Ingleses descobrem ilha em Pernambuco

40 britânicos já compraram casas em Itamaracá, que tem imobiliárias voltadas para o mercado europeu

Angela Lacerda

Bem perto do Forte Orange, construído pelos holandeses em 1631, na Ilha de Itamaracá, cidade de 15,8 mil habitantes no litoral norte pernambucano, a 50 quilômetros do Recife, o casal inglês Peter e Debbie Zorab acaba de concretizar um antigo sonho.

Há dois meses, moram em um sobrado que ocupa parte de uma área de 600 metros quadrados, de frente para o oceano. Com pouca roupa, pele queimada, longe do inverno, da chuva e do frio com que convivia a maior parte do ano, o casal é só alegria. Vendeu o bar e night club que possuía em uma cidade perto de Liverpool e ainda se mostra incrédulo com a nova vida. A todo momento se surpreende. “Há pouco tempo essas árvores deram muitos frutos e agora estão novamente cheias”, espantou-se Peter, na manhã de sexta-feira, enquanto ele e a mulher apontavam para as pitangueiras do quintal. Os dois pesquisaram muitos locais em outros continentes e países antes de se decidirem. Além da beleza do cenário, Itamaracá pesou pelos preços baixos dos imóveis e pela gentileza do povo simples.

Como eles, cerca de 40 ingleses já compraram casas na ilha. Um deles adquiriu área de 1,3 mil metros quadrados, na beira do mar, com piscina e casa com oito quartos - seis deles suítes - por R$ 330 mil. Quem ainda não se mudou de vez, passa férias e aguarda a aposentadoria.

Espanhóis também aparecem cada vez mais no local, compram terrenos e constroem casas de veraneio em pequenos condomínios dotados de piscina. Jorge Monte, de Barcelona, lembra que por preços que vão de 15 mil a 30 mil se pode comprar uma dessas casas. “Trinta mil euros é o preço que se paga por uma garagem para o carro na Espanha”, conta.

Itamaracá tem hoje imobiliárias voltadas quase que exclusivamente para o mercado europeu, a exemplo da Paulo Ferreira, que leva o mesmo nome do dono. Ele tem dois sócios - um em Londres e outro em Mocame (norte da Inglaterra), encarregados de atrair compradores, e ainda é administrador da empresa do casal Peter e Debbie, a PD Empreendimentos Imobiliários. Já o corretor Wellington França atende a espanhóis, por meio de sociedade com Jorge Monte, que ainda se divide entre os dois países, mas acredita que em breve poderá ficar de forma permanente.

Desvalorizada devido à depredação, sujeira, falta de infra-estrutura e invasão do mar em determinadas áreas, Itamaracá viveu nos últimos anos processo de favelização. Os preços dos imóveis caíram, em tendência oposta à valorização do litoral sul.

NATIVOS

A movimentação dos estrangeiros em Itamaracá tem agradado também aos nativos. Eles investem no local, usam mão-de-obra da cidade e se preocupam com ações que caberiam à prefeitura. Por conta própria, já têm planos para drenar ruas que no período de chuva ficam intransitáveis e preocupam-se com o lixo.

Além da sua casa, Peter, de 50 anos, e Debbie, de 44, compraram outros três imóveis em péssimo estado. Depois de reformá-los, puseram os três à venda por um preço bem mais alto.

Jornal Estado de S. Paulo
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