Arquivo de 10 de Outubro de 2007

O “poder global”

Do ponto de vista do “poder global”, desordem, crise e guerra não são, por si mesmos, um anuncio do “fim”, são uma parte necessária do movimento de expansão do sistema mundial. Deste mesmo ponto de vista, falar de uma “crise terminal”, com data marcada, de um poder hegemônico é um absurdo teórico e histórico.

José Luís Fiori

“A esperança e a previsão, embora inseparáveis, não são a mesma coisa, e toda previsão sobre o mundo real tem que repousar em algum tipo de inferência sobre o futuro, a partir daquilo que aconteceu no passado, ou seja, a partir da história.”

Eric Hobsbawm, Sobre a História, Companhia das Letras, p:67

Na década de 70, do século XX, discutiu-se muito sobre a “crise da hegemonia americana”. Foi no tempo da derrota dos EUA, no Vietnã, da crise do “padrão dólar”, da subida do preço do petróleo e do fim do crescimento econômico acelerado do pós-guerra. E foi também, no tempo da Revolução Sandinista, da Nicarágua, da revolução islâmica, do Irã, e da invasão soviética, do Afeganistão, consideradas, na época, grandes derrotas da política externa norte-americana. Hoje, quase quarenta anos depois, volta-se a falar com insistência, do declínio do poder mundial dos Estados Unidos.

O historiador inglês, Eric Hobsbawm, afirmou numa entrevista recente, que o “projeto americano está falindo”, e que a “superioridade dos Estados Unidos é um fenômeno temporário” . Quase na mesma linha do economista italiano, Giovanni Arrighi, que defende a tese que a “hegemonia americana” está vivendo uma “crise terminal”, depois do “fracasso do projeto neo-conservador no Iraque”, e depois que “os Estados Unidos deixaram de ser um estado hegemônico que criava ordem, para se tornarem uma força do caos e da desordem” . No caso do sociólogo norte-americano, Immanuel Wallerstein, a previsão é ainda mais radical: o que está em crise e deve acabar até a metade do Século XXI, não é apenas a hegemonia americana, é o próprio “sistema mundial moderno” que se formou a partir da Europa, depois do século XVI . Mas nenhum destes autores consegue definir com precisão o que seja uma “crise terminal”, do poder e da superioridade americana, ou do próprio “sistema mundial moderno”, de que fala Wallerstein.

Por que se trataria de uma “crise terminal”, e não apenas de uma crise cíclica ou passageira? e além disto, mesmo que fosse “terminal”, qual seria a sua duração e o seu desfecho? e o que é mais importante, o que passaria no mundo, durante este período de transição e de espera do “juízo final”?

Na verdade, o ponto fraco de todas estas previsões não está na sua análise da conjuntura internacional, está na teoria em que se apóiam suas projeções de longo prazo: a hipótese de que o “sistema mundial moderno” requer a existencia de “potencias hegemônicas” sucessivas, para manter a sua ordem política e o bom funcionamento da sua economia internacional. Dentro desta teoria das “sucessões hegemônicas”, o “líder” ou “hegemon” aparece na história como uma espécie de “resposta funcional” ao problema da “ingovernabilidade” de um sistema que é anárquico, porque é formado por estados nacionais soberanos. Por isto, em geral, esta teoria destaca as contribuições positivas do hegemon, para o bom funcionamento e para “governaça global” do sistema, sem dar maior atenção à dinâmica contraditória das relações existentes entre o “hegemon” e os demais estados que participam do sistema mundial.

Por isto também, esta teoria funcional e evolucionista da “hegemonia”, não consegue dar conta do movimento contínuo de competição, luta e expansão dos estados e economias nacionais que já conquistaram a condição de “grandes potências”, e fazem parte do “núcleo central” de todo o sistema, mas seguem competindo entre si, mesmo nos períodos que aparentam uma alta “tranqüilidade hegemônica”. Daí sua dificuldade para compreender situações de conflito e de ruptura, e a pressa com que estas análises e previsões, anunciam “crises terminais”, a cada nova turbulência econômica, guerra, ou derrota do “hegemon”, sem considerar a possibilidade que estas crises e guerras possam fazer parte do processo de reprodução e expansão do poder e riqueza do próprio “hegemon”, que não foi eleito para ser representante, nem para cuidar dos interesses gerais da humanidade.

A crítica desta teoria da “hegemonia mundial”, e destas previsões baseadas na hipótese dos “ciclos hegemônicos”, está na origem do conceito e da pesquisa sobre o “poder global” : um modo de olhar e analisar o sistema político mundial e suas relações com a internacionalização capitalista, que privilegia o conflito e as contradições do sistema mais do que suas relações funcionais. Da perspectiva do “poder global”, o sistema mundial é uma “máquina de acumulação de poder e riqueza”, e seu motor é a competição e a guerra, entre seus estados e economias nacionais. Dentro deste “sistema mundial”, não existem países satisfeitos, todos estão sempre se propondo aumentar seu poder e sua riqueza, e neste sentido, todos são expansivos, em particular, as “grandes potências” que já ocupam o topo da hierarquia do poder e da riqueza mundiais.

Por isto, este sistema pode ser comparado com um “universo” em expansão contínua, onde todas as potências que lutam pelo poder global, estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra. E como conseqüência, se pode afirmar com toda certeza que dentro deste universo, ou seja, dentro do “sistema mundial moderno”, nunca houve nem haverá “paz perpétua”, nem hegemonia estável . Pelo contrário, do nosso ponto de vista, o que ordena e “estabiliza” as relações hierárquicas internas do sistema mundial, paradoxalmente, é a existência de “eixos conflitivos crônicos”, junto com a permanente possibilidade de uma nova guerra, entre as grandes potências.

Por isto, do ponto de vista do “poder global”, desordem, crise e guerra não são, por si mesmos, um anuncio do “fim”, são uma parte necessária do movimento de expansão do sistema mundial. E deste mesmo ponto de vista, falar de uma “crise terminal”, com data marcada, de um poder hegemônico, ou do próprio “sistema mundial moderno” é um absurdo teórico e histórico. Até porque, no tempo de espera da “hora final”, o mais provável é que o sistema siga enfrentando e superando crises econômicas, como em toda a história da internacionalização capitalista, e situações de guerra, como em toda a história geopolítica das nações, inaugurada pela Paz de Westfália, em 1648. E, portanto, com relação a este tempo de espera, todas estas previsões “terminais”, são absolutamente inúteis.

Carta Maior
http://www.agenciacartamaior.com.br/

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Melhores do Congresso

Vote nos parlamentares do PSOL

O sítio de notícias “Congresso em Foco” iniciou na última terça-feira (18/9) a votação que definirá os melhores congressistas do país deste ano. Até 18 de novembro o internauta poderá votar. Na primeira etapa votaram 188 jornalistas que cobrem o Congresso Nacional, que selecionaram 25 deputados e 16 senadores. Todos os parlamentares do PSOL – Ivan Valente, Chico Alencar, Luciana Genro e o senador José Nery - ficaram entre os 15 primeiros.

Meus votos são:

Ivan Valente (Deputado Federal Psol SP)
José Nery (Senador Psol PA)

Clique aqui

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Outra economia, além do capital

Espalham-se pelo planeta empreendimentos que organizam produção, comércio e finanças segundo valores e lógicas de solidariedade. Carola Rentjes, uma das referências internacionais desse universo, inaugura, no Le Monde Diplomatique Brasil, uma coluna sobre ele

Carola Reintjes

Por tradição, quando falamos de economia (local e global, micro e macro), militantes, movimentos, pensadores e intelectuais da denominada esquerda [1] têm mantido uma atitude ambígua ante o terreno lamacento que a rodeia, associando-a, per si, com economia globalizada, a cara oculta da democracia, a mão invisível (mas onipotente) do mercado e o capitalismo em suas expressões mais excludentes.

Ante essa associação negativa, os mesmos atores têm preferido, em sua grande maioria, excluir o terreno econômico de sua intervenção cívica e política. Em sua agenda social e política entraram reivindicações dirigidas à economia globalizada-neoliberal-neoconservadora — mas não visões alternativas do mundo econômico. Teremos limitado nossa capacidade criativa de visualizar e construir outro mundo possivel a propostas e alternativas do âmbito social, político e cultural — sem vislumbrar outra economia possível?

Entretando, milhares de pessoas — formiguinhas em todos os cantos no mundo — não somente se atreveram a sonhar com outra economia mas também a estão construindo. Passo a passo, ladrilho por ladrilho. A utopia é o máximo do possível. E esse axioma vale, também, para o mundo da economia, como bem demonstram tais iniciativas de economia alternativa e solidária.

Elas surgem da necessidade de dar resposta à progressiva deterioração social, econômica e cultural que vivem as populações, devido à da crescente desumanização da economia, à degradação do meio-ambiente e da qualidade de vida, à falta de valores éticos, à piora paulatina do nível de cultura e de educação. As conseqüências mais evidentes dessa desumanização da economia são: o aumento da pobreza e as desigualdades sociais, afetando em especial a população vunerável (mulheres, menores, indígenas, etc.), a exclusão social e econômica, o desemprego e o emprego precário. A magnitude dos problemas que impregna nossa realidade cotidiana nos afeta, nos implica, nos põe diante de desafios e nos exige respostas que se desviem de tais carências e injustiças.

A Economia Alternativa e Solidária é uma forma de gerir a economia e a sociedade, e engloba todas as atividades da cadeia produtiva/comercial/financeira, até o consumo. Com seu enfoque global e sua marca ética, contribui para democratizar e socializar a economia e democratizar a sociedade.
Um mundo de novas práticas e princípios

A nova economia consiste em produzir critérios ambientais e sociais, organizar as iniciativas sociais e empresariais, e os que nela trabalham em entes auto-gestionados. Significa produzir, gerir, comercializar e consumir com critérios éticos. Depositar a poupança em sistemas financeiros baseados em solidariedade. Consumir produtos ecológicos ou de comércio justo. Usar dinheiro social ou moeda local. Tecer redes de troca solidária, de desenvolvimento local, ou de serviços da proximidade, educativos ou culturais. Todas essas manifestações contribuem no dia-a-dia — e a partir do setor econômico — para construir outra globalização.

O leque de setores envolvidos é extenso. Um elemento unificador é a busca e realização de atividades econômicas de alto componente social, ambiental e solidário. Diferentes realidades e redes setoriais representam, em todas as regiões do planeta, a face mais conhecida de tal realidade: consumo ético, finanças solidárias, comércio justo de bens e serviços. Agroecologia e agricultura sustentáveis. Meios e redes de comunicação alternativa. Desenvolvimento local, desenvolvimento rural, projetos comunitários no meio urbano. Diálogos interculturais. Sistemas de trocas solidárias e de moeda local e consumo responsável são algumas das tentativas concretas de resposta coletiva e criativa na busca de outra economia possível.

Nos últimos anos, o lema do Fórum Social Mundial tem ganhado notoriedade: Outro mundo é possível. A Economia Alternativa e Solidária contribui na construção desse outro mundo. Não existe a possibilidade de transformação política e social se não há transformação econômica.
Suprir desejos, evitando consumismo

Essa aproximação inovadora visa recuperar as raízes da economia, colocando-a a serviço das necessidades de todas as pessoas. Evita-se, assim, que tais necessidades assumam apenas a forma de demanda de mercadorias, que é estimulada pela propaganda consumista do capital e termina varrendo a rica variação cultural que deveria caracterizar um mundo global. O desafio consiste em repensar, reorientar e reconstruir a economia, para colocá-la a serviço do ser humano e da natureza.

O principal sujeito do desenvolvimento político, socioeconômico e cultural deve ser o próprio povo, pessoa por pessoa. Outro mundo é possível, e outro mundo poderá ser construído, somente se alcançarmos a transformação de valores, estruturas e relações econômicas, das pessoas e comunidade para o mundo. Nosso objetivo final é uma mundialização cooperativa da solidariedade, uma economia (do grego eco-nomia) recriada como a gestão e o cuidado (nomia) da casa (oikos), desde o doméstico, o lar e a comunidade local até o Planeta Terra

Tradução: Gabriela Leite

[1] Na hipótese de que tal ente ideológico-homogêneo exista e, é claro, sem a prestensão de querer definir esta esquerda, ou de julgar se existe a esquerda

Jornal Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

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Alvarez acusa Siraque de formar reduto no Insefusa

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

O sucateamento da Fafil, na visão do ex-vereador Ricardo Alvarez (professor membro do grupo grevista), ex-PT e atual Psol, deve-se ao estilo de gestão do reitor Odair Bermelho.

“As políticas levam em conta as necessidades pessoais do reitor, e não da instituição”, afirma o professor. Por isso, segundo Alvarez, a instituição tem tido cada vez menos procura por novos alunos.

Alvarez acusa o Insefusa de ser um reduto político do deputado estadual Vanderlei Siraque (PT). Diz que o atual coordenador-geral do órgão, Nelso Stepanha, é ex-funcionário de Siraque. Trabalhou com o deputado quando este era vereador em Santo André. “Este órgão não acrescenta em nada à Fundação. Para se manter, deveria buscar receitas”, afirma Alvarez.

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Fundação quer acabar com licenciatura

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

A reitoria da Fundação Santo André quer acabar com os cursos de
licenciatura da universidade. É o que relata um documento de 16 páginas
elaborado pelos professores em greve da Fafil (Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras).

O dossiê detalha episódios de perseguição contra professores e abusos
cometidos por parte do reitor, Odair Bermelho, que resultariam em
prejuízos para os cursos que formam professores: Matemática, Química,
Física, História, Geografia e Letras.

Só neste ano, 15 salas nesses cursos teriam deixado de ser abertas, de
acordo com o grupo em greve.

Todos teriam baixa procura de candidatos e necessitariam de apoio
financeiro dos demais cursos do centro universitário – realidade comum em
outras faculdades.

Entretanto, de acordo com os professores da Fafil, a verba que deveria ser
destinada a esses cursos está sendo desviada para outros fins na Fundação.

Um exemplo disso, conforme o texto, é o Insefusa (Instituto de Políticas
Públicas da Fundação Santo André), órgão criado em 2004 para realizar
estudos sobre segurança pública.

Idealizado para realizar pesquisas, o instituto consumiria recursos da
faculdade sem trazer receita para a instituição. Os professores dizem que,
no ano passado, o instituto consumiu R$ 800 mil. A previsão de gastos para
o ano que vem seria de R$ 350 mil.

GASTOS
Fora o Insefusa, o dossiê dos professores cita gastos da reitoria com
viagens internacionais, jantares de luxo e a manutenção de uma vida de
ostentação de Bermelho com seguranças, cozinheiros e motoristas exclusivos
para o reitor.

Segundo os professores, todo docente que questiona as políticas da
reitoria é demitido. Segundo eles, foram seis casos neste ano.

O texto diz ainda que a criação de cargos de confiança foi o mecanismo
encontrado pelo reitor para perpertuar-se no poder. Odair Bermelho é
reitor desde 2001. Os contratados teriam direito a voto nos colégios
eleitorais da Fundação, garantindo a vitória dele em qualquer decisão.

MP
Diante de tantas acusações, o Ministério Público de Santo André resolveu
investigar todos os atos da Fundação. Em 4 de julho, a Curadoria das
Fundações do Fórum João Mendes teria emitido um TAC (Termo de Ajustamento
de Conduta) após constatar irregularidades nas despesas da entidade (veja
quadro ao lado com alguns itens).

Após quatro dias de pedidos de entrevista com o promotor responsável pelo
TAC, Airton Grazioli, a secretária dele informou que ele não falaria sobre
o assunto até o fim das investigações.

O grupo grevista, entretanto, disponibilizou a cópia do documento em um
blog do movimento. Se o texto realmente for o original, as denúncias dos
professores foram comprovadas pelo MP.

Reitor se nega a falar; cursos não serão extintos, diz nota
Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

A reitoria da Fundação Santo André não quis comentar o dossiê elaborado
pelo grupo de professores da Fafil, mas negou a intenção da faculdade em
fechar qualquer curso.

O assessor de imprensa da faculdade, Fausto Piedade, informou que o reitor
foi orientado pelo promotor Airton Grazioli, da Curadoria de Fundações do
Ministério Público, a não dar qualquer entrevista à imprensa enquanto a
normalidade não se restabelecer na universidade.

Em nota encaminhada ao Diário, a Fundação informou que não há qualquer
procedência nas informações sobre o aumento de mensalidades ou fechamento
de cursos.

“Não há fechamento de cursos e todos serão oferecidos no processo seletivo
para 2008”, informa. Quanto às acusações de irregularidades, a Fundação
destaca que as suas contas estão aprovadas pelo Tribunal de Contas do
Estado e são analisadas e acompanhadas pelo Ministério Público, diz a nota
enviada ontem a tarde à redação.

Diário do Grande ABC
http://home.dgabc.com.br/

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Reitor do ABC é julgado em Tribunal de Júri Popular; Roberto Tardelli será o promotor

O reitor da Fundação Santo André, Odair Bermelho, será julgado nesta quarta-feira, dia 10, por um Tribunal do Júri Popular por ter chamado a Polícia Militar para reprimir uma manifestação de estudantes que protestavam contra o aumento das mensalidades, no ultimo dia 13. Na
oportunidade vários alunos foram feridos. A polícia não poupou nem mesmo um estudante que tem parte do braço direito amputado e o espancou.

O promotor do Tribunal será o Dr. Roberto Tardelli, promotor de Justiça do 1º Tribunal do Júri da Capital. O advogado de defesa, caso o reitor não indique ninguém para defendê-lo, será Dr. Yvan Miguel, coordenador do núcleo Advogados do Povo de São Paulo. O juiz será Dr. Arthur Pinto Filho, promotor criminal da capital e assessor da Escola Superior do Ministério Público. O reitor foi formalmente convidado para se apresentar ao Tribunal.

O julgamento ocorrerá no auditório da Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), também conhecido como Pinicão, às 19h30.

Mais informações: Lúcia Rodrigues (8202-6413)

Endereço da Fundação Santo André: avenida Príncipe de Gales, 821, Bairro Príncipe de Gales – Santo André

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Viver no exílio não é como costumava ser

Simon Romero
Em Caracas, Venezuela

No ano passado, a morte discreta do general Romeo Lucas Garcia no exílio chamou a atenção de poucas pessoas fora da Guatemala, onde ele presidiu durante um período cruel de guerra civil, no qual 37 pessoas foram queimadas até a morte durante um cerco à embaixada da Espanha. A Espanha tentou extraditá-lo em 2005 sob acusações de violação aos direitos humanos, mas nada conseguiu.

Uma morte tranqüila em terra estrangeira, aos 81 anos: tal final para uma vida de brutalidade ou corrupção por muito tempo foi garantido para caudilhos latino-americanos exilados.

Até agora.

A tradição de asilo garantido para líderes derrubados está, na verdade, sitiada por toda a região, e a surpreendente extradição de Alberto K. Fujimori do Chile para o Peru, no mês passado, pode revelar ser um ponto culminante.

Argentina, Bolívia, Equador, Haiti e Venezuela estão todos discutindo formas de trazer ex-líderes do exílio para enfrentarem acusações de corrupção ou violações de direitos humanos, e especialistas legais esperam que estes vários esforços serão fortalecidos pela decisão da Suprema Corte do Chile de envio de Fujimori para uma cela no Peru para aguardar julgamento.

“Sempre houve tensão entre a busca da justiça e a realpolitik nos casos de extradição, mas aos poucos parece que a justiça está ganhando terreno”, disse M. Cherif Bassiouni, um especialista em extradição da Faculdade de Direito da Universidade DePaul, em Chicago.

A decisão no caso Fujimori está de acordo com uma linha de teoria legal que ganhou força nos anos 90, com a decisão britânica de colocar o general Augusto Pinochet do Chile sob prisão domiciliar ali enquanto aguardava pela decisão do pedido de extradição para a Espanha. Ele estava visitando o Reino Unido, não em exílio ali, após deixar o posto de ditador com um entendimento de que não seria processado em seu próprio país.

Mas a Casa dos Lordes (Câmara Alta) do Reino Unido decidiu que ele poderia ser julgado na Espanha pelas acusações de tortura quando a Espanha o solicitou.

No final Pinochet conseguiu o direito de retornar para o Chile -onde, em um novo ambiente político, ele viveu seus últimos anos lutando para não ir para a prisão. Ele morreu no Chile em dezembro passado, mas na semana passada sua família se viu sob uma nuvem legal, acusada de viver do dinheiro que ele desviou para o exterior enquanto estava no poder.

Enquanto isso, juízes começaram a extraditar líderes como Jean Kambanda, de Ruanda, e Slobodan Milosevic, da Sérvia, para enfrentarem tribunais internacionais por acusações de genocídio; estas ações estabeleceram precedentes claros de que algumas atrocidades contra civis ofendem não apenas as leis de um país, mas também os padrões internacionais de direitos humanos.

Mas estes precedentes também encorajaram os governos a insistirem para que seus ex-líderes, acusados de despotismo ou roubo, sejam enviados de volta para serem julgados, deixando outros países relutantes em recompensarem estes líderes em desgraça com uma vida confortável.

“De forma lenta e desigual, mas clara, os judiciários da região se tornaram mais profissionais”, disse Cynthia McClintock, um especialista em América Latina da Universidade George Washington, em Washington.

A mudança de clima está atingindo a América Latina com força particular, porque o direito de asilo político para ex-chefes de Estado na região antes era visto como sagrado -uma espécie de compreensão institucional que reforçava o ciclo de golpes e contragolpes, ditaduras e rebeliões, períodos de repressão ou totalitarismo interrompidos por intervalos de democracia.

Na prática, freqüentemente se desenrolava assim: um caudilho reunia tamanho poder ou abusava dos oponentes a ponto de ser ameaçado com rebelião ou ser derrubado. A esta altura, ele escapava para o exterior por avião ou embarcação, ou por limusine até uma embaixada amistosa cujo governo, por lei ou tradição, era propenso a aceitar seu novo convidado automaticamente.

Com grande freqüência, ao que parece, os Estados Unidos intervinham, seja discreta ou publicamente. Suas autoridades intermediavam um acordo que levaria o governante derrubado com um mínimo de revolta ao seu país de exílio, tudo no interesse de evitar uma crise política ainda maior e de criar um aspecto de estabilidade econômica e social. Alguns países, como o Panamá, até mesmo se especializaram em receber autocratas em seu meio.

Isto explica por que Raoul Cédras, do Haiti, e Jorge Serrano Elías, da Guatemala, que até o momento conseguiram se defender com sucesso dos pedidos de extradição, estão vivendo confortavelmente no Panamá. Assim como Abdalá Bucaram, do Equador, que é procurado em casa por acusações de corrupção.

Como no passado, a extradição às vezes segue de perto os interesses americanos, mesmo em uma região onde governos democráticos agora são mais predominantes que ditaduras. O Panamá, por exemplo, agora acompanha a luta que seu ex-presidente, Manuel Noriega, está travando para evitar extradição dos Estados Unidos para a França, uma opção que as autoridades americanas preferem a devolvê-lo ao seu país natal.

Outros esforços de extradição estão enraizados na raiva persistente em torno das técnicas que alguns governos usaram para fortalecer seu controle do poder -particularmente na Argentina e Chile, onde os militares estiveram no poder, e no Peru, onde Fujimori liderou uma luta brutal de contra-insurreição.

Por exemplo, Maria Estela de Perón, a ex-presidente argentina conhecida como Isabel, está na Espanha evitando um pedido de extradição relacionado às atividades de esquadrões da morte paramilitares de direita, acusados de terem matado pelo menos 1.500 pessoas. Grande parte das mortes ocorreu quando ela estava no poder, de 1974 a 1976. Ela então foi derrubada, seguida por anos de repressão brutal sob ditadura militar.

As instituições no Chile, que também estão lidando com os fantasmas da repressão durante os anos 70 e 80, foram encorajadas pela batalha pela extradição de Pinochet, apesar dele nunca ter ido para a prisão.

Estudiosos traçam uma clara ligação entre tal batalha e a decisão do Chile de extraditar Fujimori; no passado, a Justiça relutava em extraditar qualquer um procurado por outro país, incluindo um ex-criminoso de guerra nazista.

“Fujimori, como Pinochet, antes era considerado invencível”, disse Daniel Wilkinson, vice-diretor para as Américas do Human Rights Watch. “Agora a definição de invencibilidade foi abalada.”

Tradução: George El Khouri Andolfato.

The New York Times
http://www.nytimes.com/

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Apoio à nossa luta na FSA

Nós, professores universitários, vimos a público manifestar nosso
repúdio à atitude arbitrária da reitoria do Centro Universitário
Fundação Santo André, que chamou a Força Tática da PM para
expulsar de forma violenta os estudantes que a ocuparam em
protesto contra o aumento abusivo das mensalidades.
Repudiamos também a presença da PM no campus universitário.
Relembramos ainda à Reitoria da Fundação Santo André de que o tempo do
arbítrio, quando questões sociais eram tratadas como caso de polícia, já
passou.
Por isso, não descansaremos enquanto os responsáveis por essas
arbitrariedades não forem punidos.
Todo apoio à luta dos professores e estudantes e contra qualquer punição
aos universitários e docentes.

1) Aziz Ab’Saber - Geografia USP (aposentado)
2) Lincoln Secco - História USP
3) Ricardo Musse - Sociologia USP
4) Cilaine Alves Cunha - Letras USP
5) Fernando Novais - História USP / Unicamp
6) Roberto Schwarz - Letras Unicamp (aposentado)
7) Maria Célia Paoli - Sociologia USP
8) Leda Paulani - Economia USP
9) Maria Arminda do Nascimento Arruda - Sociologia USP
10) Marcos Del Roio - Ciência Política Unesp Marília
11) Paulo Eduardo Arantes - Filosofia USP
12) Marcos Silva - História USP
13) Marineide de Oliveira Gomes - Pedagogia USP Ribeirão Preto
14) Caio Navarro de Toledo - Ciência Política Unicamp
15) Selma Borghi Venco - Sociologia Unicamp
16) Franklin Leopoldo e Silva - Filosofia USP
17) Lighia Brigitta Horodynski-Matsushigue - Física USP
18) Zilda Iokoi - História USP
19) Otília Fiori Arantes - Filosofia USP
20) Mariana Fix - Design Facamp (Faculdades de Campinas)
21) Ivone Dare Rabello - Letras USP (aposentada)
22) Suzana Salem Vasconcelos - Física USP
23) Luiz Eduardo Simões de Souza - Economia Uergs (Universidade Estadual
do Rio Grande do Sul)
24) Paulo Henrique Martinez - História Unesp Assis
25) Luís Fernando Ayerbe - Relações Internacionais Unesp Araraquara
26) Jesus Ranieri - Sociologia Unicamp
27) Heloísa Fernandes - Sociologia USP e Escola Nacional Florestan
Fernandes do MST
28) Amarílio Ferreira - UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
29) Valério Arcary - História CEFET/SP (Centro Federal de Educação
Tecnológica de São Paulo)
30) João Francisco Tidei Lima - Unesp Bauru
31) Lidiane Soares Rodrigues - Doutoranda História USP
32) Alcir Pécora - Letras Unicamp
33) Anita Handfas - Educação UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
34) Margareth Rago - História Unicamp
35) Vera Lucia Vieira - História PUC-SP
36) Arlete Moyses Rodrigues - Geografia Unicamp
37) Antônio Miguel - Educação Unicamp
38) Ronilde Rocha - Consultora em educação e ensino de História e
professora da rede municipal de São Paulo (aposentada)
39) Francisco Foot Hardman - Letras Unicamp
40) Márcio Naves - Sociologia Unicamp
41) Élide Menezes Centofanti - Psicologia UMC (Universidade de Mogi das
Cruzes) aposentada
42) Maria Luiza Jovanovic - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
43) Paulino Cardoso - História Udesc (Universidade do Estado de Santa
Catarina)
44) Claudia Sapag Ricci - História UFMG (Universidade Federal de Minas
Gerais)
45) Olga Brites - História PUC-SP
46) Mário Fernando Bolognesi - Artes Unesp São Paulo
47) Antônio Carlos Mazzeo - Ciência Política Unesp Marília
48) Maria Victória Benevides - Educação USP
49) Adalberto Paranhos - Ciências Sociais UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
50) Edilson Graciolli - Ciências Sociais UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
51) Fernando Antonio Lourenço - Sociologia Unicamp
52) Agnaldo dos Santos - Administração Uninove (Centro Universitário Nove
de Julho)
53) Glória Anunciação Alves - Geografia USP
54) Elvio Rodrigues Martins - Geografia USP
55) Regina Helena Alves da Silva - História UFMG (Universidade Federal de
Minas Gerais)
56) João Bernardo - professor e escritor
57) Valeria de Marcos - Geografia USP
58) Pedro Arantes - Design Facamp (Faculdades de Campinas)
59) Rafael Marquese - História USP
60) Ana Fani Alessandri Carlos - Geografia USP
61) Déa Ribeiro Fenelon - História PUC-SP e Unicamp (aposentada)
62) Brás Ciro Gallota - História PUC-SP
63) Francisco Alambert - História USP
64) Vera Lúcia Santiago Araújo - Letras UECE (Universidade Estadual do
Ceará)
65) Silvia Hunold Lara - História Unicamp
66) Sidney Chalhoub - História Unicamp
67) Letícia Vidor de Souza Reis - História Unimep (Universidade Metodista
de Piracicaba)
68) Ivone Cordeiro Barbosa - História UFC (Universidade Federal do Ceará)
69) Manoela da Silva Pedroza - Doutoranda Unicamp
70) Joviniano Borges da Cunha - Universidade Anhembi-Morumbi
71) Bernardo Boris Vargaftig - Ciências Biomédicas - USP
72) Heloisa de Faria Cruz - História PUC-SP
73) Claudia Poncioni - Université Paris X - França
74) Jean-Yves Mérian - Université Rennes2 - Haute Bretagne - França
75) Roberto Romano - Filosofia Unicamp
76) Luiz Roberto Alves - Jornalismo Umesp (Universidade Metodista de São
Paulo) e ECA-USP
77) Marcos Arruda - professor visitante universidades do exterior
78) Cid Benjamin - Comunicação Social Facha (Faculdade Hélio
Alonso)
79) Laura Antunes Maciel - História UFF (Universidade Federal
Fluminense)
80) Maria Antonieta Antonacci - História PUC-SP
81) Paulo Roberto de Almeida - História UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
82) Bento Itamar Borges - Filosofia UFU (Universidade Federal de Uberlândia)
83) Rejane Meireles Amaral Rodrigues - História UNIMONTES/MG
84) Osvaldo Coggiola - História USP
85) Inessa Laura Salomão - Engenharia de Produção - CEFET/RJ (Centro
Federal de Educação Tecnológica)
86) Helena Hirata - Sociologia CNRS (Centre National de la Recherche
Scientifique) - França
87) Normando Rodrigues - Direito UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro)
88) Ana Maria Silva - Turismo Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André)
89) Luiz Carlos Pereira - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
90) Fábia C. Alegrance - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
91) Luciana Vieira de Melo Kuk - Fisioterapia Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
92) Margareth Anderáos - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
93) Nicolino Bello Júnior - Educação Fisica Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
94) Sérgio Garcia Stella - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
95) Ricardo Zanuto Pereira - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
96) Rosemarie C. Sanches - Turismo Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
97) Vinicius J. B. Martins - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
98) Sueo Hirota - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
99) William S. Freitas - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
100) Marcelo Reina Siliano - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
101) Edvar Boechat Soares - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
102) Isilda M. R. Cavicchioli - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
103) Maria Teresa B. Martins - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
104) Maria Eliza M. Bernardes - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
105) Rosana Delfini - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
106) Evando Carlos Moreira - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
107) Fabiano João - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
108) Sandra Maria Tedeschi - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
109) Albertina O. C. Misko - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
110) Gilberto de Andrade Martins - Contabilidade USP
111) José Artur Gianotti - Filosofia USP (aposentado) e pesquisador do
Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)
112) Heloisa Martins - Sociologia USP (aposentada)
113) Angelina Peralva - Sociologia Universidade de Toulouse II -
França
114) João Zanetic - Física USP e ex-presidente da Adusp (Associação dos
Docentes da USP)
115) Nadia W. Hanania Vianna - Administração USP (aposentada)
116) Francisco Luiz C. Lopreato - Economia Unicamp
117) Denis Maracci Gimenez - Economia Unicamp
118) Wilson Cano - Economia Unicamp
119) Gabriel de Santis Feltran - Doutorando Unicamp
120) Otaviano Helene - Física USP e presidente da Adusp (Associação dos
Docentes da USP)
121) Daciberg Lima Gonçalves - Matemática USP
122) Lucília Daruiz Borsari - Matemática USP
123) José Dari Krein - Economia Unicamp
124) Antonio Lázaro Sant´Ana - Unesp Ilha Solteira
125) Elmir de Almeida - Pedagogia USP Ribeirão Preto
126) Geraldo Leão - Educação UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
127) Américo Scotti - Engenharia Mecânica UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
128) Estefânia Knotz C. Fraga - História PUC-SP
129) Luiz Henrique dos Santos Blume - História UESC (Universidade Estadual
de Santa Cruz - BA)
130) Alexandre Fortes - História / Economia UFRRJ (Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro)
131) Fernando Teixeira da Silva - História Unicamp
132) Raimundo Donato do Prado Ribeiro - coordenador de História Unimep
(Universidade Metodista de Piracicaba)
133) Ciro Teixeira Correia - Geologia USP
134) Marco A. Brinati - Engenharia Naval USP e ex-vice-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
135) Cláudia Pereira Vianna - Educação USP
136) Maria da Graça Setton - Educação USP
137) Elie Ghanem - Educação USP
138) Rosângela G. Prieto - Educação USP
139) César Augusto Minto - Educação USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
140) Américo Sansigolo Kerr - Física USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
141) Paulo Luiz Miadaira - Faculdade São Luís e Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo
142) Daniel Revah - Pedagogia Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
143) Manoela da Silva Pedroza - Doutoranda Unicamp
144) Henrique Soares Carneiro - História USP
145) Sérgio Paulo Amaral Souto - Zootecnia USP
146) Marcus Aloízio Martinez de Aguiar - Física Unicamp
147) Artionka Capiberibe - Doutoranda UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro)
148) Lucimara Batista Freire - Faculdade Anchieta - São Bernardo do Campo
149) Théo Lobarinhas Piñeiro - História UFF (Universidade Federal
Fluminense)
150) Alexsander Lemos de Almeida Gebara - História UFF (Universidade
Federal Fluminense)
151) Theresa Beatriz Figueiredo Santos - Diretora da Faculdade de Ciências
Humanas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba)
152) Daniel Aarão Reis - História UFF (Universidade Federal Fluminense)
153) Antonio Paulo Rezende - História - UFPE (Universidade Federal de
Pernambuco)
154) Marcos Nascimento Magalhães - Matemática USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
155) Maria Clara Di Pierro - Educação USP
156) Moacir Gadotti - Educação USP
157) Lisete R. G. Arelaro - Educação USP
158) Afrânio Mendes Catani - Educação USP
159) Lúcia E. Barreto Bruno - Educação USP
160) Doris Accioly e Silva - Educação USP
161) Roberto da Silva - Educação USP
162) Rubens Barbosa de Camargo - Educação USP
163) Vânia Noeli Ferreira de Assunção - História Cogeae PUC-SP
164) Antonio Ozaí da Silva - Ciências Sociais UEM (Universidade Estadual
de Maringá)
165) Joana Aparecida Coutinho - Ciência Política - UFMA (Universidade
Federal do Maranhão)
166) Antônio José Lopes Alves - Filosofia Colégio Técnico da UFMG
(Universidade Federal de Minas Gerais)
167) Sabina Maura Silva - Filosofia Fundação Helena Antipoff - Minas Gerais
168) Maria Helena da Silva - Diretora EE Carlos Drummond de Andrade
169) Conceição Gonçalves de Toledo - vice-diretora EE Carlos Drummond de
Andrade
170) Francisco Josino da Silva - EE Carlos Drummond de Andrade
171) Roni Cleber Dias de Menezes - Educação USP
172) Everton Capri Freire - ex-professor de Jornalismo Fiam (Faculdades
Integradas Alcântara Machado)
173) Ronaldo Fabiano dos Santos Gaspar - Pedagogia Unicastelo e FAD
(Faculdade Diadema)
174) Luís Roberto de Paula - antropólogo e ex-professor da Fundação Santo
André
175) Alvaro Bianchi - Ciência Política Unicamp
176) Celia Maria Benedicto Giglio - Pedagogia Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo)
177) Marcos Antonio de Moraes - Letras USP
178) Marcos Pereira Rufino - Antropologia Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
179) Luiz Antonio Zimermann do Nascimento - São Paulo
180) Luís Esteban Dominguez - Semiótica Cogeae PUC-SP
181) Regina Maria de Souza - Educação Unicamp
182) Luci Banks Leite - Educação Unicamp
183) Pedro Tórtima - Direito UCAM (Universidade Candido Mendes) Rio de
Janeiro
184) Miguel Wady Chaia - Ciência Política PUC-SP
185) Tânia Elias Magno da Silva - Sociologia UFS (Universidade Federal de
Sergipe)
186) Henri de Carvalho - História - Unimesp (Centro Universitário
Metropolitano de São Paulo)
187) Valéria Alves Esteves Lima - História Unimep (Universidade Metodista
de Piracicaba)
188) Antonio Miguel - Educação Unicamp
189) Karen Macknow Lisboa - História Unifesp (Universidade Federal de São
Paulo)
190) Maria de Fátima Carvalho - Pedagogia Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
191) Regina Cândida Ellero Gualtieri - Pedagogia Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo)
192) Mônica Marques Pimenta de Andrade - Medicina UFU (Universidade
Federal de Uberlândia) - aposentada
193) Carlos Eduardo Albuquerque Miranda - Educação Unicamp
194) Carmen Roselaine de Oliveira Farias - Educação UFSCar (Universidade
Federal de São Carlos)
195) Vanicléia Silva Santos - Doutoranda História Social USP
196) Isabel Cristina Moroz - Doutoranda Geografia - USP
197) André Constantino Yazbek - Filosofia PUC-SP
198) Maria Goreti J. S. Frizzarini - Comunicação Social Cásper Líbero
199) Carlos Bauer - Uninove (Centro Universitário Nove
de Julho)
200) Marcos Cezar de Freitas - Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
201) Luigi Biondi - História Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
202) Leandro de Lajonquière - Educação USP
203) Luís Filipe Silvério Lima - História Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
204) Teise de Oliveira Guaranha Garcia - Pedagogia USP Ribeirão Preto
205) Regina Maria de Souza - Educação Unicamp
206) Rinaldo Voltolini - Educação USP
207) João Quartim de Moraes - Filosofia Unicamp
208) Áurea M. Guimarães - Educação Unicamp
209) Carlos Serrano - Antropologia USP
210) Ruy Braga - Sociologia USP
211) Renato da Silva Queiroz - Antropologia USP
212) Sylvia Gemignani Garcia - Sociologia USP
213) José Guilherme C. Magnani - Antropologia USP
214) Lúcia Aparecida Valadares Sartório - Doutoranda Educação UFSCar
(Universidade Federal de São Carlos)
215) Celso Frederico - Comunicação Social ECA-USP
216) Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos - Letras USP
217) Maria Helena Oliva Augusto - Sociologia USP
218) Maria Lucia Montes - Antropologia USP
219) Iris Kantor - História USP
220) Sylvia Leser de Mello - Psicologia USP
221) Aparecida Néri de Sousa - Educação Unicamp
222) Maria Helena P.T. Machado - História USP
223) Gildo Magalhães dos Santos - História USP
224) Emir Sader - Sociologia USP e UERJ (Universidade do Estado do Rio de
Janeiro)
225) Eduardo Pinto e Silva - UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
226) Jose Roberto Zan - Artes Unicamp
227) Dirce Djanira Pacheco e Zan - Educação Unicamp
228) Maria Rosa Lombardi - Fundação Carlos Chagas
229) Stela Menegel - Educação Furb (Universidade Regional de Blumenal)
Santa Catarina
230) Márcio Suzuki - Filosofia USP
231) Roberto Heloani - Educação Unicamp e FGV (Fundação Getúlio Vargas)
232) Marcia Regina Andrade - Educação Unicamp
233) Rosivaldo Pelegrini - UEL (Universidade Estadual de Londrina) Paraná
234) Agueda Bernardete Bittencourt - Educação Unicamp
235) Patrícia Vieira Trópia - PUC-Campinas
236) Marcia Leite - Educação Unicamp
237) Flavio de Campos - História USP
238) Janice Theodoro da Silva - História USP
239) Pedro Lima Vasconcellos - Teologia e Ciências da Religião PUC-SP
240) Ulpiano T.Bezerra de Meneses - História USP
241) Laurindo Lalo Leal Filho - Jornalismo ECA-USP
242) Silvia Helena Andrade de Brito - Ciências Sociais e Educação UFMS
(Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
243) Jorge Grespan - História USP
244) Luís César Oliva - Filosofia USP
245) Andréia Galvão - Ciência Política - Unicamp
246) Luiz Carlos Jackson - Sociologia - USP
247) Andréa Maria Z. Afonso dos Santos - Museóloga Museu de Arte Sacra de
São Paulo
248) Gislane Azevedo - Historiadora e Assessora Pedagógica
249) Márcia Regina Berbel - História USP
250) Andréa Loparic - Filosofia USP
251) Silvia Dafferner - Letras FIA (Faculdade de Interação Americana) São
Bernardo do Campo
252) Tatiana Fonseca Oliveira - Doutoranda Sociologia Unicamp
253) Gabriel S. S. Lima Rezende - Doutorando Universidad de Granada -
Espanha
254) Pedro Roberto Ferreira - Ciência Política UEL (Universidade Estadual
de Londrina) Paraná
255) Maria Pileggi - Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales - Paris
- França
256) Maria de Annunciação Madureira - Ciências Sociais UEL (Universidade
Estadual de Maringá)
257) Edméia Aparecida Ribeiro - História UEL (Universidade Estadual de
Londrina)
258) Giselli Avíncula Campos - Doutoranda UFF (Universidade Federal
Fluminense)
259) Nídia Nacib Pontuschska - Educação USP
260) Heloisa Buarque de Almeida - Antropologia USP
261) Maria Ligia Coelho Prado - História USP
262) Carlos Eduardo Carvalho - Economia PUC-SP
263) Silvio Duarte Bock - Educação Unicamp

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Reitor do ABC é julgado em Tribunal de Júri Popular; Roberto Tardelli será o promotor

O reitor da Fundação Santo André, Odair Bermelho, será julgado nesta quarta-feira, dia 10, por um Tribunal do Júri Popular por ter chamado a Polícia Militar para reprimir uma manifestação de estudantes que protestavam contra o aumento das mensalidades, no ultimo dia 13. Na
oportunidade vários alunos foram feridos. A polícia não poupou nem mesmo um estudante que tem parte do braço direito amputado e o espancou.

O promotor do Tribunal será o Dr. Roberto Tardelli, promotor de Justiça do 1º Tribunal do Júri da Capital. O advogado de defesa, caso o reitor não indique ninguém para defendê-lo, será Dr. Yvan Miguel, coordenador do núcleo Advogados do Povo de São Paulo. O juiz será Dr. Arthur Pinto Filho, promotor criminal da capital e assessor da Escola Superior do Ministério Público. O reitor foi formalmente convidado para se apresentar ao Tribunal.

O julgamento ocorrerá no auditório da Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), também conhecido como Pinicão, às 19h30.

Mais informações: Lúcia Rodrigues (8202-6413)

Endereço da Fundação Santo André: avenida Príncipe de Gales, 821, Bairro Príncipe de Gales – Santo André

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Dramas anônimos

Um dos grandes escritores do Holocausto, Primo Levi sofreu resistência em Israel por não criar heróis

MERON RAPOPORT

Por muito tempo as obras de Levi não encontraram editores em Jerusalém. Ele não foi nem sequer convidado para o julgamento de Eichmann.
A descoberta do texto de Primo Levi que se lê aqui não é resultado de uma longa e penosa pesquisa. O “Depoimento do Dr. Primo Levi, morador de Turim, C. Vittorio, 67″ estava esquecido havia 47 anos no arquivo de Yad Vashem, e no alto do documento se vê o carimbo em hebraico e em inglês “Central Archives for the Disaster and the Heroism” [Arquivos Centrais sobre o Desastre e o Heroísmo].
“Disaster” era uma desastrada tentativa de transpor para o inglês o intraduzível Shoah. E Yad Vashem é, precisamente, o mais importante centro de documentação do Shoah.
Certo dia, uma estudiosa israelense, Margalit Shlain, ao preparar uma comunicação sobre “A Percepção da Obra de Primo Levi em Israel”, teve a idéia de visitar o arquivo e assim encontrou o depoimento de Levi, lavrado em Roma no dia 14 de junho de 1960 e incorporado ao acervo de Yad Vashem no mesmo ano.
Levi o teria confiado aos representantes da magistratura israelense que estavam trabalhando na instrução do processo contra Adolf Eichmann, idealizador da “solução final do problema judaico”, capturado na Argentina por agentes do Mossad em 1960 (o primeiro-ministro David Ben Gurion fez o anúncio da captura à Knesset em 23 de maio daquele ano).
Segundo Shlain, o testemunho de Levi e mais outros 50 depoimentos de judeus italianos foram repassados aos gabinetes da Procuradoria em Jerusalém, mas Levi não foi chamado a testemunhar diante do tribunal que condenou Eichmann à morte [o relato e a interpretação mais famosa do julgamento estão em “Eichmann em Jerusalém”, de Hannah Arendt, lançado no Brasil pela Companhia das Letras].
O processo de Eichmann não foi um simples ato judiciário. Nos primeiros anos de existência do Estado de Israel, falava-se pouquíssimo da Shoah.

Desmaio
O julgamento, transmitido ao vivo pelo rádio durante meses, era, para Ben Gurion, uma ótima ocasião para apresentar o Estado judaico como o herdeiro de um judaísmo ferido de morte, herdeiro que no entanto aprendeu a lição (nunca mais Auschwitz e nunca mais vida em diáspora), e para narrar o Shoah ao público israelense.
Foi esse o motivo que fez o procurador-geral Gideon Hausner pensar em convocar como testemunhas indivíduos que fossem conhecidos do público. Um deles era Yehiel Dinur-Feiner, sobrevivente de Auschwitz que assinava com o pseudônimo Ka-Tzetnik seus livros um tanto escandalosos, com cenas muito cruas sobre os horrores dos campos de extermínio, alguém muito popular nos anos 1950 em Israel.
O escritor desmaiou no banco das testemunhas após ter pronunciado palavras que ficariam impressas na memória dos israelenses: “Venho de outro planeta, do planeta das cinzas que se chama Auschwitz”.
Levi não estava em Jerusalém. Lá, ele era desconhecido e assim permaneceu quase até sua morte. Em 1968, fez uma visita a Israel com uma delegação de “partigiani” de Turim.
O historiador Isaac Garti esteve com ele em Jerusalém. Garti havia lido “É Isto um Homem?” em italiano, ficara comovido e queria traduzi-lo. “Tinha contatado várias editoras, mas todas recusaram o livro.
Diziam-lhe: “Mais um livro sobre o Shoah? Já temos muitos. Ninguém o comprará”.” Levi, relembra Garti, sorria dizendo que entendia perfeitamente.
Um eco desse encontro com a incompreensão de sua obra em Israel aparece no prefácio que escreveu para a tradução de “A Trégua”, seu primeiro livro a sair em hebraico, em 1979.
“Estou muito feliz e orgulhoso de que minha “Trégua” venha à luz em Israel, muitos anos depois de seu nascimento na Itália. Não é estranho que meu primeiro livro, “É Isto um Homem?”, não tenha sido traduzido em hebraico. Ele é o diário de um campo de concentração, assunto já muito conhecido.”
Já “A Trégua”, dizia, narrava uma história inédita, motivo pelo qual era razoável esperar por seu sucesso. A esperança foi frustrada. Em sua primeira edição em hebraico, “A Trégua” vendeu 500 exemplares.
“É Isto um Homem?” foi publicado em Israel, na tradução de Garti, somente um ano após a morte de Levi. Por que tanto atraso? Ariel Rathaus, professor de literatura italiana na Universidade de Jerusalém, diz que Israel segue os EUA. Quando lá se começou a falar de Levi (em meados dos anos 1980), Israel também se deu conta de sua existência.
Nem todos estão de acordo. Dan Miron, respeitado crítico literário, escreveu que o establishment israelense não podia aceitar Levi porque seu modo de conceber o Shoah era contrário à maneira como Israel queria ver aquele período.
A Auschwitz de Levi, diz Miron, não era “um outro planeta”, mas “a continuação e a manifestação da normal conduta humana”. Israel, ao contrário, queria tratar o Shoah como um acontecimento único, razão pela qual “o melhor escritor da Shoah” era ignorado pelos estudantes israelenses.
Também para Margalit Shlain, Levi não foi ignorado por acaso. Israel buscava heróis, e Levi não era um herói. A literatura israelense sobre o Shoah pendia ao patético, e Levi observava Auschwitz com um olhar quase calmo. Para completar, não era sionista.
Hoje as coisas mudaram: nos colégios os relatos de Levi são estudados, nas universidades se escrevem teses sobre sua obra. Até o premiê Olmert citou Levi em um discurso. No entanto o congresso para o qual Shlain escreveu sua comunicação sobre as obras de Levi ocorreu na Bélgica, e não em Israel, e mesmo lá o texto que pode ser lido aqui só foi mencionado, e não citado na íntegra.
Para Primo Levi, a estrada em Israel ainda é longa.

A íntegra deste texto saiu no “La Repubblica”.

Jornal Folha de S. Paulo
www.uol.com.br

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Conheça as três grandes vertentes do budismo

Henri Tincq

A luta dos monges contra o regime militar de Mianmar sublinha tragicamente o status de potência social da vida monástica no budismo. Desde o nascimento do budismo, no seu berço, na Índia - entre os séculos 5 a.C. e 4 a.C. - os primeiros discípulos de Bouddha Shâkyamuni (”o Iluminado” do clã dos Shakya) raspavam a cabeça, trajavam uma toga ocre e circulavam de casa em casa, pedindo alimentos.

Buda viveu durante oitenta anos - dos quais quarenta foram dedicados à pregação -, mas ele nunca nomeou qualquer sucessor. Esta ausência de uma autoridade suprema, somada à ampla disseminação das comunidades, conferiram a sua marca ao budismo que estava nascendo. A sua história se caracteriza por uma extensa série de elementos emprestados das tradições locais - xamanismo ou tantrismo hindu -, de divisões e de cismas. Mesmo se as fronteiras nem sempre são claramente demarcadas, o budismo distribui-se atualmente em três vertentes principais, que correspondem a três zonas de implantação geográfica na Ásia.

A vertente Theravâda
É a “via dos Anciões”, também chamada de a “escola do Sul”, uma vez que ela está implantada no sudeste do continente: no Sri Lanka, em Mianmar (onde ela ganha força no século 11), no Camboja, na Tailândia, no Laos e no Vietnã, embora apenas parcialmente (por causa da influência chinesa).

A vertente a mais antiga e a mais próxima do budismo primitivo, o theravâda - cujos textos sagrados são redigidos na língua pâli - oferece um ensino tradicional que visa a avançar no “caminho da Iluminação”, cuja etapa de perfeição derradeira (nirvana) se traduz pelo despojamento de todo vínculo com o sofrimento ou o desejo. O objetivo é de se libertar do samsara, o “ciclo dos renascimentos”. Estar salvo significa estar libertado de um mundo terrestre reduzido a realidades “fenomenais” ou “não-permanentes”.

Para não morrer mais, não se pode mais renascer… Daí o desenvolvimento de uma espiritualidade, no theravâda, do “não-apego”, poderosa entre os monges, que proíbem a si mesmos toda atividade ligada à vida social. Eles não trabalham, não recebem dinheiro algum, não cozinham os seus alimentos. Eles saem todo dia de manhã para mendigar sua comida, e dependem integralmente dos laicos. Eles praticam de maneira radical o Nobre Óctuplo Caminho (”palavra justa, ato justo”, etc.) de maneira a desenvolver esta atitude mental de “não-apego”.

A vertente Mahayana
Ela nasceu na Índia, no início da era cristã. É o budismo “do Norte”: aquele da China (logo no século 1º), do Japão (século 6), da Coréia e de uma parte do Vietnã. Esta reforma do ensino primitivo está fundamentada na noção de bodhisattva (”o ser dedicado à Iluminação”), ou seja, aquele que renuncia ao seu próprio nirvana para praticar no grau mais elevado a virtude da doação e para conduzir todos os seres rumo à libertação. O bodhisattva aceita permanecer dentro do “ciclo das existências”, portanto dentro do mundo do sofrimento, para viver numa dimensão de compaixão total.

A vertente mahayana se faz chamar de “Grande Veículo”, em oposição à vertente theravâda, que ela qualifica de uma noção pejorativa: o “Pequeno Veículo”, e que ela suspeita de estar em busca apenas da salvação individual. Entre as duas vertentes, a dimensão interior muda, mas a vida monástica é praticamente idêntica.

Na tradição mahayana, a figura do monge é menos idealizada do que na primeira. Na China e no Japão, por exemplo, monges preparam as suas refeições, o que constitui uma heresia para um monge theravâda, de Mianmar ou do Sri Lanka. Em todos os casos, os monges não fazem votos perpétuos (uma vez que o mundo é “não-permanente”). Eles entram e saem do mosteiro, que é o lugar da iniciação da maior parte dos jovens.

A vertente Vajrayana
Ela é também chamada de “Veículo do Diamante”, ou “Veículo das Fórmulas” (mantrayana), ou “budismo tântrico” (tantrayana, inspirado nos tantras hindus, uma palavra que significa “livros explicativos”).

Trata-se aqui do budismo tibetano, muito minoritário no budismo mundial, embora ele seja o mais conhecido e praticado no Ocidente. A vertente do “diamante” (o diamante sendo o símbolo da força que destrói as ilusões) nasceu também no norte da Índia e desenvolveu-se, entre os séculos 3 e 5, no Tibete, na Mongólia e no Butão.

Ela toma emprestados elementos das duas vertentes precedentes, e penetra até mesmo no “Grande Veículo” da China e do Japão. O zen japonês (”chan” em chinês), também conhecido e praticado nos Estados Unidos e na Europa, incorpora, por exemplo, elementos tântricos, os quais constituem técnicas de invocação de divindades e de recitação de fórmulas rituais, capazes de provocar uma “transmutação” interior. O objetivo é de adquirir o estado de iluminação já nesta vida, e não ao longo de um percurso que se estende a um grande número de existências. Nesta vertente, o mestre espiritual (guru) ocupa um lugar essencial.

Este budismo inspirou no Tibete um sistema teocrático baseado, desde meados do século 17, no poder dos lamas (”mestres”). O dalai-lama é o mestre cuja sabedoria é tão vasta quanto o oceano (dalai). O atual dalai-lama, Tenzin Gyatso, foi obrigado a deixar o seu país em 1959, quando este foi ocupado pelos chineses.

Tradução: Jean-Yves de Neufville.

Jornal Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

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PL 578/07 ou “a vida como ela é”

PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO

É NOTÓRIO que o Pontal do Paranapanema foi, há décadas, objeto da maior apropriação ilegal de terras (grilagem) já ocorrida no Estado de São Paulo -processo descrito em inúmeras teses acadêmicas, reportagens e sentenças judiciais.
Contudo, até hoje a Justiça de São Paulo não concluiu as ações para a retomada dessas terras. A demora do Judiciário é a justificativa do projeto 578/07, que o governador enviou à Assembléia Legislativa, solicitando autorização para fazer acordos com os atuais posseiros de grandes fazendas -algumas realmente gigantescas (com mais de 5.000 hectares).
O projeto é escandaloso dos pontos de vista jurídico, social e ético.
Juridicamente, como demonstrou o professor Dalmo Dallari, o projeto, ao admitir a venda de terras públicas sem licitação, fere o artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal. Além disso, infringe a regra que proíbe ao agente público desistir de ação judicial proposta para defender direito do Estado, salvo em caso de relevante interesse público.
Se juridicamente o projeto não se sustenta, socialmente é um descalabro. Como pode ser de interesse público entregar, de mão beijada, meio milhão de hectares de terras a pessoas que as adquiriram sabendo perfeitamente bem tratar-se de terras griladas?
Com apenas 300 mil hectares das terras atualmente na posse de ocupantes ilegítimos, o governo assentaria, na região, 15 mil das 150 mil famílias que vivem, há anos, acampadas na beira das estradas pelo Brasil afora à espera de terra para trabalhar.
Que relevante interesse público pode haver na utilização de terras do Estado para manter grandes fazendas pecuárias ou substituí-las por imensos agronegócios se ambas as atividades não empregam sequer a mão-de-obra ociosa local? Mas é do ponto de vista ético que o projeto mais escandaliza.
Sem entrar em juízo de valor a respeito da intenção dos seus autores, a verdade é que a proposta, objetivamente, representa a capitulação do governo do Estado de São Paulo diante de um dos traços mais perversos da cultura brasileira: neste país, as pessoas poderosas podem infringir as leis impunemente, desde que tenham recursos para sustentar a ilegalidade durante algum tempo -o que se consegue com bons advogados, subornos, barganhas políticas e coações.
No caso específico da questão fundiária, o latifúndio impôs à sociedade brasileira o fato consumado -um padrão de institucionalização arbitrária e instável, que deixa a terra à mercê dos grandes negócios. A necessidade de adequar a estrutura agrária às exigências de uma agricultura itinerante, baseada na exploração predatória dos recursos naturais, na superexploração dos trabalhadores e na monocultura em grande escala bloqueia o acesso do homem pobre à terra e deixa o pequeno produtor sujeito aos atropelos do “progresso”.
Desde os tempos do império, as classes dominantes não permitem ao país institucionalizar-se, pois, desse modo, têm condições ideais para usar sua força econômica e política na criação de fatos consumados -fatos que, com a passagem do tempo, tornam-se justificativas “sociais” para casuísmos que legitimam a falcatrua.
Quem quiser se informar sobre esse processo pode ler o excelente trabalho da professora Ligia Osorio Silva: “Terras Devolutas e Latifúndio”.
O que está sendo sancionado pelo PL 578 é o secular mecanismo de reprodução do latifúndio ali descrito. Não passa de um “casuísmo” que recompensa toda a cadeia de beneficiários dos conhecidos grilos Pirapó-Santo Anastácio e Boa Esperança do Aguapeí, perpetrados no final do século 19.
Enquanto a Justiça levar décadas para julgar ações contra grileiros e menos de 48 horas para decretar um despejo quando trabalhadores sem-terra ocupam área improdutiva e, sobretudo, enquanto os homens públicos se renderem resignadamente à cultura da “vida como ela é”, não haverá desenvolvimento nem paz social -seja no Pontal do Paranapanema, seja em qualquer recanto do país.

PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO, 77, advogado, é presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária). Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-91) e consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

Jornal Folha de S. Paulo
www.uol.com.br

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Reitor do ABC é julgado em Tribunal de Júri Popular; Roberto Tardelli será o promotor

O reitor da Fundação Santo André, Odair Bermelho, será julgado nesta quarta-feira, dia 10, por um Tribunal do Júri Popular por ter chamado a Polícia Militar para reprimir uma manifestação de estudantes que protestavam contra o aumento das mensalidades, no ultimo dia 13. Na
oportunidade vários alunos foram feridos. A polícia não poupou nem mesmo um estudante que tem parte do braço direito amputado e o espancou.

O promotor do Tribunal será o Dr. Roberto Tardelli, promotor de Justiça do 1º Tribunal do Júri da Capital. O advogado de defesa, caso o reitor não indique ninguém para defendê-lo, será Dr. Yvan Miguel, coordenador do núcleo Advogados do Povo de São Paulo. O juiz será Dr. Arthur Pinto Filho, promotor criminal da capital e assessor da Escola Superior do Ministério Público. O reitor foi formalmente convidado para se apresentar ao Tribunal.

O julgamento ocorrerá no auditório da Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), também conhecido como Pinicão, às 19h30.

Mais informações: Lúcia Rodrigues (8202-6413)

Endereço da Fundação Santo André: avenida Príncipe de Gales, 821, Bairro Príncipe de Gales – Santo André

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Dossiê mundial de Scientific American Brasil discute a chamada “transição nutricional”

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Em outubro, Scientific American Brasil publica especial sobre a obesidade no mundo contemporâneo, fenômeno intensificado pela globalização

Se na década de 60 os cientistas previam que a humanidade seria acometida pela “fome em massa”, hoje, quase 50 anos depois, a discussão que ganha força, paradoxalmente, é a obesidade como problema de saúde pública, atingindo mais de um bilhão de pessoas em todo mundo, incluindo os países em desenvolvimento.

Esse é o tema do dossiê mundial publicado em outubro pelas edições de Scientific American ao redor do globo. Uma vez por ano, a revista publica simultaneamente nos 21 países em que está presente uma série de artigos em torno de um assunto relevante para o futuro da humanidade. Os textos, assinados por especialistas de várias nacionalidades, atingem milhões de leitores em países como Brasil, Alemanha, Índia, China e Canadá.

Abrindo a edição especial, o jornalista Gary Stix introduz o tema da transição nutricional, fenômeno sociológico da globalização que confere ao sobrepeso e à obesidade um papel mais preocupante que o da fome no planeta. Mais preocupante ainda é o fato, apontado pelos autores do dossiê, de que os governos não estão preparados com políticas públicas para enfrentar a questão.

Neste contexto, o artigo da nutricionista Marion Nestle aborda os diferentes (e muitas vezes confusos) tipos de dieta utilizados hoje para concluir que a mensagem mais simples é provavelmente a melhor: comer menos, exercitar-se mais, incluir frutas, hortaliças e grãos integrais na dieta e evitar a “junk food”. Nestle analisa ainda a questão ética sobre o financiamento de estudos clínicos por parte de indústrias alimentícias e de bebidas.

Em seu artigo sobre a obesidade no mundo, o epidemiologista nutricional Barry Popkin aborda a dieta ocidental pouco saudável que a globalização levou aos países em desenvolvimento. Segundo Popkin, as camadas mais pobres da população desses países aumentaram muito o consumo de bebidas adocicadas, alimentos de origem animal e óleos vegetais, além de terem adotado um estilo de vida que contribui para a obesidade, como assistir televisão e utilizar veículos motorizados.

O especial aborda ainda o uso da biotecnologia no combate à desnutrição, por meio das lavouras geneticamente modificadas, a questão dos alimentos contaminados, vistos como uma forma perigosa de terrorismo, e um artigo especial sobre a questão da obesidade no Brasil, que já atingiu a base da pirâmide populacional.

Sobre a Scientific American Brasil – www.sciam.com.br

Publicada desde 2002 pela Duetto Editorial, a Scientific American Brasil é a edição brasileira da mais tradicional revista de divulgação científica do mundo. Com circulação de 40 mil exemplares por mês (IVC), a revista dá aos leitores informação de qualidade em artigos produzidos por especialistas estrangeiros e brasileiros dos mais diversos campos da ciência. O grupo Conhecimento da Duetto publica ainda as revistas História Viva, Mente&Cérebro, EntreLivros e Brasil História, que podem ser adquiridas pelo site www.lojaduetto.com.br.

Serviço:
Scientific American Brasil
N° 65 – Outubro
R$10,90

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Homens proibidos

Da prisão com membros da Resistência italiana ao embarque para a Alemanha em vagões de gado e o trabalho forçado em Auschwitz, o autor de “É Isto um Homem?” descreve com sangue frio a vida de um judeu durante a Segunda Guerra

PRIMO LEVI

Em 9 de setembro de 1943, me refugiei com alguns amigos no Vale d’Aosta, mais precisamente em Brusson, sobre Saint-Vincent, a 54 km da capital da região.
Fazíamos parte de um grupo de “partigiani” [que se opunham ao fascismo] constituído de muitos judeus, entre os quais recordo Guido Bachi, atualmente representante da Olivetti em Paris, Cesare Vita, Luciana Nissim, depois casada com Momigliano e atualmente domiciliada em Milão, autora do livro “Donne contro il Mostro” [Mulheres contra o Monstro], e Wanda Maestro, deportada e morta num campo de extermínio.
Juntou-se a nós um sujeito que se apresentava como Meoli e que, sendo um espião, não demorou a nos denunciar. Com a exceção de Cesare Vita, que conseguiu escapar, fomos detidos em 13 de setembro de 1943 e transferidos para o quartel da Milícia Fascista de Aosta.
Ali encontramos o comandante Ferro, que, ao tomar conhecimento de que todos éramos diplomados, tratou-nos com benevolência; mais tarde, ele foi morto por “partigiani” em 1945. Devo confessar que, como “partigiani”, nós éramos bastante inexperientes; mas não menos inexperientes nos pareceram os milicianos fascistas que iniciaram uma espécie de processo contra nós.
Havia entre eles um italiano do Alto Adige que falava perfeitamente alemão, um tal de Cagni, que já havia denunciado um outro grupo de “partigiani”; e havia também o “nosso” Meoli.
Eles queriam obter de nós os nomes de outros “partigiani”, sobretudo os dos chefes. Embora estivéssemos com documentos falsos, declaramo-nos imediatamente judeus, o que nos foi vantajoso, já que a busca feita em nossos alojamentos foi tão superficial que, no meu, não encontraram nem sequer os papéis clandestinos e o revólver que eu escondera ali.
Ao saber que nós éramos judeus, e não “verdadeiros partigiani”, o comandante nos disse: “Não acontecerá nenhum mal a vocês; todos serão transferidos ao campo de Fossoli, perto de Modena”.
Recebíamos regularmente o passadio destinado aos soldados e, no final de janeiro de 1944, nos levaram a Fossoli num trem de passageiros.
Naquele campo ainda estávamos bastante bem. Não se falava de massacres, e a atmosfera era suficientemente serena. Permitiram que mantivéssemos o dinheiro que havíamos trazido conosco e que recebêssemos adicionais de fora. Trabalhamos na cozinha, em turnos, e assumimos outros serviços no campo; organizou-se até um refeitório, na verdade muito escasso!

Câmaras de gás
Em Fossoli encontrei Arturo Foà, de Turim, que olhávamos com certa desconfiança, pois conhecíamos suas simpatias pelo fascismo; e também todos os mendicantes do gueto de Veneza e os velhos daquele asilo.
Lembro-me de uma tal Scaramella e de uma Usigli. Havia ainda de 200 a 300 iugoslavos e alguns súditos da coroa inglesa.
Quando soubemos que, em 18 de fevereiro, a SS alemã tinha entrado no país, ficamos todos alarmados; de fato, no dia seguinte, avisaram-nos de que seríamos deportados em 24 horas. Ninguém tentou fugir.
Carregaram-nos em vagões de gado nos quais se lia: “Auschwitz” -nome que, naquele momento, não nos dizia absolutamente nada… A viagem durou três dias e meio; tínhamos preparado uma provisão coletiva de alimentos que fomos autorizados a levar conosco. Éramos 650 judeus…
Durante a viagem, a escolta da SS se mostrou dura e desumana; muitos foram espancados até correr sangue. Quando chegamos a Auschwitz, nos perguntaram quem era capaz de trabalhar.
De nós 96 respondemos afirmativamente, e em seguida nos conduziram a 7 km do campo até Buna Monowitz. Vinte e seis mulheres capazes de trabalhar foram transferidas ao campo de trabalho de Birkenau; todos os outros foram levados para as câmaras de gás!
Em nosso campo de trabalho havia alguns médicos judeus.
Lembro-me do dr. Coenka, de Atenas, do dr. Weiss, de Estrasburgo, do dr. Orensztejn, polonês, que se comportaram muito bem; não posso dizer o mesmo do dr. Samuelidis, de Salônica, que não escutava os pacientes que se dirigiam a ele em busca de tratamento e denunciava os enfermos à SS alemã!
Vários médicos franceses de nome Levy, ao contrário, se mostraram bastante humanos!
O nosso chefe de seção era o judeu holandês Josef Lessing, músico de orquestra profissional. Teve sob suas ordens de 20 a 60 homens e, na condição de responsável pela 98ª seção, demonstrou-se não apenas severo mas também cruel.

Retorno à pátria
Entre os trabalhadores daquele campo, me lembro de um tal Di Porto, romano, de um certo Pavoncello, ou melhor, Lello Perugia, também de Roma, de Eugenio Ravenna, comerciante, e de Giorgio Cohen, de Ferrara, além de um tal Venezia, um meio grego de Trieste. Dos trabalhadores daquele campo, 95% eram judeus!
A direção da fábrica na qual prestei os meus serviços não quis reconhecer os emolumentos devidos a nós por lei, e assim se deu que, ao voltar para o meu país, depois de vários anos, em seguida a uma ação legal comum movida pelos sobreviventes contra aquela fábrica, reconheceram e me pagaram 800 mil liras italianas como ressarcimento que me era devido nos termos da lei!
Após a chegada das tropas soviéticas, fomos novamente transferidos ao campo de Auschwitz, à espera de podermos ser repatriados.
A odisséia da volta foi bastante longa; os russos nos disseram que só poderiam fazer nossa repatriação por mar, embarcando-nos nada menos que em Odessa! Primeiramente nos transferiram para Katowice, depois para Minsk, depois para Sluck e, quando Deus quis, retornamos finalmente à Itália.

Este texto saiu no “La Repubblica”. Tradução de Maurício Santana Dias .

Jornal Folha de S. Paulo
www.uol.com.br

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Reitor do ABC é julgado em Tribunal de Júri Popular; Roberto Tardelli será o promotor

O reitor da Fundação Santo André, Odair Bermelho, será julgado nesta quarta-feira, dia 10, por um Tribunal do Júri Popular por ter chamado a Polícia Militar para reprimir uma manifestação de estudantes que protestavam contra o aumento das mensalidades, no ultimo dia 13. Na
oportunidade vários alunos foram feridos. A polícia não poupou nem mesmo um estudante que tem parte do braço direito amputado e o espancou.

O promotor do Tribunal será o Dr. Roberto Tardelli, promotor de Justiça do 1º Tribunal do Júri da Capital. O advogado de defesa, caso o reitor não indique ninguém para defendê-lo, será Dr. Yvan Miguel, coordenador do núcleo Advogados do Povo de São Paulo. O juiz será Dr. Arthur Pinto Filho, promotor criminal da capital e assessor da Escola Superior do Ministério Público. O reitor foi formalmente convidado para se apresentar ao Tribunal.

O julgamento ocorrerá no auditório da Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), também conhecido como Pinicão, às 19h30.

Mais informações: Lúcia Rodrigues (8202-6413)

Endereço da Fundação Santo André: avenida Príncipe de Gales, 821, Bairro Príncipe de Gales – Santo André

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Detida a cúpula do Batasuna

A antiga e a nova diretoria -22 pessoas- foram presas em uma reunião ilegal

José Yoldi
Em Madri

O juiz Baltasar Garzón ordenou na tarde de quinta-feira que as Forças de Segurança do Estado detivessem 22 pessoas que formavam a antiga e a nova Mesa Nacional do Batasuna [o grupo separatista União da Esquerda Basca]. Todos os detidos se encontravam em Segura (Guipúzcoa), onde realizavam uma reunião clandestina na qual, segundo os investigadores, ocorria uma espécie de transferência de poderes da antiga mesa nacional para os novos integrantes.

Entre os detidos estão Joseba Permach, Juan José Petrikorena, Rufino Etxeberria, Cruz Aldasoro, Marije Fullaondo e Tomás Elajandro. Também figuram membros do Ekin e do ANV, partido para o qual o Batasuna pediu votos nas últimas eleições municipais e que não pôde concorrer em mais de 133 municípios de Euskadi e Navarra [País Basco espanhol] porque o Supremo Tribunal entendeu que suas listas representavam uma continuação do grupo que foi considerado ilegal.

A operação policial se desenvolveu de maneira muito rápida. Em três minutos os agentes detiveram as 22 pessoas que estavam reunidas em um local social da subprefeitura de Segura para organizar o futuro do Batasuna. Na noite de ontem começaram a ser conduzidas à delegacia de San Sebastián. Depois da detenção, os agentes revistaram os domicílios de todos os detidos, incluindo o de Permach em Zarautz.

A atual Mesa Nacional do Batasuna foi eleita em 18 de março do ano passado, quatro dias antes de o ETA anunciar o cessar-fogo. As faces visíveis da mesa nacional são Arnaldo Otegi (preso desde 8 de junho), Joseba Permach (detido na quinta-feira) e Pernando Barrena, que atuam como porta-vozes. Entre os presos na quinta-feira não estava Barrena, que hoje deverá participar de uma reunião com o Sinn Fein da Irlanda do Norte. O próprio Barrena confirmou à agência Europa Press que se encontrava ontem à noite em Pamplona.

Os separatistas radicais têm uma forte presença em Segura, o município onde Garzón ordenou na quinta-feira a batida policial. A polícia irrompeu em um local social desse povoado de 1.200 habitantes onde a ANV não pôde se apresentar nas últimas eleições municipais e se registraram 297 votos nulos (38% do total). A lista independente que conseguiu 92% dos votos, Segura Lantzen, é uma plataforma integrada por membros do PNV e do EA. Depois das eleições esses partidos decidiram renunciar a três dos nove assentos que haviam obtido. O povoado estava ontem à noite totalmente tomado pelas forças de segurança e com os acessos bloqueados.

Não é a primeira vez que os dirigentes do Batasuna organizam reuniões clandestinas. A polícia tinha conhecimento da reunião convocada para a noite de quinta-feira e enviou ao juiz um relatório sobre o lugar do encontro e o objetivo do mesmo, ao que parece, a transferência de poderes da antiga direção para a nova.

Os dirigentes do Batasuna já tinham sido avisados pelo juiz sobre a possibilidade de serem detidos caso organizassem encontros clandestinos. No último auto de Garzón, diante da petição das acusações populares (Associação de Vítimas do Terrorismo e Associação Dignidade e Justiça) de que os líderes da formação ilegal fossem presos, o juiz indicou que procederia à detenção dos dirigentes caso convocassem reuniões ilegais e secretas.

O delito que o magistrado atribui aos reunidos é integração em organização terrorista, pelo qual alguns deles já eram processados pelo próprio juiz. Tanto Garzón como o Ministério Público consideram que as reuniões mantidas durante o “cessar-fogo permanente” da organização terrorista tinham como objetivo o fim da violência. No entanto, depois do rompimento da trégua as reuniões têm um propósito diferente, que atende às finalidades da organização terrorista ETA, e por isso deve-se considerar a reincidência no delito.

A operação ordenada por Garzón se inscreve na causa 35/2002 aberta contra o Batasuna por sua ligação com o ETA. O juiz decretou há cinco anos a suspensão de sua atividade, coincidindo com o processo aberto pelo governo, em aplicação da Lei de Partidos, e que concluiu com a proscrição do Batasuna pelo Supremo Tribunal.

O juiz da Audiência Nacional considerou agora que todos os dirigentes reunidos na quinta-feira realizavam atividades ilegais. Garzón afirma que, como o Batasuna é uma organização ilegal que tem suas atividades suspensas, a reunião de seus dirigentes poderia representar uma reincidência delituosa.

Isto quer dizer que os membros do Batasuna que já estavam sendo processados, como Joseba Permach, ingressarão previsivelmente em prisão, enquanto sobre os restantes o juiz decidirá de acordo com seu suposto envolvimento no delito de pertencer à organização terrorista. Os detidos passarão no próximo domingo à disposição da justiça.

Nos últimos meses os juízes decidiram a prisão de Arnaldo Otegi, porta-voz do Batasuna, e de Juan María Olano, líder do Askatasuna. Garzón também ordenou na última terça-feira a detenção de Joseba Álvarez, outro dirigente do Batasuna, e de Oihana Agirre, por convocar uma manifestação ilegal. O juiz ouvirá esta manhã o depoimento de Álvarez e Agirre para decidir se serão presos. O dirigente do Batasuna é processado por Garzón pelo delito de integração em grupo terrorista. Sua atuação na convocação da manifestação ilegal constitui, segundo o juiz, um ato de reincidência. Pelo mesmo motivo Garzón prendeu Olano.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves.

El País
http://www.elpais.com/

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