Arquivo de 6 de Outubro de 2007

Che Guevara e os mimos da família Civita

Dar a patinha, rolar no chão e falar mal de tudo que cheire a povo são as eternas gracinhas da pet shop chamada Veja

Gilberto Maringoni

A HUMANIDADE SEMPRE GOSTOU de animais de estimação, mas agora o costume virou moda. Pet shops tomam conta das cidades brasileiras e roupas, brinquedos e alimentos especiais para bichinhos disputam um mercado crescente. Escolas especiais pipocam por toda parte, sofisticando a pedagogia caseira de ensinar mascotes a sentar, dar a patinha ou buscar objetos atirados ao longe. Todos gostam dessas companhias domésticas. Fazem a alegria das crianças.

Há uma família em São Paulo que parece adorar mascotes. É um clã de origem italiana, aqui radicado há décadas. Não se sabe bem o por quê, mas alguns de seus membros exibem socialmente um inconfundível acento novaiorquino. Manias, quem sabe. Trata-se da turma dos Civita, gente boa, com negócios para os lados da marginal Pinheiros.

Os Civita adoram mascotes. Têm vários. Um dos orgulhos de sua casa de negócios atende pelo nome de Diogo. Aliás, são dois os Diogos amestrados daquele – chamemos assim – lar da marginal. Vamos falar de um deles, o Diogo Schelp (tem o Mainardi, mas este fica para outra hora). O Schelp é um espécime reluzente. Dá a patinha, busca o que o dono mandar e não gosta do que os Civita não gostam. Coisa bonita de se ver. Diogo Schelp deve andar aí pela casa dos trinta anos. Tem futuro.

Cuba, Venezuela, MST etc.

Os Civita detestam tudo que cheire a povo. Externam especial repulsa por coisas como Cuba, Venezuela, MST e quejandos. Quando precisam propalar aos quatro ventos seus desapreços, chamam um dos Diogos. “Vem, Diogo, vem”. E Diogo – qualquer um deles – faz a alegria da família. “Vem, Diogo, vem, desce o chanfralho no Chávez, vem!”. E lá vai Diogo, correndo, mostrar o serviço.

Como toda boa família, os Civita têm sua sala de visitas, onde exibem tudo do bom e do melhor. A sala de visitas tem até nome. Chama-se Veja. Toda semana apresenta uma decoração nova, todas diferentes, mas iguais às anteriores, se é que dá para entender.

Diogo é um fenômeno, dizíamos. É bom também não confundi-lo com Dioguinho, apelido de Diogo da Rocha Vieira, famoso bandido e salteador que aterrorizou os sertões da Mogiana, entre o final do século XIX e inícios do XX. Dioguinho era bandido de aluguel, que agia em troca de bom soldo. Diogo, o Schelp não aterroriza ninguém.

Pois não é que depois de fazer das suas por várias vezes, exibindo língua solta contra a Venezuela e Cuba o Diogo resolveu voltar-se contra Che Guevara. Certamente fez isso depois de dar a patinha, rolar no tapete e pedir papinha, pois a vida não anda fácil.

Pérolas e olfatos

Diogo é uma graça. Ganhou uma capa – é capa da tal sala de visitas, a Veja – e mais um monte de espaço. Sua pérola chama-se “Che. Há quarenta anos morria o homem, nascia a farsa”. A obra é hercúlea. Diogo contou com a ajuda de outro civitete de estimação, um serzinho chamado Duda Teixeira. Para fazer das suas, foram falar com vários cubanos que, segundo ambos, conviveram com Che Guevara. Não foram a Cuba, mas entrevistaram quatro que moram na mais reluzente cidade latino-americana, chamada Miami. Tem uma comunidade cubana lá que é do balacobaco. Ajudaram a eleger George e seu irmão Jeb Bush. Gente fina.

Entre citações dos tais cubanos e sacadas próprias, a dupla DD (Diogo e Duda) saiu-se com estas:

“Che foi um ser desprezível”.

“Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro”.

“Sua vida foi uma seqüência de fracassos”.

Como a vida da dupla DD é uma seqüência de sucessos, eles podem dizer esta última frase de boca cheia. Certamente ambos vão revelar proximamente terem feito algo mais grandioso do que uma revolução nas barbas do império (desculpem o uso da expressão antiquada) ou de terem dado a vida defendendo o que pensam.

O mais legal é a especialidade olfativa dos DD. Sabem de cada uma. Vejam esta:

“Che (…) não gostava de banho e tinha cheiro de rim fervido”.

Cheiro de rim fervido! Alguém sabe como é? Os DD, pelo visto, cultivam o salutar hábito de experimentar odores em busca de comparações espirituosas a pedido dos Civita.

E tem mais. Como estão fazendo graça, dando a patinha e tal, os DD não se preocupam nem mesmo em dizer uma coisa no início da matéria e desdizer a mesma coisa linhas abaixo. Pois vejam só:

“Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro”.

Lá adiante, a dupla do barulho fala assim:

“Che também se tornou crítico feroz da União Soviética”.

Os Civita devem adorar. Os Civita gostam de dinheiro, poder e publicidade oficial, da qual suas revistas andam cheias. O governo deve gostar muito dos Civita e de seus mascotes, para dar esse ajutório todo.

Mas deve haver uma hora que os DD cansam um pouco a família lá da marginal. Mesmo vivendo toda hora na sala e se exibindo para as visitas, há sempre um perigo maior.

O de fazer xixi no tapete.

Foi o que aconteceu agora. Graça demais não tem muita graça não.

Gilberto Maringoni é jornalista e membro da Direção Nacional do PSOL

Site do Deputado Federal Ivan Valente - Psol SP.
http://www.ivanvalente.com.br/

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Melhores do Congresso

Vote nos parlamentares do PSOL

O sítio de notícias “Congresso em Foco” iniciou na última terça-feira (18/9) a votação que definirá os melhores congressistas do país deste ano. Até 18 de novembro o internauta poderá votar. Na primeira etapa votaram 188 jornalistas que cobrem o Congresso Nacional, que selecionaram 25 deputados e 16 senadores. Todos os parlamentares do PSOL – Ivan Valente, Chico Alencar, Luciana Genro e o senador José Nery - ficaram entre os 15 primeiros.

Meus votos são:

Ivan Valente (Deputado Federal Psol SP)
José Nery (Senador Psol PA)

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CHE GUEVARA, UM REVOLUCIONÁRIO EXEMPLAR

DEPUTADO IVAN VALENTE PSOL/SP

PRONUNCIAMENTO REALIZADO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS EM 08/10/1997

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Parlamentares,

Hoje 08 de outubro, estamos há 30 anos da data que ficou marcada na História como sendo aquela do assassinato de uma das figuras mais notáveis deste século - Ernesto Che Guevara, eliminado, na Bolívia, no povoado de La Higuera, pelas forças armadas daquele país, em colaboração com a Agência Central de Inteligência Americana.

Hoje, Sr. Presidente, 30 anos depois, esse médico argentino, nascido em Rosário, em 14 de junho de 1928, é lembrado no mundo todo como uma das figuras marcadas pelo desprendimento, pelo idealismo e pela convicção transformadora e revolucionária de que um homem não deve viver de joelhos, deve almejar objetivos mais amplos na sua vida para o seu povo e para os explorados e oprimidos do mundo.

Ernesto Che Guevara era um cidadão argentino que tinha toda a retaguarda da classe média daquele tempo que, nos anos 50, sob o peronismo, vivia em seu país um período de prosperidade econômica. No entanto, ele optou por varar a América Latina e conhecer sua realidade e seus povos. Diante do que viu, firmou a compreensão de que sua ação como médico deveria associar-se ao combate às iniquidades, à opressão, à exploração e à exclusão social. Nessa caminhada passou pela Bolívia, pela Guatemala, onde pôde viver, como médico e como militante político, a rica experiência do exercício do governo e da derrota (pela intervenção militar norte-americana) do governo democrático de Jacobo Arbenz.

UM MILITANTE LATINO-AMERICANO

É como assinalou o cientista social brasileiro Eder Sader: “quando as tropas invasoras penetram na capital guatemalteca e começam as execuções, o nome de Ernesto Guevara figurava na lista dos condenados à morte. É nesse momento que ele sente mais fortemente a barbárie do imperialismo, escondida atrás da ‘defesa da democracia’: fuzilamentos, derrubada de um governo constitucional, abolição de direitos dos trabalhadores. E de outro lado, comprova a fragilidade dos governos e partidos reformistas, prisioneiros das estruturas do poder burguês. E a atitude das burguesias nacionais e de suas forças armadas, que recuam ante a polarização das lutas, precipitando-se sob a proteção da dominação estrangeira”.

Frente a tal situação, o Che vai para o México, onde conheceu Fidel Castro e aqueles que mais tarde protagonizariam a Revolução Cubana, como Camilo Cienfuegos, Raul Castro e tantos outros.

É universalmente conhecida a epopéia dos revolucionários que, a bordo do “Granma”, sairam do México em direção a Cuba e, na “Ilha”, após os primeiros revezes do desembarque, ganham a “Sierra Maestra” para empolgar o país e derrotar a ditadura de Fulgêncio Batista e os apoiadores do poder imperialista. O exemplo em que se constitui a Revolução Cubana na América Latina tem como uma de suas marcas: Ernesto Che Guevara.
Entendo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que Che Guevara foi, antes de tudo, um homem de ação, mas com base teórica. Foi também ser revolucionário capaz de ir às últimas conseqüências em suas ações, inclusive correndo todos os riscos que implicam tais opções - vale dizer, de sua própria vida - em defesa de suas idéias.

REVOLUCIONÁRIO E ESTADISTA

Como se sabe, Che Guevara foi também um homem de Estado. Um estadista na acepção forte da expressão. Um homem que, como representante de um Estado ( no caso, um Estado de tipo novo, revolucionário), ao invés de expressar os interesses das grandes corporações e grupos econômicos privilegiados, materializava de forma viva e marcante a voz e os anseios das maiorias exploradas e oprimidas de Cuba e do nosso Continente, que nunca tiveram voz e vez.

Na condição de homem de Estado, Che Guevara foi responsável pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária e pelo Banco Nacional de Cuba e, depois, Ministro das Indústrias. À frente desses cargos, Che consolidou, aquilo que já havia afirmado nos campos de batalha: sua condição entre os principais dirigentes do processo revolucionário cubano. É nessa condição e nesse ínterim, que ele viaja pelo mundo, no combate para romper a sabotagem e o cerco econômico, político, diplomático, militar, ideológico e cultural movido, sobretudo, pelo imperialismo ianque contra a revolução. É também nesse quadro que ele comparece à famosa Conferência da OEA em Punta del Este, convocada para condenar a “Ilha” e distribuir financiamentos americanos aos governos leais. É nesse evento onde ele tem a oportunidade de mostrar sua habilidade e firmeza, passando de acusado a acusador do imperialismo e de seus lacaios.

Como é sabido, terminada essa reunião, ele vai clandestinamente à Argentina encontrar-se com o então Presidente da República, Frondizi (que seria deposto posteriormente por um golpe militar) e vem a Brasília, onde é condecorado pelo Presidente Jânio Quadros.

De outra parte, é amplo o leque de assuntos aos quais o revolucionário Ernesto Che Guevara procurou responder. Seus inúmeros escritos são um testemunho disso. Sem pretender discorrer aqui sobre sua obra, é necessário destacar que esses trabalhos evidenciam um homem preocupado em combater o objetivismo que então dominava o marxismo, ameaçando torná-lo uma espécie de escolástica. As páginas que Che produziu materializam o talento e a tensão de um revolucionário preocupado em ressaltar o valor do exemplo pessoal e coletivo, da disciplina e da rebeldia na luta de classes e na luta pelo socialismo. As obras do Che enfatizam a sua preocupação em valorizar o nacionalismo revolucionário, a ação anti-imperialista e internacionalista como elementos centrais da luta socialista na América Latina. Um dos aspectos mais importantes do aporte político-teórico de Che - e certamente um dos que lhe conferem uma marca mais nítida entre os maiores revolucionários que a humanidade produziu - diz respeito à sua preocupação com o que tem sido denominado “humanismo revolucionário”.

Nesse terreno, Che Guevara não foi somente o militante que não se intimidou em sublinhar: “deixe-me dizer, com o risco de parecer de ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor”. Ele foi entre os grandes socialistas deste século um dos que se destacou por enfatizar a necessidade da construção do homem novo como parte do processo de revolucionarização da sociedade em direção ao comunismo. Ele negava que esse objetivo pudesse se tornar tangível com base nos interesses individuais herdados do capitalismo.

Eis porque valorizava a educação como elemento decisivo na transição socialista. Eis porque o Che atribuia a valores como, solidariedade, disciplina, honestidade, integridade pessoal etc. importância central nessa caminhada. O Che mais do que ninguém destacou - conforme a correta percepção de Eder Sader - a “superioridade humana daqueles que dedicam suas vidas à revolução, frente àqueles que só cuidam de seus interesses particulares. E o poder de convencimento desse discurso moral elementar repousou sempre na franqueza transparente de suas palavras: tratava-se de alguém que nada possuía e nada pedia a não ser melhores condições para continuar lutando”.

Desnecessário sublinhar que, como militante de ação e como formulador, o Che foi um dos construtores do regime revolucionário que vige em Cuba. Ele esteve entre os principais responsáveis pela grandiosa e pioneira realidade e prática de um regime político, econômico e social que se comprometeu e prioriza de fato saciar a fome de pão, de terra, de educação, de saúde, de cultura, de esporte, de lazer e de participação política dos “deserdados da terra”: vale dizer das maiorias.

Sim, Senhor Presidente, estamos falando das grandiosas conquistas sociais da revolução e do povo cubanos. Conquistas que simultaneamente desperta tanta admiração da consciência popular e democrática dos povos do mundo e desatam tanto temor, tanto ódio e tanta sabotagem da parte dos poderosos e da burguesia internacional, a começar pelo imperialismo norte-americano, que lhe move o mais criminoso e hediondo boicote que a História já registrou.

Pois bem, para a vitalidade, para a força, para a capacidade de resistência que esse povo e esse processo revolucionário têm demonstrado (e hão de demonstrar até a vitória!) pesam substantivamente, também, a invenção, a formulação, as lições práticas do Che, que em si mesmo constitui uma boa evidência do papel de um indivíduo singular na História de um grande povo e de uma grande revolução.

ÉTICA REVOLUCIONÁRIA CONTRA A BUROCRACIA

É na construção dessa trajetória de homem de armas e de Estado que o Che, vai explicitar, em condições muito difíceis, mais uma faceta igualmente admirável: a de não se dobrar ante a arrogância e a conduta fossilizada de potenciais ou efetivos aliados. Aqueles que na luta social de fato se preocupam com a idéia e com a questão concreta da integridade revolucionária e com a ética devem se mirar no exemplo do Che. Com todo cuidado e com toda a responsabilidade dos cargos que ocupava ele não deixou de efetivar o bom combate e de denunciar o burocratismo e o farisaísmo dos dirigentes dos Partidos, autodenominados comunistas, então no poder na ex-URSS e na China. Temos, aqui, portanto, uma outra dimensão dessa extraordinária personalidade revolucionária: a do combate ao burocratismo de certos dirigentes e partidos que se reivindicavam de esquerda.

A propósito disso, não podemos deixar de anotar que essa é uma conduta verdadeiramente revolucionária, corajosa e generosa; muito diferente daquela adotada pelos que, hoje, tal como “engenheiros de obras prontas”, numa linha de submissão ao “espírito tempo”, em nome da denúncia dos absurdos e atrocidades praticadas naqueles países, tratam de bombardear a luta revolucionária e o socialismo, tentando “jogar fora, junto com a água suja, a criança e a bacia”.

Mas, Senhoras e Senhores Parlamentares, o Che Guevara não se contentou em ser um dos mais prestigiados membros do Estado de Cuba. Tampouco deitou-se sobre os louros da condição de dirigente de uma revolução vitoriosa. Como conseqüência do seu combate ao burocratismo e da necessidade de expandir o processo transformador na América Latina e pelo mundo, ele foi ao Congo Belga, agora Zaire, e mais tarde à Bolívia, onde seria combatido e assassinado pelas forças armadas daquele país.

Che Guevara foi capturado vivo, Sr. Presidente, e depois de ferido e desarmado, foi covardemente assassinado em La Higuera. Mais tarde, secretamente, foi enterrado em Vallegrande. Somente este ano foi recuperado seu cadáver, que foi transladado para Cuba.

Neste dia, Sr. Presidente, cabe perguntarmos e refletirmos sobre o que traduz, hoje, a imagem de Che Guevara que está estampada no peito de tantos jovens? Entendo que reflete antes de tudo rebeldia e inconformismo ante a exploração e a opressão tão exacerbadas nestes tempos neoliberais.
Digo mais, aqueles que querem folclorizar a imagem de Che Guevara, institucionalizá-la ou até comercializá-la não o conseguirão porque em seu olhar fixo, duro, rebelde, cobrador, insolente, generoso, brilha a igualdade social e a rejeição ao “status quo”. Nesse olhar cintila a transformação, a fraternidade, a luta e a revolução, que continua significando transformação radical da ordem econômica, política, social, cultural e libertação popular.
Por tudo isso, Sr. Presidente, tentamos realizar uma sessão solene em homenagem a Che Guevara, mas, por questões burocráticas da Casa, pois no mês de outubro já estavam programadas duas sessões solenes, não foi possível homenagear este herói latino-americano com todas as honras para que pudéssemos nos mirar no exemplo de Che Guevara.

Neste ponto reside a questão central.

O que querem negar a Che Guevara é o seu exemplo para milhões de pessoas, estudantes, trabalhadores e para os povos oprimidos. Os poderosos têm medo da sua vontade, do seu exemplo e da sua generosidade.

Aqui, desta tribuna, queremos homenagear um homem, um revolucionário na acepção mais profunda dessa palavra.

Queremos homenagear um ser político com uma enorme folha de realizações em prol da humanidade. Um militante revolucionário, que certamente cometeu erros, precisamente porque “ousou lutar, ousou fazer e ousou vencer”. Justamente por isso e por ter perseguido com tanto intensidade os macro-acertos, ele cometeu erros políticos, incorreu em avaliações que posteriormente revelaram-se falhas e assim por diante. Características pois de uma personalidade e de uma obra políticas (e não de uma figura e de uma doutrina místicas) que permanecem vivas, como produtos humanos; em dialógo fecundo com a contemporaneidade.

Em contrapartida temos notícia de que, hoje, o Gal. Hugo Banzer, que foi um dos ditadores da Bolívia, com mais cerca de cem militares, pretende homenagear os soldados que mataram nosso homenageado.

Milhões de pessoas vão continuar se lembrando de Che Guevara porque ele, por sua ação e destino, eterniza-se como um dos maiores revolucionários de todos os tempos. Enquanto isso, Hugo Banzer e seus sequazes vão para “lata do lixo da história” e serão lembrados, no máximo, como aquelas figuras menores e pálidas, sempre dispostas a sujar as mãos e alienar qualquer noção de honra e integridade, por algumas míseras lentilhas, em favor dos poderosos de plantão.

Che Guevara vive!

Muito obrigado,

Deputado Ivan Valente
Outubro/97

Veja especial sobre Che Guevara.

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Vídeo sobre Che Guevara

Che GUEVARA
04:49 - May 19, 2006

Música Atahualpa Yupanqui “Nada mas” (homenaje) Nathalie Cardone “hasta siempre commandante”.

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O LEGADO DE CHE GUEVARA

João Pedro Stedile

Em outubro próximo cumpre-se o quadragésimo aniversário do assassinato de Che Guevara pelo exército boliviano. Após sua prisão, em 8 de outubro de 1967, foi executado friamente, por ordens da CIA, pois seria “muito perigoso” mantê-lo vivo, pois poderia gerar ainda mais revoltas populares em todo o continente. Decididamente, a contribuição de Che, por suas idéias e exemplo, não se resume a teses de estratégias militares ou de tomada de poder político. Nem devemos vê-lo como um super-homem que defendia todos os injustiçados e tampouco exorcizá-lo, reduzindo-o a um mito.

Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar em toda a trajetória um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações. Isso pode-se ver no jovem Che, retratado de forma brilhante por Walter Salles no fi lme Diários de Motocicleta, até seus últimos dias nas montanhas da Bolívia, com o cuidado que tinha com seus companheiros de guerrilha.

Espírito de sacrifício
A indignação contra qualquer injustiça social, em qualquer parte do mundo, escreveu ele a uma parente distante, seria o que mais o motivava a lutar. O espírito de sacrifício, não medindo esforços em quaisquer circunstâncias, não se resumiu às ações militares, mas também e sobretudo no exemplo prático. Mesmo como ministro de Estado, dirigente da Revolução Cubana, fazia trabalho solidário na construção de moradias populares, no corte da cana, como um cidadão comum.

Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer. Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.

Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.

Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso, Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar o maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucionário cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação de militantes e quadros. Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana.

Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado. A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo. Che vive! Viva o Che!

Artigo originalmente publicado na Caros Amigos

João Pedro Stedile é membro da Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina.

Site do Deputado Federal Ivan Valente - Psol SP.
http://www.ivanvalente.com.br/

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PSOL na luta contra o oligopólio dos meios de comunicação

No dia 5 de outubro, vencem as concessões de algumas das principais emissoras de televisão do país (Globo, RBS, Record, SBT). Este é, portanto, um momento adequado para denunciar a escandalosa concentração da propriedade dos meios de comunicação no país. Historicamente, as concessões de canais de TV, atribuição legal da União, são renovadas automaticamente, sem qualquer debate com a sociedade, ou análise do serviço cumprido por estas emissoras.

Os grandes grupos econômicos em que se converteram esses privilegiados concessionários de um bem público (os canais ou freqüências de transmissão) rechaçam qualquer possibilidade de debate com participação popular sobre as concessões e mais ainda uma discussão sobre seus deveres como concessionários. Embora a Constituição proíba o oligopólio (propriedade nas mãos de poucos) dos meios de comunicação, as mesmas empresas detêm jornais, revistas, rádios e TVs em todo o país. Eles se opõem, com a poderosíssima moeda política do controle da mídia, a qualquer forma de regulamentação da comunicação social.

A cada tentativa de debater as concessões, ou de regulamentar qualquer aspecto do uso dos canais (como no recente episódio da classificação indicativa por horário), os barões da mídia e seus funcionários mais graduados levantam a bandeira da “liberdade de expressão”, tentando identificar normas reguladoras e democratizantes como “censura” e seus defensores como “ditadores”. A falácia do discurso reside justamente em que seu controle oligopólico dos meios de comunicação mais abrangentes e de maior alcance na sociedade é a maior trava à verdadeira liberdade de expressão no Brasil.

Afinal, um punhado de famílias concentra não somente a contabilidade do caixa dessas fábricas de fazer dinheiro que são as TVs como as decisões sobre programação, a linha editorial dos noticiários, o conteúdo cultural (quando têm algum conteúdo). Enquanto isso, 180 milhões de brasileiros, inertes, ficam submetidos a poucas opções de informação e entretenimento. Ao mesmo tempo, as rádios comunitárias —uma forma real de democratização da comunicação — são duramente atacadas pela Anatel e pela Polícia Federal, com o apoio irrestrito das grandes empresas que dominam o setor.

Pilar da dominação
Em seu I Congresso Nacional, realizado em junho, o Partido Socialismo e Liberdade decidiu pela criação de um Setorial de Comunicação e Cultura e aprovou uma resolução que afirma que “a dominação de classes no Brasil tem, no elevado grau de concentração da propriedade dos meios de comunicação, um pilar central. (…) Assim, o PSOL deve se colocar de forma decidida na trincheira da luta pela democratização dos meios de comunicação”.

Recentemente, nossa companheira Luciana Genro, deputada federal pelo Rio Grande do Sul, equivocou-se, ao elogiar, em pronunciamento no Câmara, a RBS, afiliada da Rede Globo no RS e um dos principais oligopólios de comunicação do país. Porém, a companheira fez uma autocrítica, o PSOL-RS emitiu uma nota pública a respeito e Luciana reafirmou seu compromisso com a democratização da comunicação, através de um discurso na Esquina Democrática, em Porto Alegre.

O Setorial de Comunicação e Cultura do PSOL chama a militância do partido como um todo a atuar efetivamente na construção da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, estimulando os movimentos sociais dos quais participamos a se engajarem nesse movimento. Os mandatos populares do PSOL precisam apoiar concretamente esse processo de luta contra o oligopólio midiático e que nossos parlamentares ocupem as tribunas para colocar publicamente que o nosso partido tem lado na luta pela democratização da comunicação. O nosso lado é o da comunicação popular, é o da informação contra-hegemônica, é o dos movimentos sociais e do povo trabalhador e oprimido, vítimas sistemáticas da criminalização e domesticação capitalista operada pela mídia grande.

Para aprofundar essa discussão no partido e estruturar uma intervenção do PSOL mais transformadora no campo de luta pela democratização da comunicação iremos iniciar o processo de organização do 1º Encontro do Setorial de Comunicação e Cultura do Partido Socialismo e Liberdade. Contudo, a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o decreto do Governo Lula (que estabelece o padrão japonês como pilar do sistema de TV Digital e assegura mais benefícios as grandes emissoras) e a decisiva participação dos militantes do PSOL na organização de base do movimento pela democratização da comunicação, já mostram, na prática, o compromisso do partido com essa luta.

No dia 5 de outubro, o Setorial de Comunicação e Cultura do PSOL estará nas ruas de todo o Brasil, junto com o restante da militância do partido, empenhado na luta pela democratização da comunicação. Gritaremos para todos ouvirem que os canais são do povo, e não dos
empresários e que, por isso, exigimos um processo transparente e democrático de concessões de rádio e televisão. E defendemos o direito dos jornais, das Tvs e, em especial, das tão reprimidas rádios comunitárias a existirem, como forma mais legítima e democrática da população, em particular do povo trabalhador, exercer a liberdade de expressão atropelada pelo atual regime de concessões, pelo governo e pelo baronato da mídia.

Setorial de Comunicação e Cultura do PSOL
Outubro de 2007

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Mais apoio à luta na FSA

1) Aziz Ab’Saber – Geografia USP (aposentado)
2) Lincoln Secco - História USP
3) Ricardo Musse - Sociologia USP
4) Cilaine Alves Cunha - Letras USP
5) Fernando Novais - História USP / Unicamp
6) Roberto Schwarz - Letras Unicamp (aposentado)
7) Maria Célia Paoli - Sociologia USP
8) Leda Paulani - Economia USP
9) Maria Arminda do Nascimento Arruda - Sociologia USP
10) Marcos Del Roio - Ciência Política Unesp Marília
11) Paulo Eduardo Arantes - Filosofia USP
12) Marcos Silva - História USP
13) Marineide de Oliveira Gomes – Pedagogia USP Ribeirão Preto
14) Caio Navarro de Toledo – Ciência Política Unicamp
15) Selma Borghi Venco – Sociologia Unicamp
16) Franklin Leopoldo e Silva – Filosofia USP
17) Lighia Brigitta Horodynski-Matsushigue – Física USP
18) Zilda Iokoi – História USP
19) Otília Fiori Arantes – Filosofia USP
20) Mariana Fix – Design Facamp (Faculdades de Campinas)
21) Ivone Dare Rabello – Letras USP (aposentada)
22) Suzana Salem Vasconcelos – Física USP
23) Luiz Eduardo Simões de Souza – Economia Uergs (Universidade Estadual
do Rio Grande do Sul)
24) Paulo Henrique Martinez - História Unesp Assis
25) Luís Fernando Ayerbe - Relações Internacionais Unesp Araraquara
26) Jesus Ranieri - Sociologia Unicamp
27) Heloísa Fernandes - Sociologia USP e Escola Nacional Florestan
Fernandes do MST
28) Amarílio Ferreira – UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
29) Valério Arcary - História CEFET/SP (Centro Federal de Educação
Tecnológica de São Paulo)
30) João Francisco Tidei Lima – Unesp Bauru
31) Lidiane Soares Rodrigues – Doutoranda História USP
32) Alcir Pécora - Letras Unicamp
33) Anita Handfas – Educação UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
34) Margareth Rago - História Unicamp
35) Vera Lucia Vieira - História PUC-SP
36) Arlete Moyses Rodrigues – Geografia Unicamp
37) Antônio Miguel - Educação Unicamp
38) Ronilde Rocha - Consultora em educação e ensino de História e
professora da rede municipal de São Paulo (aposentada)
39) Francisco Foot Hardman - Letras Unicamp
40) Márcio Naves – Sociologia Unicamp
41) Élide Menezes Centofanti – Psicologia UMC (Universidade de Mogi das
Cruzes) aposentada
42) Maria Luiza Jovanovic - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
43) Paulino Cardoso - História Udesc (Universidade do Estado de Santa
Catarina)
44) Claudia Sapag Ricci - História UFMG (Universidade Federal de Minas
Gerais)
45) Olga Brites - História PUC-SP
46) Mário Fernando Bolognesi - Artes Unesp São Paulo
47) Antônio Carlos Mazzeo – Ciência Política Unesp Marília
48) Maria Victória Benevides - Educação USP
49) Adalberto Paranhos – Ciências Sociais UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
50) Edilson Graciolli – Ciências Sociais UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
51) Fernando Antonio Lourenço - Sociologia Unicamp
52) Agnaldo dos Santos – Administração Uninove (Centro Universitário Nove
de Julho)
53) Glória Anunciação Alves – Geografia USP
54) Elvio Rodrigues Martins – Geografia USP
55) Regina Helena Alves da Silva - História UFMG (Universidade Federal de
Minas Gerais)
56) João Bernardo – professor e escritor
57) Valeria de Marcos - Geografia USP
58) Pedro Arantes - Design Facamp (Faculdades de Campinas)
59) Rafael Marquese - História USP
60) Ana Fani Alessandri Carlos - Geografia USP
61) Déa Ribeiro Fenelon - História PUC-SP e Unicamp (aposentada)
62) Brás Ciro Gallota - História PUC-SP
63) Francisco Alambert - História USP
64) Vera Lúcia Santiago Araújo - Letras UECE (Universidade Estadual do Ceará)
65) Silvia Hunold Lara - História Unicamp
66) Sidney Chalhoub - História Unicamp
67) Letícia Vidor de Souza Reis - História Unimep (Universidade Metodista
de Piracicaba)
68) Ivone Cordeiro Barbosa - História UFC (Universidade Federal do Ceará)
69) Manoela da Silva Pedroza - Doutoranda Unicamp
70) Joviniano Borges da Cunha - Universidade Anhembi-Morumbi
71) Bernardo Boris Vargaftig – Ciências Biomédicas – USP
72) Heloisa de Faria Cruz - História PUC-SP
73) Claudia Poncioni - Université Paris X - França
74) Jean-Yves Mérian - Université Rennes2- Haute Bretagne - França
75) Roberto Romano - Filosofia Unicamp
76) Luiz Roberto Alves – Jornalismo Umesp (Universidade Metodista de São
Paulo) e USP
77) Marcos Arruda – professor visitante universidades do exterior
78) Cid Benjamin – Comunicação Social Facha (Faculdade Hélio
Alonso)
79) Laura Antunes Maciel - História UFF (Universidade Federal
Fluminense)
80) Maria Antonieta Antonacci - História PUC-SP
81) Paulo Roberto de Almeida - História UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
82) Bento Itamar Borges - Filosofia UFU (Universidade Federal de Uberlândia)
83) Rejane Meireles Amaral Rodrigues - História UNIMONTES/MG
84) Osvaldo Coggiola – História USP
85) Inessa Laura Salomão - Engenharia de Produção - CEFET/RJ (Centro
Federal de Educação Tecnológica)
86) Helena Hirata - Sociologia CNRS (Centre National de la Recherche
Scientifique) – França
87) Normando Rodrigues - Direito UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro)
88) Ana Maria Silva - Turismo Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André)
89) Luiz Carlos Pereira - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
90) Fábia C. Alegrance - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
91) Luciana Vieira de Melo Kuk - Fisioterapia Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
92) Margareth Anderáos - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
93) Nicolino Bello Júnior - Educação Fisica Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
94) Sérgio Garcia Stella - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
95) Ricardo Zanuto Pereira - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
96) Rosemarie C. Sanches - Turismo Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
97) Vinicius J. B. Martins - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
98) Sueo Hirota - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
99) William S. Freitas - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
100) Marcelo Reina Siliano - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
101) Edvar Boechat Soares - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
102) Isilda M. R. Cavicchioli - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
103) Maria Teresa B. Martins - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
104) Maria Eliza M. Bernardes - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
105) Rosana Delfini - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
106) Evando Carlos Moreira - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
107) Fabiano João - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
108) Sandra Maria Tedeschi - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
109) Albertina O. C. Misko - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
110) Gilberto de Andrade Martins – Contabilidade USP
111) José Artur Gianotti – Filosofia USP (aposentado) e pesquisador do
Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)
112) Heloisa Martins - Sociologia USP (aposentada)
113) Angelina Peralva - Sociologia Universidade de Toulouse II -
França
114) João Zanetic – Física USP e ex-presidente da Adusp (Associação dos
Docentes da USP)
115) Nadia W. Hanania Vianna - Administração USP (aposentada)
116) Francisco Luiz C. Lopreato – Economia Unicamp
117) Denis Maracci Gimenez – Economia Unicamp
118) Wilson Cano – Economia Unicamp
119) Gabriel de Santis Feltran - Doutorando Unicamp
120) Otaviano Helene – Física USP e presidente da Adusp (Associação dos
Docentes da USP)
121) Daciberg Lima Gonçalves – Matemática USP
122) Lucília Daruiz Borsari - Matemática USP
123) José Dari Krein – Economia Unicamp
124) Antonio Lázaro Sant´Ana - Unesp Ilha Solteira
125) Elmir de Almeida – Pedagogia USP Ribeirão Preto
126) Geraldo Leão - Educação UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
127) Américo Scotti - Engenharia Mecânica UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
128) Estefânia Knotz C. Fraga - História PUC-SP
129) Luiz Henrique dos Santos Blume - História UESC (Universidade Estadual
de Santa Cruz - BA)
130) Alexandre Fortes - História / Economia UFRRJ (Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro)
131) Fernando Teixeira da Silva - História Unicamp
132) Raimundo Donato do Prado Ribeiro – coordenador de História Unimep
(Universidade Metodista de Piracicaba)
133) Ciro Teixeira Correia – Geologia USP
134) Marco A. Brinati – Engenharia Naval USP e ex-vice-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
135) Cláudia Pereira Vianna – Educação USP
136) Maria da Graça Setton – Educação USP
137) Elie Ghanem – Educação USP
138) Rosângela G. Prieto – Educação USP
139) César Augusto Minto - Educação USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
140) Américo Sansigolo Kerr – Física USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
141) Paulo Luiz Miadaira - Faculdade São Luís e Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo
142) Daniel Revah - Pedagogia Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
143) Manoela da Silva Pedroza - Doutoranda Unicamp
144) Henrique Soares Carneiro – História USP
145) Sérgio Paulo Amaral Souto - Zootecnia USP
146) Marcus Aloízio Martinez de Aguiar - Física Unicamp
147) Artionka Capiberibe - Doutoranda UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro)
148) Lucimara Batista Freire - Faculdade Anchieta - São Bernardo do Campo
149) Théo Lobarinhas Piñeiro - História UFF (Universidade Federal Fluminense)
150) Alexsander Lemos de Almeida Gebara - História UFF (Universidade
Federal Fluminense)
151) Theresa Beatriz Figueiredo Santos - Diretora da Faculdade de Ciências
Humanas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba)
152) Daniel Aarão Reis - História UFF (Universidade Federal Fluminense)
153) Antonio Paulo Rezende - História - UFPE (Universidade Federal de
Pernambuco)
154) Marcos Nascimento Magalhães – Matemática USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
155) Maria Clara Di Pierro – Educação USP
156) Moacir Gadotti – Educação USP
157) Lisete R. G. Arelaro – Educação USP
158) Afrânio Mendes Catani – Educação USP
159) Lúcia E. Barreto Bruno – Educação USP
160) Doris Accioly e Silva – Educação USP
161) Roberto da Silva – Educação USP
162) Rubens Barbosa de Camargo – Educação USP
163) Vânia Noeli Ferreira de Assunção - História Cogeae PUC-SP
164) Antonio Ozaí da Silva – Ciências Sociais UEM (Universidade Estadual
de Maringá)
165) Joana Aparecida Coutinho - Ciência Política - UFMA (Universidade
Federal do Maranhão)
166) Antônio José Lopes Alves – Filosofia Colégio Técnico da UFMG
(Universidade Federal de Minas Gerais)
167) Sabina Maura Silva – Filosofia Fundação Helena Antipoff – Minas Gerais
168) Maria Helena da Silva – Diretora EE Carlos Drummond de Andrade
169) Conceição Gonçalves de Toledo - vice-diretora EE Carlos Drummond de
Andrade
170) Francisco Josino da Silva - EE Carlos Drummond de Andrade
171) Roni Cleber Dias de Menezes - Educação USP
172) Everton Capri Freire – ex-professor de Jornalismo Fiam (Faculdades
Integradas Alcântara Machado)
173) Ronaldo Fabiano dos Santos Gaspar - Pedagogia Unicastelo e FAD
(Faculdade Diadema)
174) Luís Roberto de Paula – antropólogo e ex-professor da Fundação Santo
André
175) Alvaro Bianchi - Ciência Política Unicamp
176) Celia Maria Benedicto Giglio – Pedagogia Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo)
177) Marcos Antonio de Moraes – Letras USP
178) Marcos Pereira Rufino - Antropologia Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
179) Luiz Antonio Zimermann do Nascimento – São Paulo
180) Luís Esteban Dominguez – Semiótica Cogeae PUC-SP
181) Regina Maria de Souza - Educação Unicamp
182) Luci Banks Leite - Educação Unicamp
183) Pedro Tórtima – Direito UCAM (Universidade Candido Mendes) Rio de
Janeiro
184) Miguel Wady Chaia - Ciência Política PUC-SP
185) Tânia Elias Magno da Silva – Sociologia UFS (Universidade Federal de
Sergipe)
186) Henri de Carvalho - História - Unimesp (Centro Universitário
Metropolitano de São Paulo)
187) Valéria Alves Esteves Lima - História Unimep (Universidade Metodista
de Piracicaba)
188) Antonio Miguel - Educação Unicamp
189) Karen Macknow Lisboa - História Unifesp (Universidade federal de São
Paulo)
190) Maria de Fátima Carvalho - Pedagogia Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
191) Regina Cândida Ellero Gualtieri – Pedagogia Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo)
192) Mônica Marques Pimenta de Andrade – Psiquiatria UFU (Universidade
Federal de Uberlândia) – aposentada
193) Carlos Eduardo Albuquerque Miranda – Educação
194) Carmen Roselaine de Oliveira Farias - Educação UFSCar (Universidade
Federal de São Carlos)

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Bandeirantes e Globo também têm concessões irregulares em SP

Da redação do Observatório do Direito à Comunicação - Rádio e TV
02.10.2007

Não é só a Record que faz um uso ilegal das concessões de rádio e TV em São Paulo [clique aqui para ler matéria]. As Organizações Globo, o Grupo Bandeirantes e o Grupo CBS também mantêm no município mais emissoras de rádio e TV do que o permitido por lei, violando um dos únicos mecanismos previstos na legislação brasileira para evitar a concentração dos meios de comunicação.

Como já noticiou este Observatório [veja dossiê publicado], os grupos Bandeirantes e CBS burlam tanto o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/62), que prevê que a mesma pessoa não pode participar da administração ou da gerência de mais de uma concessionária, permissionária ou autorizada do mesmo tipo de serviço de radiodifusão (na mesma localidade), quanto o Decreto 52.795/63, que estabelece que a mesma entidade ou as pessoas que integram o seu quadro societário e diretivo não podem ser contempladas com mais de uma outorga do mesmo tipo de serviço de radiodifusão na mesma localidade.

Em São Paulo, Band e CBS possuem cinco emissoras em FM transmitindo para a capital, chegando a vender publicidade casada para as diversas emissoras. O Grupo Bandeirantes controla a Band FM, a Bandeirantes (que retransmite a programação da AM), a BandNews, a Nativa e a Sul América Trânsito. Já o grupo CBS (Comunicação Brasil Sat), dos irmãos Paulo e José Masci de Abreu, controla a Kiss, a Mundial, a Tupi, a Scalla e a rádio Terra.

Embora não constem no site do grupo, a Apollo, a pentecostal Deus é Amor e a Rádio Atual também são controladas pela família Abreu. As duas primeiras têm Paulo Masci de Abreu entre os sócios e como dirigente. Já a Rádio Atual tem como sócios José Masci de Abreu e mais dois familiares.

As Organizações Globo também mantêm duas emissoras AM em São Paulo, desrespeitando o limite de uma outorga por tipo de serviço por localidade. Além da emissora controlada pelo grupo no dial FM (CBN), a empresa da família Marinho controla, no AM, a CBN e a Rádio Globo. Tanto no AM quanto no FM a CBN ocupa as frequências destinadas à Rádio Excelsior, cujas outorgas estão vencidas desde 2003.

Televisão

Na televisão aberta, o Grupo Bandeirantes controla a Rede Bandeirantes, em VHF, e a Play TV (antigo Canal 21), em UHF, cujo conteúdo é produzido pela empresa Gamecorp. Os sistemas da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações indicam que as empresas têm proprietários diferentes, mas todos pertencentes à família Saad. Os mesmos sistemas apontam o mesmo endereço, no bairro do Morumbi, como sede das duas empresas. Além disso, tanto o website quanto o departamento comercial da Bandeirantes apresentam ambas as emissoras como pertencentes ao grupo. A Rede 21 Comunicações, razão social da Play TV, também está com a concessão vencida desde 2003.

A duplicidade de outorga do mesmo serviço da Band guarda pequena diferença em relação à Record/Record News. Enquanto a Record News tem outorga original em Araraquara, interior de São Paulo (apesar de sua programação ser gerada na capital paulista), tanto a Band quanto a Play TV têm outorga de geradora em São Paulo.

O procurador da República de Minas Gerais e membro do grupo de comunicação social do Ministério Público Federal, Fernando Martins, afirma que as irregularidades serão avaliadas pelo MPF e, uma vez comprovadas, serão tomadas as medidas cabíveis, sendo possível até ingressar com uma Ação Civil Pública para cassar as concessões. “Precisamos garantir que o direito à comunicação e os princípios constitucionais sejam preservados, mas ainda vamos estudar melhor a questão”, disse o procurador.

Outro lado

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Globo afirma que a CBN AM e a Rádio Globo AM de São Paulo pertencem a diferentes titulares. Segundo a empresa, o Ministério das Comunicações autorizou a Radio Excelsior AM a usar a denominação fantasia CBN.

Responsável pela fiscalização das emissoras, o Ministério das Comunicações não se manifestou. Procurado pela redação, o Grupo Bandeirantes não se pronunciou.

Intervozes

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PSDB, uma farsa de origem

Fundado em 25 de junho de 1988, o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) é um equívoco no próprio nome. Um lance de oportunismo travestido de roupagem ética e veleidades de modernização política.

Gilson Caroni Filho

De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
(Elogio da dialética- Bertold Brecht)

A dúvida como método sempre foi o melhor caminho. Nestes tempos em que a análise política se divorciou dos seus conceitos clássicos, a leitura de proeminentes pensadores dos anos 60/70 pode ser de grande valia para quem quer entender a conjuntura atual. Definir o perfil ideológico dos principais atores e as clivagens político-partidárias que nos desorientam é tarefa detetivesca, tal a fluidez de conceitos, categorias e discursos. Requer da literatura política recente um pouco mais de profundidade analítica. Algo que vai na contramão da afoiteza de marcar presença nas páginas da imprensa. Nessa batida, se perde o tucanato como excelente estudo de caso.

Fundado em 25 de junho de 1988, o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) é um equívoco no próprio nome. Um lance de oportunismo travestido de roupagem ética e veleidades de modernização política. Uma agremiação de origem parlamentar que, desde o início, apostou na arbitragem suprema do mercado guarda alguma relação com suas supostas congêneres européias? A resposta parece negativa independentemente da angulação que escolhamos. Um partido de quadros de classe média e sem base operária que se autodenomina social-democrata é uma idéia fora do lugar. Nada mais que isso.

No plano econômico, os filhos do cisma entre socialistas e comunistas europeus praticavam um modelo no qual, embora a acumulação fosse realizada pela iniciativa privada, em sociedade ou não com empresas públicas, uma tributação progressiva gravava parte da mais-valia acumulada, direcionando-a para setores pouco rentáveis ao grande capital: educação, saúde pública, transportes, saneamento e previdência. Alguma semelhança com os oito anos de governo FHC e a primazia dada ao avanço puro do capital rentista? Alguma relação com a adoção do receituário que previa a desregulamentação da economia e privatização criminosa do patrimônio público?

No campo das políticas públicas havia, na social-democracia alemã, forte presença de subsídio aos desempregados, apoio ao trabalhador aposentado e o freio institucional ao livre fluxo do capital. Por ameaçar a coesão social com sérios riscos de anomia, a lógica do lucro era submetida a uma triagem prevista na institucionalidade do regime político. Até aqui, alguma semelhança com o modelo brasileiro adotado no final do século passado?

Aqueles que, em Bad-Godesberg (1959), romperam em definitivo com o marxismo assinariam um modelo que, segundo o Mapa da Fome, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, em 2001, levava à indigência 29% da população? Coonestariam a regressividade tributária que onerava mais pessoas físicas que grandes corporações e bancos? Com seu apreço a Keynes, levariam oito anos para dar ao trabalhador um rendimento médio de R$ 350, enquanto decuplicam os lucros do setor financeiro? A versão tupiniquim teve ,nesses indicadores, as premissas para o êxito de sua estabilidade macroeconômica. Bernstein se revira no túmulo. De tanto rir.

Mas não paremos por aqui. Segundo Wanderley Guilherme dos Santos, conceituado cientista político, “não há social-democracia sem a afirmação de um parlamento forte, soberano, capaz de efetivamente legislar” (A proposta social democrata, org. Hélio Jaguaribe, José Olympio, Rio, 1989). Nesse ponto podemos trabalhar com a memória dos tempos tucanos: sai fortalecida a instância representativa que vê o destino de emendas orçamentárias ser decidido pelas conveniências da aprovação de uma emenda constitucional de interesse do Executivo? E o abuso de medidas provisórias? E a inexistência de relações estreitas entre movimento social e representação partidária? Algum leitor pode, a essa altura, indagar: mas muitos dessas práticas não continuam? Aos puristas, respondo com outra pergunta? Nosso conhecido patrimonialimo foi amplificado com o pragmatismo utilitário-eleitoral da turma de FHC? Como se daria a ruptura abrupta com tais práticas? Com bonapartismo ou súbita conversão ética das oligarquias? Como as duas alternativas são impossíveis, não nos entreguemos a exercícios de hipocrisia política.

Francisco Weffort, o dirigente partidário que, por uma prebenda, dormiu petista e acordou tucano, na mesma publicação se pronunciava sobre o tema: “Quando se fala de social-democracia fala-se de um padrão histórico determinado de organização político-partidária e de regime político, numa certa época, num determinado período histórico na Europa (…) em que os partidos social-democratas chegaram ao poder apoiado em organizações sindicais de trabalhadores”. Alguém reconhece aqui o PSDB ou mesmo a realidade em que ele surge? Em suma, a social-democracia no Brasil guardaria a mesma licenciosidade que o liberalismo. São idéias fora do lugar.

Ora, como definir então a criação de FHC? Chamá-la social-democrata como quer o colunismo chapa-branca de plantão é prova de desconhecimento histórico. A “direita da esquerda” alemã do século passado não guarda qualquer relação com a esquerda da direita do governo que, por oito anos, apresentou a lógica da banca investida do poder de verdade. Há quem possa afirmar que a social-democracia contemporânea reza a mesma cartilha do tucanato. Matou o welfare state e foi ao cinema com o neoliberalismo. Tudo bem. Tal constatação só reforçaria que a tentativa de clonagem foi exitosa, mas o clone brasileiro, tal como a ovelha Dolly, já nasceu envelhecido.

Chegou a hora de a esquerda decidir o que quer ser. Ou defende as conquistas dos últimos anos e buscamos, na medida do possível, avançar. Ou, tal como o PPS, escolhe o símbolo que melhor define sua trajetória recente: a de palhaço da burguesia. As gargalhadas são garantidas.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.

Carta Maior
http://www.agenciacartamaior.com.br/

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Genes justos

Estudo indica que o senso de justiça de uma pessoa está enraizado, pelo menos em parte, em seu DNA

Se você tem o senso de justiça de seus pais, pode não ser influência deles, mas do DNA que eles passaram para você, de acordo com um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences nos Estados Unidos.

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), da Escola de Economia de Estocolmo, Suécia, e do Instituto Karolinska (também em Estocolmo) descobriram essa confluência de natureza e criação dos pais ao reunir 324 pares de gêmeos idênticos, que compartilham a mesma composição genética, e gêmeos fraternos – com composições genéticas diferentes –, em um exercício conhecido como “jogo do ultimato”. Cada partida contava com dois participantes; um deveria fazer uma proposta e o outro, responder a ela. O “proponente” recebia uma soma em dinheiro (nesse experimento, cerca de US$15) para dividir da forma que escolhesse com o “respondedor”, que por sua vez poderia aceitar ou recusar a oferta. Se o respondedor rejeitasse o negócio, então nenhum dos participantes recebia uma parte do dinheiro. O senso comum diria que o respondedor aceitaria qualquer valor maior que zero, mas pesquisas anteriores mostram que os respondedores geralmente rejeitam ofertas consideradas insultantemente baixas para punir o outro participante.

Os pesquisadores determinaram que a média mínima que o grupo como um todo aceitaria era de cinco dólares, ou um terço do total. Então, testaram o limite de cada pessoa em pares de gêmeos idênticos e fraternos, e descobriram que o comportamento de um gêmeo idêntico poderia ajudar a prever a reação de seu irmão ou irmã, mas o mesmo não acontecia entre gêmeos fraternos. Para os cientistas, os resultados indicam que pelo menos 40% da variação na eqüidade constatada podem ser de origem genética.

“Se você é um gêmeo fraterno, o comportamento de seu irmão ou irmã não ajuda a prever seu comportamento de maneira alguma,” explica o co-autor do estudo David Cesarini, doutorando em economia no M.I.T., “Os resultados nos levam a especular que estratégias e comportamentos econômicos estariam sob uma influência genética considerável”.

Ernst Fehr, professor de economia na Universidade de Zurique, Suíça, afirma que esse estudo é o primeiro a revelar a hereditariedade da punição altruísta e ressalta que a pesquisa poderia servir para “acelerar os esforços para encontrar genes concretos e os mecanismos em que eles estão envolvidos no código para comportamentos altruístas”.

Cesarini diz que agora a equipe de pesquisa está investigando possíveis influências genéticas em comportamentos como a cooperação e preferências de risco.

Scientific American Brasil
http://www2.uol.com.br/sciam/

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Leste Europeu revive velhos inimigos e temores

Judy Dempsey
Em Berlim

Em grande parte do Leste Europeu está surgindo um novo tipo de conservadorismo, enquanto partidos da Polônia, no norte, à Bulgária, no sul, usam slogans populistas e nacionalistas para conquistar votos.

O primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski, da Polônia, cujo Partido Lei e Justiça está fazendo uma firme campanha para se reeleger no final deste mês, quer um expurgo da administração pública, acusando os comunistas e intelectuais de esquerda de encobrir a corrupção. Ele critica a União Européia por não proteger os valores familiares tradicionais e teme o renascimento de uma Alemanha revanchista que minaria a independência da Polônia.

Na Hungria, Viktor Orban, líder do partido conservador de oposição Fidesz, corteja a extrema-direita enquanto se recusa a distanciar-se de um novo grupo de extrema-direita que remonta aos anos fascistas da década de 1930. Na Eslováquia, a coalizão de Robert Fico, liderada pelos socialistas, depende dos nacionalistas de Jan Slota para continuar no poder. Na Bulgária os nacionalistas radicais estão em ascensão e os partidos da corrente dominante os estão aceitando, em vez de marginalizá-los.

Esse novo conservadorismo no Leste Europeu, pouco depois de a maioria da região ter aderido à União Européia em 2004, está se disseminando, ao mesmo tempo em que os partidos conservadores na Europa Ocidental se aproximam do centro.

A União por um Movimento Popular, de centro-direita, na França, liderada pelo presidente Nicolas Sarkozy, e o Partido Conservador, na oposição na Grã-Bretanha, liderado por David Cameron, tentam atrair uma geração mais jovem apelando para a modernidade, a tolerância e a globalização. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel, desejosa de atrair os jovens, especialmente as mulheres educadas, se esforça para modernizar seu partido, a União Democrata Cristã, tornando-o mais aberto para aceitar creches e enfrentar a mudança climática. Enquanto estes e outros partidos conservadores da Europa Ocidental continuam tendo muitos apoiadores que são céticos sobre a imigração e os direitos das minorias, eles não se esquivam mais dos desafios da globalização.

Os conservadores do Leste Europeu, porém, não estão apenas atrasados em relação a seus colegas da Europa Ocidental. Eles têm uma agenda totalmente diferente. “O que os novos autoproclamados revolucionários da Europa Central temem são os excessos da cultura pós-moderna e o colapso dos valores tradicionais”, disse Ivan Krastev, diretor do Centro para Estratégias Liberais em Sófia. “Eles são nostálgicos e não utópicos, defensivos e não visionários”, ele acrescentou.

O governo Kaczynski em Varsóvia apóia um papel maior da Igreja Católica para proteger a Polônia da invasão secularista da Europa Ocidental e da globalização do consumo, da mobilidade social e de novos valores.

“Os seguidores de Kaczynski incluem aqueles que saíram perdendo no processo de transformação”, disse Grzegorz Gromadzki, um cientista político do centro de pesquisas Stefan Batory em Varsóvia. “Kaczynski sabe que se apoiar a modernização de uma sociedade mais aberta ele perderá o apoio da ala tradicional da Igreja Católica e da população rural.”

Isso revela a diferença fundamental entre os partidos conservadores do Leste Europeu e seus homólogos no Ocidente. “É uma recusa a aceitar a modernização”, disse Gromadzki.

Esse medo da modernização e o refúgio nos valores nacionalistas ou tradicionais se acelerou depois de 2004, quando a maioria do Leste Europeu entrou para a União Européia. Até então, a transformação econômica e política da região foi liderada por pequenas elites que tiveram grande sucesso nos dois objetivos estratégicos mais importantes desde o colapso do comunismo: entrar para a Otan, a aliança militar ocidental, e para a UE.

Mas a maneira como as elites assumiram o comando minou as frágeis instituições democráticas que surgiram depois de 50 anos de repressão. “O paradoxo é que a ascensão do populismo é resultado não tanto do fracasso, mas dos sucessos do liberalismo pós-comunista”, disse Krastev. “Ao apresentar suas políticas não tanto como boas, mas como necessárias, não como desejáveis mas como racionais, as elites liberais não deixaram para a sociedade uma maneira aceitável de protestar ou expressar sua insatisfação.” Em suma, o período de transição foi marcado por um controle excessivo da elite sobre os processos políticos.

A UE não deu atenção a esse déficit democrático, enquanto os comissários em Bruxelas se concentravam quase exclusivamente na medida em que esses países cumpriam as 80 mil páginas de leis e regulamentos da União. “Tivemos de mostrar que éramos alunos exemplares”, disse Gromadzki. “Não podíamos dizer o que queríamos. Se tivéssemos feito isso, não teríamos sido aceitos. Agora existe uma sensação entre os políticos de que eles podem dizer o que quiserem. Eles revivem velhos temores e velhos inimigos.”

Esses anos de transformação e o enfoque para a adesão à Otan e à UE também mostraram como era difícil criar partidos políticos fortes. “Durante quase 50 anos a vida política havia ficado em suspenso”, disse Peter Balazs, professor de ciência política na Universidade Central Européia em Budapeste. “O nascimento de novos partidos políticos não teve tanto sucesso.”

Tendo rompido seu silêncio depois de entrar para a UE, os líderes dos partidos conservadores da região se encontraram num dilema. Os Kaczynskis, Orbans ou Slotas às vezes falam com nostalgia do passado, especialmente dos anos entre 1918 e 1939. Este é muitas vezes seu período de referência, porque a vida política parou em 1939 quando a guerra irrompeu e foi proibida em 1945 quando os comunistas tomaram o poder.

Mas a nostalgia tem limites. Os partidos de direita dos anos 30 ficaram desacreditados por causa de sua associação com os nazistas. “Os partidos estão perdidos se tentarem recriar os séculos 19 ou 20″, disse Balazs. Jiri Schneider, diretor do Instituto de Estudos de Segurança em Praga, disse que os partidos conservadores falharam ao decidir o que eles querem manter ou, de fato, o que querem se tornar. “Qual é realmente seu ponto de referência? Eles não podem alegar que são herdeiros desses partidos conservadores originais por causa de seu passado ignominioso. No entanto, não estão preparados para evoluir em partidos políticos conservadores modernos, em que o populismo ficará fora da agenda econômica e social”, disse Schneider.

Com o tempo, poderá surgir no Leste Europeu uma classe média mais jovem que crie partidos conservadores capazes de combinar identidade nacional com uma sociedade e economia abertas. “A região precisa de uma classe média forte para criar partidos políticos estáveis”, disse Gromadzki. “A transição ainda não terminou.”

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

International Herald Tribune

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No Paquistão, a revolta das becas pretas

Frédéric Bobin
Enviado especial

Ahmad Awaiz é um homem fino. Com o seu bigode esbranquiçado cuidadosamente alisado, seu terno e sua gravata escuros, que contrastam com a sua camisa imaculada, ele percorre a passos largos, num andar seguro de patrício, as alamedas da Alta Corte de Lahore. Dotado de arcadas, este edifício de estilo vitoriano, construído pelos britânicos nos tempos coloniais, é um refúgio que inspira tranqüilidade, protegido da algazarra pegajosa da cidade. O lugar convém perfeitamente a Ahmad Awaiz. Aqui, ele comparece regularmente para defender a causa dos seus clientes, que, na maioria dos casos, são dirigentes de empresa. Aos 60 anos, Ahmad Awaiz é um advogado reconhecido, endinheirado, realizado.

E não é que, brutalmente, o notável se transfere para um outro mundo. Mal ele entreabriu uma porta, aquela que dá acesso para o escritório da associação dos advogados da Alta Corte, e as arengas começam a ressoar. Ali, o ambiente é febril. Numa sala onde domina o retrato de Ali Jinnah, o fundador do Paquistão, a pequena assembléia comenta, interpela, indigna-se. Neste recinto, cerca de quinze homens inebriam-se com palavras fortes, e os seus semblantes sugerem que eles estão encenando participar de uma conspiração. As expressões contundentes vibram, como se todas elas fossem conclamações para o levante: “greve”, “manifestação”, “luta contra a ditadura”. Os telefones celulares ressoam, enquanto alguns deles lêem em voz alta comunicados à imprensa. A cacofonia é total.

Esta é uma cena ordinária na vida da Alta Corte de Lahore, a capital da província paquistanesa do Pendjab. É aqui que bate o coração do movimento democrático que se levantou contra o chefe do Estado, o general Pervez Musharraf, cuja candidatura controvertida à sua própria sucessão vem mergulhando o país na crise, às vésperas do pleito presidencial de 6 de outubro. Com a gravata desarrumada e erguendo a Constituição para o alto, os membros do “movimento dos advogados” orquestraram, ao longo dos últimos meses, a mais vigorosa campanha de contestação que o general Musharraf já teve de enfrentar desde o golpe de Estado que o conduziu ao poder, em 1999, encerrando o parêntese de uma década de poder civil no Paquistão. Eles são os novos heróis do dia. Eles fazem assoprar um vento revigorante sobre uma cena política que até então havia sido confiscada pelos generais, pelas grandes famílias proprietárias de terras, os políticos corruptos e, mais recentemente, os islâmicos radicais.

Neste Paquistão que tem sido dirigido pelos militares desde a sua fundação, em 1947, seja diretamente por um general putschista (Ayoub Khan, Zia-ul-Haq, Pervez Musharraf), seja indiretamente, por intermédio de um poder civil “teleguiado” (Benazir Bhutto, Nawaz Sharif), a revolta dos advogados marca uma reviravolta: o despertar político de um setor ativista da classe média, que está decidido a acabar de uma vez por todas com a onipotência do exército.

“Este é um movimento revolucionário”, diz Ahmad Awaiz. O elegante advogado fala como quem conhece profundamente a questão. No decorrer da primavera inteira, ele esteve na linha de frente das grandes manifestações de apoio ao juiz Iftikar Chaudhry, o presidente da Corte Suprema, o homem por intermédio de quem o escândalo chegou. O caso veio à tona em 9 de março, quando o general Musharraf, exasperado pela indocilidade do alto magistrado, que procurava enfrentá-lo a respeito de privatizações concedidas como favores a amigos ou de desaparecimentos de militantes islâmicos em nome da “luta antiterrorista”, o demitiu brutalmente.

No espaço de poucos dias, o mundo da justiça entrou em ebulição. Em Lahore, a polícia avançou em massa contra os advogados irados, dentro do próprio perímetro da Alta Corte. Tal afronta nunca havia acontecido no coração de tão augusto recinto! Para esses advogados radicalizados, a demissão do juiz Chaudhry é uma humilhação que jamais deveria ter sido infligida a um corpo judiciário cuja subjugação ao regime militar alcançou os limites do suportável. “Os homens de lei neste país são tratados assim como animais”, assegura Ahmad Awaiz.

Foi assim que surgiu este famoso “movimento dos advogados”. Este pôde contar com uma poderosa rede organizada. Só na cidade de Lahore, a associação dos advogados contou 12.000 membros ativos. O juiz Chaudhry tornou-se então o seu ícone, o porta-bandeira do seu combate em prol do Estado de direito e em defesa da independência da justiça. Um pouco inebriado pelo seu status de mártir, o alto magistrado participou então com muito gosto da campanha de resistência que outros preparam para ele. Ele multiplicou as turnês pelo país afora, visando a denunciar o autoritarismo do general Musharraf. Os seus deslocamentos, transmitidos ao vivo pelas redes de canais privados, provocaram o entusiasmo das multidões. A população aclamou aquele que soube dizer não aos generais.

A sociedade civil como um todo parecia acordar repentinamente do seu torpor habitual. Por todo lugar, os advogados participaram da promoção do novo ídolo do povo. No Pendjab, foi o próprio Ahmad Awaiz que dirigiu o jipe sobre o qual estava empoleirado o juiz Chaudhry. “Entre Lahore e Multan, as pessoas reunidas à beira da estrada nos aplaudiam, arremessavam flores”, recorda-se Ahmad Awaiz. “Nós demoramos doze horas para completar um trajeto que normalmente leva menos de três horas”.

O combate acabou dando resultados: a Corte Suprema decidiu, em 20 de julho, de reintegrar o juiz Chaudhry nas suas funções de presidente. A afronta é dura de engolir para o general Musharraf, mas o “movimento dos advogados” não quer parar por aí, num caminho tão promissor. Ele ingressou então numa fase nova, mais política, reclamando a saída dos militares do poder e o restabelecimento de uma autêntica democracia. “Se o Paquistão quiser sobreviver”, adverte Ahmad Awaiz, “o exército precisa se retirar da vida política”.

Mas, qual é ao certo a motivação desses advogados? Por que esta determinação, este interesse redobrado pelo ativismo? Azam Nazeer Tarar resume as motivações dos seus colegas numa palavra: “o dever”. Com a sua cabeleira generosa, e seus quarenta anos valorizados pelo seu semblante esportivo - ele freqüenta a sala de musculação de um hotel de Lahore -, Azam Nazeer Tarar se diz investido de uma missão: salvar a sua profissão. Oriundo da burguesia local e formado em direito na universidade de Edimburgo (Reino Unido), ele havia iniciado a sua carreira de advogado criminalista imbuído de uma infinita sabedoria. Ele precisava em primeiro lugar formar e consolidar uma clientela. Após dez anos de um rude trabalho, o seu escritório tornou-se próspero, estimulado pela expansão da criminalidade em Lahore, e ele passou a ser tomado por graves dúvidas em relação à sociedade que o cerca. “Após ter acumulado boa quantidade de dinheiro”, conta, “cheguei à seguinte conclusão: ‘Não existe apenas isso na vida’”. A partir daquele momento, ele passou a refletir sobre o futuro da corporação dos advogados. Ele ficou preocupado com a “deterioração” que ela vinha sofrendo, com a corrupção que corrói uma justiça na qual as sentenças são compradas, com a má qualidade da formação jurídica.

Sobretudo, ele não suporta mais as ingerências permanentes do executivo na justiça cotidiana. E ele se rebela. “Quando nós decidimos nos dedicar a esta profissão, nós assinamos um juramento que nos coloca na obrigação de exigir o respeito do Estado de direito”, lembra Azam Nazeer Tarar. “Nós nos comprometemos a respeitar este compromisso”. O “dever”, em suma. Por sua vez, Tariq Mehmood Khan também deixa transparecer um espírito missionário ao justificar o seu compromisso. Com a diferença que ele é um autêntico missionário, de verdade, um puro. Por si só, a sua extensa barba bastante espessa espelha isso. Nós cruzamos este jovem advogado na Turner Road, uma ruazinha poeirenta que beira a Alta Corte, onde se concentram escritórios de advocacia e lojas que vendem livros jurídicos. Afável, ele nos convida a visitá-lo no seu escritório, situado no terceiro andar de um edifício leproso. Chega a hora da interrupção do jejum do Ramadã e, nesta sala cujas paredes estão repletas de manuais de direito encadernados, a meia-dúzia de associados do escritório, todos trintões como ele, mata a fome em volta de pratos de carneiro com curry.

Tariq Mehmood Khan é um grande tagarela. Ele relata nos menores detalhes a crônica da revolta dos advogados de Lahore, à qual ele aderiu plenamente. Mas o vocabulário que ele gosta de empregar é muito peculiar. “Nós, os advogados, somos soldados”, clama. “Os casos de que nós tratamos e os clientes que nós defendemos são as nossas guerras. E os livros de direito são as nossas balas”. E quando ele fala do direito, Tariq Mehmood Khan tem alguma coisa muito precisa em mente: “Os valores fundamentais são em primeiro lugar religiosos; eles tornam-se então sociais, e depois eles se inscrevem na lei”. Portanto, passamos a entender melhor o sentido das declarações de Tariq Mehmood Khan quando ele acaba admitindo que o seu escritório está vinculado a “um centro islâmico”, onde ele comparece todos os dias junto com os seus colegas para rezar.

A presença de ativistas com o perfil de Tariq Mehmood Khan ilustra claramente a ambigüidade ideológica do “movimento dos advogados”, que, de maneira alguma, poderia ser reduzido a uma confraria de liberais pró-Ocidentais. Os partidários dos partidos religiosos, tal como o Jamaat-e-islami, também exerceram o seu papel neste movimento, seduzidos pelo interesse mostrado pelo juiz Chaudhry nos casos de seqüestros de militantes islâmicos perseguidos, no quadro da luta antiterrorista conduzida sob a pressão americana.

Muito além das suas divergências filosóficas, advogados islâmicos e laicos coabitam por enquanto sem muitos desentendimentos, unidos por uma hostilidade comum ao general Musharraf. Eles compartilham um patriotismo que alveja os Estados Unidos, acusados de manipular os assuntos internos paquistaneses. “Os americanos têm dado mostras de duplicidade. Eles se dizem favoráveis à democracia, mas eles nunca deram o seu apoio à democracia no Paquistão. Muito pelo contrário, eles sempre apoiaram, tanto hoje como ontem, ditadores militares, porque isso atendia aos seus interesses estratégicos na região. É por esta razão que a democracia nunca conseguiu fincar raízes no Paquistão”. O elegante e muito liberal Ahmad Awaiz afirma isso sem rodeios, e com uma tristeza evidente.

Tradução: Jean-Yves de Neufville.

Jornal Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

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Panfletão da direita

Edson Miagusko

A capa de Veja desta semana é dedicada ao Che. Sob o título “Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”, a revista pinta a imagem de um homem com “maníaca necessidade de matar pessoas”, “crença inabalável na violência política”, “um ser desprezível” que buscava incessantemente “a morte gloriosa”. Veja procura fazer o segundo obituário de Che. Mas, o resultado é exemplo de péssimo jornalismo.

As fontes da matéria são “insuspeitas”: um agente da CIA, exilados cubanos em Miami e historiadores anti-castristas. Veja não precisa gostar do regime em Cuba. Porém, uma lição básica do bom jornalismo é colher a opinião do contraditório.

Mesmo o tenente boliviano Mário Teráno, algoz de Che, só comparece pela boca de terceiros. Se o entrevistasse a revista saberia que aquele a quem matou o ajudou depois de morto. A visão do tenente foi salva num hospital doado por Cuba e inaugurado por Evo Morales. E os médicos cubanos receberam carta de agradecimento do filho do militar.

Para praticar o mal jornalismo a justificativa é que “o regime policialesco de Fidel Castro não permite que aqueles que conviveram com Che e permanecem em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha ofic ial.” E que “apesar do rancor que pode apimentar suas lembranças, os exilados cubanos são as vozes de maior credibilidade”. Porém, o que vem depois é uma extensa ladainha anti-comunista. Frases como “politicamente dogmático, aferrado com unhas e dentes à rigidez do marxismo-leninismo em sua vertente mais totalitária”, “assassino cruel e maníaco” adjetivam toda a matéria.

Em busca do “sucesso fracassado” do Che a pergunta: “como o jovem aventureiro que excursionou de motocicleta pelas Américas se tornou um assassino cruel e maníaco?” Por que Ernesto, o fracassado, se transformou num mito?

Para Veja o desprendimento transforma o aventureiro em assassino. A pergunta que fica no ar é por que, q uarenta anos depois, Veja precisa assassinar a memória do Che? A resposta é óbvia. O capitalismo na América Latina se mostrou um retumbante fracasso econômico e um desastre social. Nas últimas décadas o cansaço com o neoliberalismo levou o continente a uma onda mudancista que ainda não deu sinais de terminar. Nunca se foi tão latino-americano. E nunca o Che se sentiu tão em casa. A revista mal esconde a impaciência com o fato de jovens nos cinco continentes continuarem perseguindo ainda os ideais do Che. E conclui com raiva sem entender o enigma: “Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara.”

Que Veja com suas capas grotescas e seu ranço ideológico tenha se convertido num panfletão da direita é notório. Mas, sempre é possível piorar. Com esse tributo ao mal jornalismo Veja se superou.

Edson Miagusko
é professor, doutorando em Sociologia e membro da Executiva Nacional do PSOL.

Site do Deputado Federal Ivan Valente - Psol SP.
http://www.ivanvalente.com.br/

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