Igreja do Apóstolo São Paulo, na zona Leste desta grande cidade, uma região de moradia de trabalhadores humildes e favelas.

Com quatro padres presentes, as leituras da Bíblia alternavam-se com preocupações mais mundanas: críticas às propostas do governo de reduzir pensões e os direitos dos trabalhadores sob o código trabalhista brasileiro. O serviço terminou com um Pai Nosso e um hino.

“Na terra da humanidade, concebida como uma pirâmide, há poucos no topo e muitos na base”, cantou a congregação. “Na terra da humanidade, os que estão no topo esmagam os que estão na base. Ó pobres oprimidos, pessoas submetidas à dominação, o que estão fazendo aí parados? o mundo da humanidade tem que ser mudado, então se levantem, não fiquem parados.”

Depois, a discussão voltou-se para outros problemas sociais, principalmente a falta de saneamento básico. Um representante do Partido dos Trabalhadores discutiu estratégias para pressionar o governo a terminar um projeto de esgoto. Os fiéis concordaram em organizar uma campanha de lobby.

Em outras áreas, a Teologia da Libertação defende fortes laços com os sindicatos. Em uma missa do dia 1º de maio para comemorar o Dia Internacional do Trabalho, a cruz de madeira foi coberta com cartazes pretos com as palavras “imperialismo” e “privatização” e houve aplausos quando a homilia criticou as políticas econômicas “neoliberais” do governo, defendidas por Washington.

“Acreditamos em fundir questões de fé com ação social”, disse Valdir Resende dos Santos, discípulo que une as comunidades de base e grupos de trabalho nos subúrbios industriais locais. “Aconselhamos os grupos e os movimentos sociais, mobilizamos os desempregados e trabalhamos com sindicatos e partidos, sempre de uma perspectiva baseada no Evangelho.”

Desde que a Teologia da Libertação surgiu, nos anos 60, misturou consistentemente política com a religião. Os seguidores muitas vezes são ativos em sindicatos e partidos políticos de esquerda e criticam governos que comparam a fariseus dos tempos modernos.

Eles entendem esse ativismo como virtude necessária para responder às necessidades dos pobres. Os oponentes dizem que insinua perigosamente a igreja no âmbito político, temporal, e vêm anunciando nos últimos anos o declínio e desaparecimento do movimento.
Algumas das distinções nesse debate são sutis. O papa João Paulo II estendeu seu alcance para direitos humanos e política quando desestimulou o aborto e o divórcio e instigou os poloneses e outros europeus a rejeitarem o comunismo. Acredita-se que ele ajudou a fomentar o eventual colapso da União Soviética.

Alguns dizem que isso difere do ativismo político adotado pela Teologia da Libertação, direto, de classe. Como cardeal, Ratzinger certa vez chamou o movimento de “fusão da visão da história pela Bíblia com a dialética marxista” e outros críticos reclamam de sua ênfase na ação coletiva direta em nome de Jesus em detrimento da fé individual.

Como disse o papa João Paulo II, no início de seu papado: “Este conceito de Cristo como figura política, revolucionária, o subversivo de Nazaré não está de acordo com o catecismo da igreja.”

Certamente a Teologia da Libertação foi forçada a se retirar dos altos níveis da hierarquia da igreja. Bispos e cardeais que apoiavam e protegiam o movimento nos anos 70 e 80 morreram ou aposentaram-se, sucedidos por clérigos abertamente hostis a tais comunidades e aos valores que esposam.

“As comunidades de base só podem prosperar em áreas onde há bispos que as estimulam. Se você tira o apoio do bispo, fica difícil chegarem a qualquer lugar”, disse Margaret Hebblethwaite, autora religiosa britânica cujos livros incluem “Base Communities: An Introduction” (comunidades de base: uma introdução) e “The Next Pope” (o próximo papa).

Ainda assim, o movimento continua ativo, especialmente nas áreas mais pobres, como a Amazônia, o interior do Nordeste e os arredores de grandes centros urbanos como este, o maior do Brasil, com quase 20 milhões de habitantes na região metropolitana. Esperando atrair menos atenção e críticas, alguns desses grupos simplesmente dizem que estão envolvidos com “o pastoreio social”.

A luta entre os teólogos da Libertação e o papa Bento - cuja própria teologia foi formada em reação ao alcance da ideologia nazista - tem sido longa e amarga. Em 1984, quando era o responsável no Vaticano por supervisionar as questões de fé e doutrina, Ratzinger declarou: “A Teologia da Libertação é uma heresia singular”.

Mais recentemente, ele disse: “Parece-me que não precisamos da Teologia da Libertação, mas da Teologia do martírio” e argumentou que o movimento somente se tornará uma teologia válida “quando se recusar a aceitar o poder e a lógica mundana” e em vez disso enfatizar a “liberdade interior”. Essas declarações, porém, são de quando desempenhava as ordens de João Paulo, e há especulações por aqui que suas opiniões podem ter se suavizado.

Isso ajuda a explicar algumas das manobras teológicas que vêm acontecendo na América Latina recentemente.

Em nome dos conservadores, o Vaticano impôs sanções sobre teólogos da Libertação, como Gustavo Gutierrez do Peru, Leonardo Boff do Brasil e, mais recentemente, Jon Sobrino de El Salvador, jesuíta nascido na Espanha. Quanto o Vaticano repreendeu Sobrino em março, Pedro Casaldaliga do Brasil, um dos bispos mais comprometidos com a Teologia da Libertação, escreveu uma carta aberta pedindo que a igreja reafirmasse seu “verdadeiro compromisso ao serviço dos pobres do Senhor” e “o laço entre fé e política”.

Isso gerou uma forte reação de Felipe Aquino, teólogo conservador cujas opiniões são freqüentemente transmitidas por estações de rádio católicas da região. “Em vez de receber a advertência cordial do Vaticano, o senhor continua incorrigível, envenenando o povo com a Teologia da Libertação que, como observou Ratzinger, aniquila a fé verdadeira e subverte o evangelho da salvação”, escreveu.

Em uma conferência com a imprensa no dia 27 de abril, o arcebispo de São Paulo recém nomeado, Odilo Sherer, 57, tentou conciliar as duas opiniões opostas. Enquanto criticou a Teologia da Libertação por usar “o marxismo como ferramenta de análise”, ele também elogiou os teólogos da libertação por redirecionarem a missão da igreja no Brasil para que se concentrasse nas questões de injustiça social e pobreza.

Ele também argumentou que o movimento estava em declínio. Os seguidores, entretanto, estão menos certos disso.

“A força da realidade social dura da América Latina é mais forte do que a ideologia de Roma, então a Teologia da Libertação ainda tem grande vitalidade”, disse Boff, ex-frade franciscano que deixou o clérigo em 1992, argumentou em recente entrevista. “É verdade que não tem a visibilidade que tinha e não é tão controversa quanto foi, mas está muito viva e bem.”

Tradução: Deborah Weinberg.

The New York Times
http://www.nytimes.com/

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