Arquivo de 11 de Outubro de 2007

Junta militar esconde os monges de Mianmar

Aguarda-se uma deportação maciça de budistas para o norte do país

Álvaro Decózar
Enviado especial a Bangcoc

Ninguém vê o que está acontecendo em Mianmar (antiga Birmânia), mas as notícias continuam chegando. Apesar do esforço da junta militar para silenciar seu massacre contra os cidadãos rebeldes e passar boa aparência para a diplomacia internacional, um vazamento deixou claro o posicionamento dos militares que controlam o país: cerca de 4 mil monges foram presos nas manifestações da semana passada e serão levados em segredo para o norte de Mianmar, segundo a BBC, que citou fontes dos grupos paramilitares financiados pelo governo.

Os monges budistas que lideraram os protestos estão sendo confinados num colégio e num antigo recinto esportivo, e alguns deixaram de comer. A transferência secreta dos monges dá uma idéia de que o governo militar resiste a perder a guerra da mídia. De Yangun (nome dado a Rangum, a antiga capital da Birmânia) não chegam imagens do que está acontecendo, e as notícias que a imprensa do regime transmite pintam um panorama cor-de-rosa, com os dirigentes risonhos e dispostos a receber os diplomatas da ONU. Mas tantas boas notícias são sempre más notícias, e sua única intenção é que o interesse pelo que ocorreu nos últimos dias nesse país longínquo comece a diminuir.

Ontem, em um exagero ridículo, os grupos paramilitares próximos ao regime se dedicavam a recrutar a população mais pobre das cidades para participar de uma contramanifestação a favor do governo, em troca de míseros US$ 2, sob a ameaça de ter de pagar US$ 7 se não quisessem ter problemas mais graves, informou ontem a rádio Mizzima, um canal de jornalistas birmaneses que transmite de países vizinhos como a Tailândia.

Mesmo assim, a voz dos birmaneses busca qualquer recurso para se expressar livremente. Como a mulher que atende ao telefone em Yangun, a cerca de 575 km de Bangcoc, e faz um relato que mais ou menos concorda com os outros depoimentos que estão chegando dos grupos dissidentes: toques de recolher, proibições de andar com mais de quatro pessoas pela rua, detenções por portar câmeras e tiros dos soldados que acabaram com muitas vidas.

A voz firme do outro lado da linha conclui seu relato dizendo que não pode falar, que os soldados ficharam todo mundo e pede que não se deixe de informar sobre o que está acontecendo. “Vamos resistir”, diz antes de desligar.

O que acontecerá em Mianmar nos próximos dias depende muito disso e da pressão que se fizer sobre o país. Por um lado, os cidadãos tentam suportar as batidas dos soldados e continuar com os protestos, que são sempre dissolvidos à base de agressões e tiros. Por outro, o governo tenta aceitar as duras mensagens da comunidade internacional e lava as mãos, admitindo a entrada do enviado especial da ONU ao conflito, o nigeriano Ibrahim Gambari.

O delegado conseguiu se reunir no último domingo com a líder do movimento democrático birmanês, Aung San Suu Kyi, e ontem anunciou que provavelmente se encontrará hoje com o chefe da junta militar, general Than Shwe. Gambari tentará fazer que o homem-forte de Mianmar, considerado por muitos analistas o principal obstáculo para a reconciliação nacional, o escute e deixe de ordenar a repressão aos protestos, que chegaram a reunir, com os monges budistas na primeira linha, 150 mil pessoas que pediam um governo democrático e o fim da pobreza na região.

Eles reivindicam hoje mais intensamente porque estão assim há 45 anos, com militares como Shwe dizendo o que devem fazer em cada momento. Houve apenas uma eleição em todo esse tempo, em 1990. Então o partido oficial perdeu da Liga Nacional pela Democracia, de Suu Kyi, que obteve 82% dos votos, e os militares não gostaram do resultado; decidiram não respeitá-lo e de passagem prenderam a prêmio Nobel da paz.

Em Bangcoc, enquanto isso, os jornalistas tentam conseguir vistos para entrar no país. A embaixada de Mianmar não os concede a ninguém, nem mesmo aos diplomatas que tentam se encontrar com as autoridades locais. Ontem a embaixadora espanhola para os Direitos Humanos, Silvia Escobar, deixou a capital tailandesa sem conseguir entrar na Birmânia. Escobar anunciou que entrará em contato com a secretaria de Estado de Cooperação para pedir ajuda humanitária e tentar resolver os problemas mais imediatos da população birmanesa: a fome e as doenças. “Vamos persistir em nossa intenção de visitar o país para tentar fazer a situação melhorar. Por enquanto nos disseram que não darão vistos enquanto não dermos um programa detalhado de com quem queremos nos encontrar.”

Ninguém pode entrar e não parece que seja fácil sair. Ontem o jornal tailandês “Bangkok Post” publicou uma foto de cerca de 30 pessoas que conseguiram sair do país pela fronteira da Tailândia, no distrito de Chiang Rai. Os refugiados foram detidos pela polícia tailandesa e devolvidos a Mianmar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves.

El País
http://www.elpais.com/

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Melhores do Congresso

Vote nos parlamentares do PSOL

O sítio de notícias “Congresso em Foco” iniciou na última terça-feira (18/9) a votação que definirá os melhores congressistas do país deste ano. Até 18 de novembro o internauta poderá votar. Na primeira etapa votaram 188 jornalistas que cobrem o Congresso Nacional, que selecionaram 25 deputados e 16 senadores. Todos os parlamentares do PSOL – Ivan Valente, Chico Alencar, Luciana Genro e o senador José Nery - ficaram entre os 15 primeiros.

Meus votos são:

Ivan Valente (Deputado Federal Psol SP)
José Nery (Senador Psol PA)

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Metade dos brasileiros vive sem rede de esgoto

Coleta e tratamento de esgoto cresce apenas 0,4% ao ano; na região Norte quase 95% estão sem atendimento
10/10/2007

Eduardo Sales de Lima
da Redação

O Brasil tem um déficit de 53% no atendimento da coleta e tratamento de esgoto. Mais da metade dos brasileiros vivem em condições precárias. E o pior, desde 1992, o acesso à coleta e tratamento de esgoto cresce apenas 0,4% por ano. Esses números constam no estudo realizado pelo economista Marcelo Neri, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Neri destaca que, nas áreas metropolitanas, 37% dos domicílios não são cobertos pela rede geral de tratamento de água e esgoto. Seu estudo surpreende ao revelar que, em Porto Alegre (RS), em particular, e na região Sul, em geral, as taxas de acesso ao saneamento básico estão em níveis inferiores aos do Nordeste. O Sul tinha 13,5% da população atendida pela rede de tratamento de água e esgoto, em 1992, e hoje o índice é de 25,8%. De 2003 a 2006, a média per capita anual de investimento em saneamento nessa região com recursos federais foi de R$ 7,07. Outra surpresa. No Rio de Janeiro, em terceiro e quarto piores lugares estavam Rio das Ostras e Búzios, destinos turísticos e áreas ricas por conta dos royalties de petróleo.

O estudo aponta que o Sudeste é a única região onde a maioria da população é atendida pela rede de água e esgoto, 75,6%. O Nordeste tem 26,3% e foi a região que mais recebeu investimentos federais entre 2003 a 2006, cerca de R$ 10,83 por pessoa/ano. A segunda região com melhor índice é a Centro-Oeste, 30,47%. A região Norte apresenta um cenário bem abaixo da média nacional, com míseros 5,24% de atendimento.

25 anos em 4

O orçamento do saneamento básico no Brasil tem, basicamente, três fontes: o Orçamento Geral da União, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), por meio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os dois últimos se enquadram na lista de recursos onerosos (empréstimos). Ainda há recursos dos próprios Estados e municípios. De 2003 a 2006, foram desembolsados pelo governo federal R$ 6,3 bilhões para a área de saneamento.

Porém, a tímida ação governamental no setor da infra-estrutura social não tem sido privilégio do governo atual. “O Brasil ficou 25 anos sem investir em saneamento ou habitação. O início do ajuste fiscal coincidiu (não por acaso) com o recuo nos investimentos no ano de 1980”, explica a urbanista e ex-secretária-executiva do Ministério das Cidades, Ermínia Maricato.

Para ela, o investimento de R$ 40 bilhões alardeado pelo governo federal pode se tornar um sério risco para as contas públicas, apesar de sua necessidade. “O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com a previsão de investimento de R$ 40 bilhões em 4 anos, é menos do que é necessário para resolver o problema, mas é muito mais do que o Estado brasileiro tem capacidade de gastar hoje”, atesta.

Ermínia reitera que a capacidade operacional do Estado foi destruída durante 25 anos de ausência de políticas sociais e entende que, mesmo que a política de saneamento não tenha sido a adequada na segunda metade dos anos de 1970, a falta dela trouxe de volta as epidemias nas cidades.

PAC

Segundo Márcio Galvão Fonseca, diretor de Água e Esgoto do Ministério das Cidades, o órgão possui um orçamento do FGTS que não tem sido possível de ser aplicado. “Não é porque não tenha o orçamento. Ele estava disponível. O problema é que Estados e municípios e as companhias de saneamento, na maioria, não conseguiam pegar esses recursos. Agora, o PAC vem ajudar a obtê-los”, explica.

Márcio afirma que o Conselho Monetário Nacional (CMN), em decorrência do PAC, vai aumentar o limite fiscal (endividamento) do setor público durante o período de implementação do programa e os recursos colocados pelo FGTS poderão, assim, ser retirados. “A gente inicia uma nova realidade nunca vista antes de investimentos. Estimamos R$ 178 bilhões para universalizar o acesso de água e esgoto aos brasileiros” afirma Márcio. Ou seja, de acordo com o Ministério das Cidades, se fossem investidos R$ 10 bilhões por ano durante 20 anos na área de saneamento básico, seria possível atender toda população.

Essa universalização do saneamento básico, porém, dificilmente pode ser alcançada dentro dos moldes do PAC, que terá recursos do Orçamento, do FAT, do FGTS e do setor privado. Para Edson Aparecido da Silva, assessor técnico de saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), as regiões não-rentáveis economicamente ainda podem sofrer muito com a falta de saneamento.

“Isso acontece porque os investimentos necessários para resolver o problema de coleta e tratamento de esgoto são muito altos e sempre tiveram dificuldade no financiamento. “Acre, Rondônia e Pará têm entre 50% e 61% da população com rede de abastecimento de água. É um número muito baixo. Santa Catarina, Amazonas e Tocantins têm entre 30% e 50% da população que tem abastecimento de água”, aponta Edson.

Jornal Brasil de Fato
ttp://www.brasildefato.com.br/

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Por trás dos links, as pessoas

Há dois séculos, a ciência descobriu e passou a analisar as redes. Há vinte anos, elas estão revolucionando o jeito de a sociedade se relacionar consigo mesma.

Dalton Martins, Hernani Dimantas

O matemático suíço Leonhard Euler foi, em 1780, o precursor do pensamento analítico sobre redes. Suas primeiras idéias diziam que eram compostas por nós e links — elos que ligam os nós. Os links são aleatoriamente espalhados entre os nós, formando redes de distribuição aleatória. A teoria de Euler aponta para o caos, ao sustentar que não existem nós centrais e que toda a rede é desprovida de hierarquia.

A palavra rede tem assumido novas conotações, e novas estruturas de comunicação surgiram, potencializando as possibilidades de conversação e circulação da informação. As estruturas matemáticas criadas por Euler para análise das redes passaram a ganhar maior relevância, mas muitas de suas previsões se mostraram sem sentido quando começamos a olhar para as redes sociais, a forma como os seres humanos se organizam — e para como se articulam nossas ações em rede.

Se Euler estivesse correto, os quase 6 bilhões de seres humanos (nós) no planeta deveriam ter aproximadamente o mesmo número de amigos (links). No entanto, nos anos 60, Stanley Milgram, um pesquisador da Universidade de Harvard, realizou um experimento que ficou conhecido como o “os 6 graus de separação”.

A compreensão popular do experimento de Milgram aponta que estamos a apenas 6 graus de qualquer pessoa no mundo. Exemplo: será que conheço alguém, que conhece outro alguém, que conhece alguém que te conhece? Estar no máximo a 6 níveis de separação de qualquer outra pessoa significa que o mundo é pequeno pra caramba.

O foco nas experiências sociais

Entretanto, os resultados que Milgram obteve de seus experimentos foram mais radicais. Bem diferentes. Ele descobriu situações como as seguintes:

> Três níveis de separação: algumas pessoas possuem links privilegiados, logo conseguem conectar-se com outras por três níveis de separação;

> Cem níveis de separação: outras pessoas precisam de em torno de cem links para chegarem a outras pessoas. É sinal de que são grupos de pessoas bem mal conectados, mal posicionados na estrutura das redes sociais;

> Sem links: muitas pessoas possuem poucos ou nenhum link, restando como verdadeiras ilhas isoladas dentro da sociedade.

Surge, do experimento de Milgram, uma nova forma de enxergar as redes. O foco está nas experiências sociais. Os nós não seriam conectados aleatoriamente uns aos outros. Alguns deles aglutinam posições estratégicas, como elos. Ou seja, pessoas assumem papéis de protagonismo social a partir de suas possibilidades de conexão com outras pessoas.

Para validar tal premissa, um sociológo norte-americano, Mark Granovetter, realizou um outro experimento no final dos anos 60. Tinha por objetivo pesquisar a forma como as pessoas procuravam emprego. Granovetter identificou que a sociedade era formada por grupos de pessoas, ou clusters. Ele percebeu que as pessoas que possuíam conexões ou relações distantes com outras fora círculo familiar tinham duas vezes mais chances de conseguir uma vaga do que pessoas que tinham mais conexões próximas apenas no âmbito da família e dos amigos próximos. A análise de Granovetter era de que grupos próximos mais fortemente conectados possuíam interesses similares, logo com menos possibilidades de inserção.

Um novo padrão de relações entre as pessoas

Essas descobertas geraram uma revolução no pensamento da sociologia da época. Novas propostas de como potencializar as conexões entre as redes sociais começaram a surgir. Pensando estrategicamente, o número de conexões era fundamental para ampliar a circulação da informação, seja de idéias, de vagas de emprego ou de experiências compartilhadas.

Coincidentemente ou não, estamos falando da mesma época do surgimento da Internet, as primeiras conexões entre computadores, permitindo que mensagens bastante simples fossem trocadas e que pessoas pudessem estabelecer novos links de conexão entre si.

A tecnologia que vinha sendo desenvolvida parecia permitir uma ampliação nesse potencial de conexão entre as pessoas, criando novas possibilidades de ampliação da capilaridade das redes sociais. Novas formas de conexão, de estabelecimento de links, novas formas de desenharmos nossas próprias redes e os grupos de pessoas organizados em torno da tecnologia. Surgia a dinâmica do virtual, do email, das listas de discussões e das possibilidades de nos linkarmos usando as tecnologias da rede.

De lá para cá, muitas idéias foram implementadas, muitas tecnologias foram desenvolvidas. Surgiram Yahoo, Google, Orkut, MySpace, Facebook, Ning, Blogger, Youtube e tantas outras possibilidades de conversação em rede. Das muitas promessas de ampliação da conexão e do “todos conversando com todos”, que as tecnologias da informação trouxeram, ainda observamos os mesmos padrões de comportamento das redes: clusters extremamente influentes nas articulações em rede e grupos isolados, com pouca ou nenhuma conectividade.

Novas tecnologias e novos desafios pela frente. O cenário está montado. Emerge um espaço para construção de um diálogo contínuo por várias lentes e percepções das dinâmicas de conversação, de desenvolvimento e ação que as novas tecnologias permitem a partir da construção de novas formas de redes sociais.

Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

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Manifestantes da Fundação pressionarão José Serra

Júlio Gardesani (julio@abcdmaior.com.br)

Bermelho é condenado por juri popular; estudantes querem ocupar reitoria novamente

Continua a pressão contra o reitor da Fundação Santo André, Odair Bermelho. Nesta quinta-feira (11/10), alunos e professores da Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras vão até o Palácio dos Baneirantes para exigir a destituição de Bermelho. Na noite de quinta-feira (10/10), o reitor foi condenado por um tribunal simbólico. A reocupação da reitoria e de outros prédios da universidade não é descartada pelos estudantes, que estão com as aulas paralisadas há 29 dias.

A ida ao Palácio dos Bandeirantes, na Capital tem um objetivo: pressionar uma posição do governador José Serra sobre a crise da Fundação Santo André. Uma das propostas dos estudantes é que Serra estadualize a Fundação, tornando=a uma universidade pública e gratuita, gerida pelo governo estadual.

Além da pressão sobre o governo tucano, os estudantes irão votar na próxima assembléia a proposta de ocupar os prédios administrativos da universidade: a Casa Amarela, local onde ficam as atribuições jurídicas e financeiras da instituição, ou, pela segunda vez, a própria reitoria.

“Temos que entender que foi a ocupação que nos trouxe até aqui, mas não foi nenhuma brincadeira aquela noite fatídica. Apanhamos muito, e muitos que estão aqui não conseguem nem ficar acampados dentro da Fafil, mas a ocupação deve ser realizada para que possamos mostrar que estamos mais fortes do que nunca”, afirmou S.V., estudante de história que não quis se identificar.

O estudante se referiu à ocupação da reitoria, em 13 de setembro, pelos estudantes, que se manifestavam contra a possibilidade de aumento das mensalidades. Na ocasião, o reitor Odair Bermelho acionou a Polícia. PMs da Força Tática do 10º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano invadiram o campus, espancaram e prenderam vários estudantes e professores. A ação da polícia iniciou a greve na Fafil, extendida a alguns cursos da FAeco (Faculdade de Economia).

Julgamento – Nesta quarta-feira (10/10) o reitor Odair Bermelho foi julgado e condenado por um Tribunal de Juri Popular. Bermelho foi considerado o culpado pela violenta ação da Polícia Militar como mandante da da invasão, recebendo com sentença a destituição do cargo.

O juiz foi Arthur Pinto Filho, promotor criminal da Capital e assessor da Escola Superior do Ministério Público. O promotor de Justiça do 1º Tribunal do Júri da Capital, Roberto Tardelli, foi o responsável pela acusação do reitor e Yvan Miguel, coordenador do núcleo Advogados do Povo de São Paulo, fez a defesa de Bermelho. “Faço a defesa a muito contra a minha vontade, mas como a reitoria não apresentou ninguém para defendê-los, faço este papel, pois ninguém pode ser julgado sem um advogado. Somos democráticos”, afirmou Ivan.

Durante a apresentação da acusação, Tardelli comparou a gestão do reitor Bermelho com o regime nazista alemão comandado por Adolf Hitler, além de traçar um paralelo entre a crise da Fundação e a que atinge o presidente do senado, Renan Calheiros. “Esse reitor é um morto-vivo, e está perdido e indignado que esses bravos jovens estão dispostos a tirá-lo de seu ‘cantinho confortável’. A saída dele é o último gesto de nobreza para que este homem possa recuperar sua dignidade. A Fundação é de todos, é do povo. Saia já daí Bermelho”, afirmou Tardelli, que ao final de sua acusação foi aplaudido de pé pelos alunos e professores.

Arte – Os estudantes que estão acampados dentro do prédio da Fafil, promoveram uma mostra com obras e quadros do artista Gontran Guanaes Netto, vice-presidente do Museu Internacional Contra o Apartheid e membro da Brigada Internacional de Pintores Anti-Fascista e professor de arquitetura da Universidade de Nantes, na França.

“Esses estudantes representam a vanguarda da sociedade brasileira, e não lutam apenas pela melhoria da educação, mas sim pelo futuro do Brasileira. Dou meu total apoio à esses jovens fantásticos que estão transformando a sociedade”, afirmou Gontran.

ABCD Maior

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CHE

Há personagens com uma tal estatura histórica que, independente dos adjetivos e de todos os advérbios, ainda assim não conseguimos retratá-los em nada que possamos dizer ou escrever. O que falar de Marx, que permaneça à sua altura? O que escrever sobre Fidel?

Hegel dizia que existem personagens cuja biografia não ultrapassa o plano da vida privada, enquanto outros são os personagens cósmicos, estes cujas biografias coincidem com o olho do furacão da história.

O Che é um destes personagens cósmicos. Basta dizer que, independente de qualquer campanha publicitária, sua imagem transformou-se na mais vista do século XX e assim continua neste novo século. Nenhum esportista, artista ou músico, mesmo com bilionárias promoções pelo mundo globalizado afora, se mantém num lugar parecido. O Che veio para ficar.

Novas gerações, nascidas depois da morte do Che, continuam identificando-se com sua imagem, com seu sentimento de rebeldia, com sua coragem, com sua luta implacável contra toda injustiça.

Não vou gastar palavras inúteis para falar do Che. Basta reproduzir algumas das suas frases, que selecionei para o livro “Sem perder a ternura”.

“A única coisa em que acredito é que precisamos ter capacidade de destruir as opiniões contrárias, baseados em argumentos ou, senão, deixar que as opiniões se expressem. Opinião que precisamos destruir na porrada é opinião que leva vantagem sobre nós. Não é possível destruir as opiniões na porrada e é isso precisamente que mata todo o desenvolvimento da inteligência…”

“Nós, que, pelo império das circunstâncias, dirigimos a revolução, não somos donos da verdade, menos ainda de toda a sapiência do mundo. Temos que aprender todos os dias. O dia que deixarmos de aprender, que acreditarmos saber tudo, ou que tivermos perdido nossa capacidade de contato ou de intercâmbio com o povo e com a juventude, será o dia em que teremos deixado de ser revolucionários e, então, o melhor que vocês poderiam fazer seria jogar-nos fora…”

“Deixa-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor.”

“Nosso sacrifício é consciente. É a cota que temos de pagar pela liberdade que construímos.”

“Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um tipo diferente, destes que entregam a própria pele para demonstrar suas verdades.”

“Sobretudo, sejam capazes de sentir, no mais profundo de vocês, qualquer injustiça contra qualquer ser humano, em qualquer parte do mundo.” (Carta de despedida aos filhos)

“É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais.”

“Que importam os perigos ou os sacrifícios de um homem ou de um povo, quando está em jogo o destino da humanidade.”

“É um dos momentos em que é preciso tomar grandes decisões: este tipo de luta nos dá a oportunidade de nos convertermos em revolucionários, o escalão mais alto da espécie humana, mas também nos permite graduar como homens.”

“Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais completos; somos mais completos porque somos mais livres.”

Emir Sader

Carta Maior
http://www.agenciacartamaior.com.br/

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Apoio à nossa luta na FSA

1) Aziz Ab’Saber – Geografia USP (aposentado)
2) Lincoln Secco - História USP
3) Ricardo Musse - Sociologia USP
4) Cilaine Alves Cunha - Letras USP
5) Fernando Novais - História USP / Unicamp
6) Roberto Schwarz - Letras Unicamp (aposentado)
7) Maria Célia Paoli - Sociologia USP
8) Leda Paulani - Economia USP
9) Maria Arminda do Nascimento Arruda - Sociologia USP
10) Marcos Del Roio - Ciência Política Unesp Marília
11) Paulo Eduardo Arantes - Filosofia USP
12) Marcos Silva - História USP
13) Marineide de Oliveira Gomes – Pedagogia USP Ribeirão Preto
14) Caio Navarro de Toledo – Ciência Política Unicamp
15) Selma Borghi Venco – Sociologia Unicamp
16) Franklin Leopoldo e Silva – Filosofia USP
17) Lighia Brigitta Horodynski-Matsushigue – Física USP
18) Zilda Iokoi – História USP
19) Otília Fiori Arantes – Filosofia USP
20) Mariana Fix – Design Facamp (Faculdades de Campinas)
21) Ivone Dare Rabello – Letras USP (aposentada)
22) Suzana Salem Vasconcelos – Física USP
23) Luiz Eduardo Simões de Souza – Economia Uergs (Universidade Estadual
do Rio Grande do Sul)
24) Paulo Henrique Martinez - História Unesp Assis
25) Luís Fernando Ayerbe - Relações Internacionais Unesp Araraquara
26) Jesus Ranieri - Sociologia Unicamp
27) Heloísa Fernandes - Sociologia USP e Escola Nacional Florestan
Fernandes do MST
28) Amarílio Ferreira – UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
29) Valério Arcary - História CEFET/SP (Centro Federal de Educação
Tecnológica de São Paulo)
30) João Francisco Tidei Lima – Unesp Bauru
31) Lidiane Soares Rodrigues – Doutoranda História USP
32) Alcir Pécora - Letras Unicamp
33) Anita Handfas – Educação UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
34) Margareth Rago - História Unicamp
35) Vera Lucia Vieira - História PUC-SP
36) Arlete Moyses Rodrigues – Geografia Unicamp
37) Antônio Miguel - Educação Unicamp
38) Ronilde Rocha - Consultora em educação e ensino de História e
professora da rede municipal de São Paulo (aposentada)
39) Francisco Foot Hardman - Letras Unicamp
40) Márcio Naves – Sociologia Unicamp
41) Élide Menezes Centofanti – Psicologia UMC (Universidade de Mogi das
Cruzes) aposentada
42) Maria Luiza Jovanovic - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
43) Paulino Cardoso - História Udesc (Universidade do Estado de Santa
Catarina)
44) Claudia Sapag Ricci - História UFMG (Universidade Federal de Minas
Gerais)
45) Olga Brites - História PUC-SP
46) Mário Fernando Bolognesi - Artes Unesp São Paulo
47) Antônio Carlos Mazzeo – Ciência Política Unesp Marília
48) Maria Victória Benevides - Educação USP
49) Adalberto Paranhos – Ciências Sociais UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
50) Edilson Graciolli – Ciências Sociais UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
51) Fernando Antonio Lourenço - Sociologia Unicamp
52) Agnaldo dos Santos – Administração Uninove (Centro Universitário Nove
de Julho)
53) Glória Anunciação Alves – Geografia USP
54) Elvio Rodrigues Martins – Geografia USP
55) Regina Helena Alves da Silva - História UFMG (Universidade Federal de
Minas Gerais)
56) João Bernardo – professor e escritor
57) Valeria de Marcos - Geografia USP
58) Pedro Arantes - Design Facamp (Faculdades de Campinas)
59) Rafael Marquese - História USP
60) Ana Fani Alessandri Carlos - Geografia USP
61) Déa Ribeiro Fenelon - História PUC-SP e Unicamp (aposentada)
62) Brás Ciro Gallota - História PUC-SP
63) Francisco Alambert - História USP
64) Vera Lúcia Santiago Araújo - Letras UECE (Universidade Estadual do Ceará)
65) Silvia Hunold Lara - História Unicamp
66) Sidney Chalhoub - História Unicamp
67) Letícia Vidor de Souza Reis - História Unimep (Universidade Metodista
de Piracicaba)
68) Ivone Cordeiro Barbosa - História UFC (Universidade Federal do Ceará)
69) Manoela da Silva Pedroza - Doutoranda Unicamp
70) Joviniano Borges da Cunha - Universidade Anhembi-Morumbi
71) Bernardo Boris Vargaftig – Ciências Biomédicas – USP
72) Heloisa de Faria Cruz - História PUC-SP
73) Claudia Poncioni - Université Paris X - França
74) Jean-Yves Mérian - Université Rennes2 - Haute Bretagne - França
75) Roberto Romano - Filosofia Unicamp
76) Luiz Roberto Alves – Jornalismo Umesp (Universidade Metodista de São
Paulo) e ECA-USP
77) Marcos Arruda – professor visitante universidades do exterior
78) Cid Benjamin – Comunicação Social Facha (Faculdade Hélio
Alonso)
79) Laura Antunes Maciel - História UFF (Universidade Federal
Fluminense)
80) Maria Antonieta Antonacci - História PUC-SP
81) Paulo Roberto de Almeida - História UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
82) Bento Itamar Borges - Filosofia UFU (Universidade Federal de Uberlândia)
83) Rejane Meireles Amaral Rodrigues - História UNIMONTES/MG
84) Osvaldo Coggiola – História USP
85) Inessa Laura Salomão - Engenharia de Produção - CEFET/RJ (Centro
Federal de Educação Tecnológica)
86) Helena Hirata - Sociologia CNRS (Centre National de la Recherche
Scientifique) – França
87) Normando Rodrigues - Direito UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro)
88) Ana Maria Silva - Turismo Fefisa (Faculdades Integradas de Santo André)
89) Luiz Carlos Pereira - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
90) Fábia C. Alegrance - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
91) Luciana Vieira de Melo Kuk - Fisioterapia Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
92) Margareth Anderáos - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
93) Nicolino Bello Júnior - Educação Fisica Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
94) Sérgio Garcia Stella - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
95) Ricardo Zanuto Pereira - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
96) Rosemarie C. Sanches - Turismo Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
97) Vinicius J. B. Martins - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
98) Sueo Hirota - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
99) William S. Freitas - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
100) Marcelo Reina Siliano - Fisioterapia Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
101) Edvar Boechat Soares - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
102) Isilda M. R. Cavicchioli - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
103) Maria Teresa B. Martins - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
104) Maria Eliza M. Bernardes - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
105) Rosana Delfini - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de
Santo André)
106) Evando Carlos Moreira - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
107) Fabiano João - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas de Santo
André)
108) Sandra Maria Tedeschi - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
109) Albertina O. C. Misko - Educação Física Fefisa (Faculdades Integradas
de Santo André)
110) Gilberto de Andrade Martins – Contabilidade USP
111) José Artur Gianotti – Filosofia USP (aposentado) e pesquisador do
Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)
112) Heloisa Martins - Sociologia USP (aposentada)
113) Angelina Peralva - Sociologia Universidade de Toulouse II -
França
114) João Zanetic – Física USP e ex-presidente da Adusp (Associação dos
Docentes da USP)
115) Nadia W. Hanania Vianna - Administração USP (aposentada)
116) Francisco Luiz C. Lopreato – Economia Unicamp
117) Denis Maracci Gimenez – Economia Unicamp
118) Wilson Cano – Economia Unicamp
119) Gabriel de Santis Feltran - Doutorando Unicamp
120) Otaviano Helene – Física USP e presidente da Adusp (Associação dos
Docentes da USP)
121) Daciberg Lima Gonçalves – Matemática USP
122) Lucília Daruiz Borsari - Matemática USP
123) José Dari Krein – Economia Unicamp
124) Antonio Lázaro Sant´Ana - Unesp Ilha Solteira
125) Elmir de Almeida – Pedagogia USP Ribeirão Preto
126) Geraldo Leão - Educação UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)
127) Américo Scotti - Engenharia Mecânica UFU (Universidade Federal de
Uberlândia)
128) Estefânia Knotz C. Fraga - História PUC-SP
129) Luiz Henrique dos Santos Blume - História UESC (Universidade Estadual
de Santa Cruz - BA)
130) Alexandre Fortes - História / Economia UFRRJ (Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro)
131) Fernando Teixeira da Silva - História Unicamp
132) Raimundo Donato do Prado Ribeiro – coordenador de História Unimep
(Universidade Metodista de Piracicaba)
133) Ciro Teixeira Correia – Geologia USP
134) Marco A. Brinati – Engenharia Naval USP e ex-vice-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
135) Cláudia Pereira Vianna – Educação USP
136) Maria da Graça Setton – Educação USP
137) Elie Ghanem – Educação USP
138) Rosângela G. Prieto – Educação USP
139) César Augusto Minto - Educação USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
140) Américo Sansigolo Kerr – Física USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
141) Paulo Luiz Miadaira - Faculdade São Luís e Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo
142) Daniel Revah - Pedagogia Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
143) Manoela da Silva Pedroza - Doutoranda Unicamp
144) Henrique Soares Carneiro – História USP
145) Sérgio Paulo Amaral Souto - Zootecnia USP
146) Marcus Aloízio Martinez de Aguiar - Física Unicamp
147) Artionka Capiberibe - Doutoranda UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro)
148) Lucimara Batista Freire - Faculdade Anchieta - São Bernardo do Campo
149) Théo Lobarinhas Piñeiro - História UFF (Universidade Federal Fluminense)
150) Alexsander Lemos de Almeida Gebara - História UFF (Universidade
Federal Fluminense)
151) Theresa Beatriz Figueiredo Santos - Diretora da Faculdade de Ciências
Humanas da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba)
152) Daniel Aarão Reis - História UFF (Universidade Federal Fluminense)
153) Antonio Paulo Rezende - História - UFPE (Universidade Federal de
Pernambuco)
154) Marcos Nascimento Magalhães – Matemática USP e ex-presidente da Adusp
(Associação dos Docentes da USP)
155) Maria Clara Di Pierro – Educação USP
156) Moacir Gadotti – Educação USP
157) Lisete R. G. Arelaro – Educação USP
158) Afrânio Mendes Catani – Educação USP
159) Lúcia E. Barreto Bruno – Educação USP
160) Doris Accioly e Silva – Educação USP
161) Roberto da Silva – Educação USP
162) Rubens Barbosa de Camargo – Educação USP
163) Vânia Noeli Ferreira de Assunção - História Cogeae PUC-SP
164) Antonio Ozaí da Silva – Ciências Sociais UEM (Universidade Estadual
de Maringá)
165) Joana Aparecida Coutinho - Ciência Política - UFMA (Universidade
Federal do Maranhão)
166) Antônio José Lopes Alves – Filosofia Colégio Técnico da UFMG
(Universidade Federal de Minas Gerais)
167) Sabina Maura Silva – Filosofia Fundação Helena Antipoff – Minas Gerais
168) Maria Helena da Silva – Diretora EE Carlos Drummond de Andrade
169) Conceição Gonçalves de Toledo - vice-diretora EE Carlos Drummond de
Andrade
170) Francisco Josino da Silva - EE Carlos Drummond de Andrade
171) Roni Cleber Dias de Menezes - Educação USP
172) Everton Capri Freire – ex-professor de Jornalismo Fiam (Faculdades
Integradas Alcântara Machado)
173) Ronaldo Fabiano dos Santos Gaspar - Pedagogia Unicastelo e FAD
(Faculdade Diadema)
174) Luís Roberto de Paula – antropólogo e ex-professor da Fundação Santo
André
175) Alvaro Bianchi - Ciência Política Unicamp
176) Celia Maria Benedicto Giglio – Pedagogia Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo)
177) Marcos Antonio de Moraes – Letras USP
178) Marcos Pereira Rufino - Antropologia Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
179) Luiz Antonio Zimermann do Nascimento – São Paulo
180) Luís Esteban Dominguez – Semiótica Cogeae PUC-SP
181) Regina Maria de Souza - Educação Unicamp
182) Luci Banks Leite - Educação Unicamp
183) Pedro Tórtima – Direito UCAM (Universidade Candido Mendes) Rio de
Janeiro
184) Miguel Wady Chaia - Ciência Política PUC-SP
185) Tânia Elias Magno da Silva – Sociologia UFS (Universidade Federal de
Sergipe)
186) Henri de Carvalho - História - Unimesp (Centro Universitário
Metropolitano de São Paulo)
187) Valéria Alves Esteves Lima - História Unimep (Universidade Metodista
de Piracicaba)
188) Antonio Miguel - Educação Unicamp
189) Karen Macknow Lisboa - História Unifesp (Universidade Federal de São
Paulo)
190) Maria de Fátima Carvalho - Pedagogia Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
191) Regina Cândida Ellero Gualtieri – Pedagogia Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo)
192) Mônica Marques Pimenta de Andrade – Medicina UFU (Universidade
Federal de Uberlândia) – aposentada
193) Carlos Eduardo Albuquerque Miranda – Educação Unicamp
194) Carmen Roselaine de Oliveira Farias - Educação UFSCar (Universidade
Federal de São Carlos)
195) Vanicléia Silva Santos - Doutoranda História Social USP
196) Isabel Cristina Moroz - Doutoranda Geografia – USP
197) André Constantino Yazbek - Filosofia PUC-SP
198) Maria Goreti J. S. Frizzarini – Comunicação Social Cásper Líbero
199) Carlos Bauer - Uninove (Centro Universitário Nove
de Julho)
200) Marcos Cezar de Freitas – Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
201) Luigi Biondi – História Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
202) Leandro de Lajonquière - Educação USP
203) Luís Filipe Silvério Lima - História Unifesp (Universidade Federal de
São Paulo)
204) Teise de Oliveira Guaranha Garcia - Pedagogia USP Ribeirão Preto
205) Regina Maria de Souza - Educação Unicamp
206) Rinaldo Voltolini - Educação USP
207) João Quartim de Moraes – Filosofia Unicamp
208) Áurea M. Guimarães - Educação Unicamp
209) Carlos Serrano – Antropologia USP
210) Ruy Braga - Sociologia USP
211) Renato da Silva Queiroz – Antropologia USP
212) Sylvia Gemignani Garcia - Sociologia USP
213) José Guilherme C. Magnani - Antropologia USP
214) Lúcia Aparecida Valadares Sartório - Doutoranda Educação UFSCar
(Universidade Federal de São Carlos)
215) Celso Frederico – Comunicação Social ECA-USP
216) Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos - Letras USP
217) Maria Helena Oliva Augusto - Sociologia USP
218) Maria Lucia Montes – Antropologia USP
219) Iris Kantor – História USP
220) Sylvia Leser de Mello – Psicologia USP
221) Aparecida Néri de Sousa - Educação Unicamp
222) Maria Helena P.T. Machado - História USP
223) Gildo Magalhães dos Santos - História USP
224) Emir Sader – Sociologia USP e UERJ (Universidade do Estado do Rio de
Janeiro)
225) Eduardo Pinto e Silva – UFSCar (Universidade Federal de São Carlos)
226) Jose Roberto Zan - Artes Unicamp
227) Dirce Djanira Pacheco e Zan – Educação Unicamp
228) Maria Rosa Lombardi – Fundação Carlos Chagas
229) Stela Menegel – Educação Furb (Universidade Regional de Blumenal)
Santa Catarina
230) Márcio Suzuki - Filosofia USP
231) Roberto Heloani – Educação Unicamp e FGV (Fundação Getúlio Vargas)
232) Marcia Regina Andrade – Educação Unicamp
233) Rosivaldo Pelegrini – UEL (Universidade Estadual de Londrina) Paraná
234) Agueda Bernardete Bittencourt - Educação Unicamp
235) Patrícia Vieira Trópia - PUC-Campinas
236) Marcia Leite - Educação Unicamp
237) Flavio de Campos - História USP
238) Janice Theodoro da Silva - História USP
239) Pedro Lima Vasconcellos - Teologia e Ciências da Religião PUC-SP
240) Ulpiano T.Bezerra de Meneses - História USP
241) Laurindo Lalo Leal Filho - Jornalismo ECA-USP
242) Silvia Helena Andrade de Brito - Ciências Sociais e Educação UFMS
(Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
243) Jorge Grespan - História USP
244) Luís César Oliva - Filosofia USP
245) Andréia Galvão - Ciência Política – Unicamp
246) Luiz Carlos Jackson - Sociologia – USP
247) Andréa Maria Z. Afonso dos Santos - Museóloga Museu de Arte Sacra de
São Paulo
248) Gislane Azevedo - Historiadora e Assessora Pedagógica
249) Márcia Regina Berbel - História USP
250) Andréa Loparic - Filosofia USP
251) Silvia Dafferner - Letras FIA (Faculdade de Interação Americana) São
Bernardo do Campo
252) Tatiana Fonseca Oliveira - Doutoranda Sociologia Unicamp
253) Gabriel S. S. Lima Rezende - Doutorando Universidad de Granada – Espanha
254) Pedro Roberto Ferreira – Ciência Política UEL (Universidade Estadual
de Londrina) Paraná
255) Maria Pileggi – Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales - Paris
– França
256) Maria de Annunciação Madureira - Ciências Sociais UEL (Universidade
Estadual de Maringá)
257) Edméia Aparecida Ribeiro – História UEL (Universidade Estadual de
Londrina)
258) Giselli Avíncula Campos – Doutoranda UFF (Universidade Federal
Fluminense)
259) Nídia Nacib Pontuschska - Educação USP
260) Heloisa Buarque de Almeida - Antropologia USP
261) Maria Ligia Coelho Prado - História USP
262) Carlos Eduardo Carvalho – Economia PUC-SP
263) Silvio Duarte Bock - Educação Unicamp
264) Sandra Maria Gomes Scaravelli – Centro de Atenção à Inclusão Social
de Diadema
265) Lucineia M. Tukuzohi - Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
266) Miriam Mailho – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
267) Teófila de Araujo Silva – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
268) Andréa Franciulli Ferreira – Centro de Atenção à Inclusão Social de
Diadema
269) Belina de A. Caballeria – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
270) Vani Duarte Tones – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
271) Camilo L. Barbosa – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
272) Angélica Maria Ferreira – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
273) Ana Maria F. Val – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
274) Tamara Soares de Melo – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
275) Rachele Arnoni – Centro de Atenção à Inclusão Social de Diadema
276) Juca Gil – Uninove (Centro Universitário Nove de Julho)
277) Maria Eloísa Mortatti – Rede Estadual de São Paulo
278) Vera Lúcia Vieira - História PUC-SP
279) Vanessa de Paula Zagnole Baraldi- Mestranda Mackenzie
280) Carlos Alexandre Costa Correia - Ciência Política Faculdades Flamingo
281) Claudinei Cássio de Rezende - Mestrando Ciências Sociais – Unesp Marília
282) Rosangela Petuba - História UEPG (Universidade
Estadual de Ponta Grossa) Paraná
283) Osmar Fagundes de O. Junior - Educação Física Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)
284) Maria Fátima de C. Castro - Educação Física - Fefisa (Faculdades
Integradas de Santo André)

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A arte da Índia, em alta e agitando

Steven Henry Madoff
Em Mumbai, Índia

Para um ocidental não iniciado, chegar até uma das novas galerias de arte desta cidade pode ser um estudo desorientador de contrastes. Nas ruas lotadas atrás do hotel Taj Mahal Palace & Tower, onde o ar é carregado do cheiro de gasolina e flores, você é abordado por mulheres mendigando dinheiro e comida. Homens gritam convites para entrar em suas lojas de tapetes ou para comprar coisas como relógios, revistas, jaquetas de couro e cigarros.

Então, em uma rua estreita, você entra em um pátio onde um homem está sentado vestindo um uniforme preto de segurança. Ele não fala inglês, mas quando lhe é pedido uma direção, ele aponta para um lance de escada de madeira tão gasto que está empenado no meio. No alto, uma porta é aberta por uma mulher descalça em um sari escarlate. Atrás dela se encontra uma galeria de arte tão branca e polida quanto qualquer espaço em Chelsea.

Estas contradições não surgem de algum exotismo calculado. Esta é simplesmente a nova Índia.

“Não é como se não soubéssemos o que está acontecendo em Nova York, Berlim ou na China”, disse a marchande Usha Mirchandani em uma entrevista na galeria. “Nós apenas nos encontramos em uma nova posição e precisamos encontrar nosso caminho.”

“Somos uma civilização antiga. Temo tesouros incontáveis. Mas o que está acontecendo aqui desde o último ano e meio mudou as coisas, com o boom da economia, tanta arte sendo vendida e os preços indo às alturas.”

O mundo da arte indiana mais que mudou. Ele estourou. Os preços multiplicaram por dez desde 2002. Apenas nos últimos dois anos, eles quase dobraram. Obras dos artistas contemporâneos da Índia mais vendidos -Atul Dodiya e Subodh Gupta são os dois nomes mais freqüentemente citados- podem chegar a centenas de milhares de dólares. O preço em leilão de pinturas da geração mais velha de grandes modernistas indianos, como M.F. Husain ou F.N. Souza, podem facilmente passar de um milhão de dólares -pouco incomum para importantes artistas ocidentais, mas desconcertante em um país onde a renda média entre os 1,1 bilhão de habitantes é de cerca de US$ 820 por ano.

Apesar das metáforas habituais serem usadas para descrever a nova cena da arte -um velho oeste, uma corrida do ouro- há sinais de que especuladores começaram a recuar desde que o governo impôs novos impostos sobre ganhos de capital em vendas de arte. Ainda assim, o mundo global da arte está encantado. O fascínio durável com a nova arte da China agora se espalhou para sua vizinha a sudoeste, com marchands e curadores internacionais chegando na tentativa de descobrir talento.

Apenas nas próximas poucas semanas, pelo menos sete exposições de grande escala de arte indiana contemporânea serão abertas na Itália, Suíça e Estados Unidos.

Dada a atenção e grande quantidade de dinheiro dedicadas à arte indiana, mais e mais galerias estão abrindo ou se remodelando. Alguns espaços estão sendo adaptados ou construídos para acomodar obras maiores e as instalações de vídeo ou multimídia mais complexas, que são novas adições à prática artística na Índia.

Em Nova Déli, a Gallery Espace, Vadehra Art Gallery e Talwar Gallery são três exemplos elegantes. Uma quarta é a Nature Morte, considerada por muitos como uma galeria proeminente de arte contemporânea na Índia. Ela recentemente abriu um segundo espaço em Déli para abrigar projetos de artistas e um terceiro espaço em Kolkata com sua parceira de Nova York, a galeria Bose Pacia.

Há uma energia semelhante em Mumbai, onde a Galerie Mirchandani + Steinruecke, Bodhi Art (que possui espaços em Nova York, Déli e Cingapura), Sakshi Gallery, Project 88 e Chatterjee & Lal foram abertas, se mudaram ou foram ampliadas durante o crescimento do mercado.

Shilpa Gupta, uma artista de 31 anos de Nova Déli cujos vídeos e instalações são exibidos na Ásia, Europa e nos Estados Unidos, confirma o momento de tirar o fôlego. “Não importa quem é a estrela no momento”, ela disse. “É lindo. Nós podemos sair, curtir. Todos se conhecem e todos estão se saindo muito bem. É fantástico.”

Mas paradoxos surgem mesmo nas conversas mais breves com artistas, marchands, colecionadores e escritores aqui.

O dinheiro que ingressa no mundo da arte, vindo de indianos residentes no exterior que fizeram fortuna nos Estados Unidos e na Europa, juntamente com o motor da economia indiana de US$ 4 trilhões, permitiu aos artistas viajarem ao exterior com mais freqüência que antes. Mas com esta mudança vem a lenta dissolução da comunidade unida idealizada por Gupta e que agora se reúne nas muitas inaugurações de exposições -dificilmente um fórum para discussões intensas de assuntos e obras de arte. E apesar da recente abundância, como apontou o consultor de arte Jai Danani, o dinheiro ainda precisa dar seu toque de Midas ao mundo da arte indiana como um todo -isto é, gerando o retorno necessário para criação de escolas de arte, estúdios e museus para a arte contemporânea.

Ao lado dos leilões, inaugurações de arte e jantares em restaurantes da moda como o Indigo, em Mumbai, outra realidade se encontra em uma rua não pavimentada na aldeia de Khirki, no sul de Nova Déli. Lá, em um prédio de dois andares, se encontra as oficinas KHOJ, o único programa de residência para artistas contemporâneos em todo o país. Do outro lado da rua, um homem dorme diretamente no chão perto de uma família cercada de moscas. Dentro há cinco pequenos estúdios e dois recintos para artistas visitantes. Na “sala de referência”, catálogos de exposição balançam em pilhas no chão, organizados por categorias anotadas em folhas de papel coladas com fita adesiva nas paredes.

Pooja Sood, a agitada diretora fundadora do KHOJ, luta para manter o centro vivo há 10 anos, criando parcerias com instituições de vanguarda semelhantes no Sul da Ásia. O governo “abandonou a arte contemporânea”, ela disse; apenas o setor privado apóia novas instituições como a dela e a nova arte em geral.

A frustração é disseminada.

Nikhil Chopra, um jovem artista performático de Mumbai, disse: “Eu não acredito que somos um país de um bilhão de pessoas que não possui mais que um par de escolas de arte decentes, nenhum museu de arte contemporânea, nenhum financiamento real, nenhum grupo de curadores treinados fluentes em arte contemporânea, nenhum crítico de arte nos jornais, apenas uma revista de arte séria, a ‘Art India’, e apenas alguns poucos grandes colecionadores de obras contemporâneas. Em outras palavras, nenhuma infra-estrutura real”.

Mas há sinais de que a situação está melhorando. Um museu de arte moderna está sendo planejado para Kolkata. Um importante colecionador, Anupam Poddar, logo abrirá a nova sede da Devi Art Foundation em Nova Déli para abrigar sua coleção, organizar exposições e realizar palestras e debates. A Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Déli, agora tem uma Escola de Arte e Estética, um programa bem sofisticado de história da arte e estudos culturais. Surgiram sites na Internet que cobrem a arte indiana: mattersofart.com, artconcerns.com, indianartnews.com, assim como o site de leilão online, saffronart.com.

Mas não há dúvida, como colocou Peter Nagy, o dono da Nature Morte, que a cena de arte indiana está em sua “fase adolescente, cheia de espinhas”. É uma comunidade de arte em transformação, lutando para se reinventar para o século 21.

Os próprios artistas, expostos diretamente à arte e artistas europeus e americanos como nunca antes, com a Internet lhes permitindo obter uma amostra de qualquer coisa que lhes interesse, se vêem em uma arena global fluida de influência e identidade. A arte deles não mais está confinada à indianidade em assunto ou estilo, e o assunto surge em toda conversa sem que seja instigado.

Bebendo lassi, uma bebida à base de iogurte e água, em seu estúdio em Nova Déli em uma tarde recente, Subodh Gupta (sem parentesco com Shilpa) disse que tem resistido ao avanço dos gostos globais. Enquanto falava, dois assistentes nas proximidades poliam silenciosamente as superfícies de “Miter” (mitra), uma grande escultura em múltiplas partes de panelas de aço inoxidável em cascata.

“Nós estamos viajando, nos informando muito mais, e a informação nos dá conhecimento útil”, ele disse. “Mas minha obra com estas panelas e utensílios de aço inoxidável vem da minha infância de classe média-baixa, das lembranças da família e dos rituais em torno da comida. Esta é a minha linguagem, a minha força. Se fizer arte apenas para o mercado, eu não sou nada.”

Nem todos vêem as obras feitas atualmente como concebidas de forma séria. O editor da “Art India”, Abhay Sardesai, disse que muitos estão tentando exageradamente se localizar ou globalizar, dependendo da visão de cada um, explorando símbolos comuns da cultura indiana de forma ao “caráter local ser açoitado para a criação de um espetáculo para consumo internacional”.

Mas é o caráter local, é claro, que torna a obra indiana interessante as ascender no firmamento da arte contemporânea de peso. Há um senso quase infinito de localidade aqui, com 22 línguas, uma ampla literatura que remonta 3.500 anos e um caldeirão de conflito e coexistência entre hindus e muçulmanos na maior democracia do planeta.

Gayatri Sinha, uma crítica e curadora em Nova Déli, sugere que mais do que qualquer outra fonte de influência, é a política do subcontinente que molda o contexto no qual a arte indiana é criada hoje. Husain, geralmente considerado o pintor mais importante do país, passou seu 92º aniversário no exílio, devido às ameaças de grupos hindus enfurecidos com suas pinturas de deuses e deusas nus.

O cineasta Amar Kanwar, que recentemente mostrou “The Lightning Testimonies” (os testemunhos relâmpagos), sua instalação de vídeo sobre violência sexual contra mulheres indianas, no Documenta 12 em Kassel, Alemanha, disse que os artistas na Índia são “contestados ideologicamente a cada passo que dão”.

“Esta é uma sociedade extremamente intolerante, uma sociedade extremamente racista”, ele disse em uma entrevista em seu escritório, em um bairro de classe média de Nova Déli. “Você enfrentará censura, mas pode criar um espaço de trabalho aqui.”

“Os artistas indianos estão sendo exibidos em todo mundo e todo dia eles precisam decidir como confrontarão sua sociedade e a si mesmos. Eles serão críticos ou apenas produzirão obras para o mercado.”

Mas um tom de desafio surgiu em sua voz, um tom freqüentemente ouvido em resposta a perguntas sobre este assunto: por que os ocidentais freqüentemente presumem que a globalização apenas ocorre em mão única -do Ocidente para o Oriente?

O marchand Deepak Talwar, com galerias em Nova York e Nova Déli, disse: “A verdadeira história do modernismo ainda não foi escrita. Tudo gira em torno da Europa e Nova York. Mas isto dificilmente engloba todo o modernismo. Daqui cem anos, as pessoas rirão desta visão estreita da história”.

Mas enquanto isso, o mundo da arte indiana está escrevendo o mais recente capítulo de sua história em ritmo frenético. Certa noite, Atul Dodiya e sua esposa, Anju, dois dos mais proeminentes artistas contemporâneos, estudavam o público na festa de fechamento da Chemould Gallery em Mumbai, um dos espaços mais antigos e respeitados para nova arte desde seu início magro nos anos 70. Os donos da galeria estavam se despedindo de seu espaço apertado de 74 metros quadrados.

Foi um momento de peso simbólico, o fim da velha cena de arte indiana e o início da nova. Sua nova galeria, a Chemould Prescott Road, é quatro vezes maior que a antiga.

“Eu tenho tantas lembranças deste espaço”, disse Dodiya. “Era quase um mundo diferente. Nós estamos felizes com este boom, mas preciso fazer arte que signifique algo para mim, não apenas para o mercado internacional.

“O Ocidente pode estar conosco, mas a Índia, a India está profundamente na minha mente.”

Tradução: George El Khouri Andolfato.

The New York Times
http://www.nytimes.com/

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Simulação de Júri condena Bermelho

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

O reitor da Fundação Santo André, Odair Bermelho, foi comparado pelo promotor do Tribunal do Júri da Capital, Roberto Tardelli, à Adolf Hitler. Tardelli compôs um tribunal informal, organizado por professores e alunos da Fundação, para julgar o reitor por suas ações na faculdade.

O promotor ficou conhecido após conduzir casos polêmicos, como a prisão do deputado federal Paulo Maluf e o assassinato dos pais de Suzane Von Richthofen.

Tardelli fez um paralelo entre a realidade da Fundação e a Alemanha da década de 30. Disse que o nazismo não chegou de uma hora para a outra, se instalando aos poucos – assim como o totalitarismo da reitoria estava sendo imposto aos alunos da Fundação, com perseguições e decretos.

Segundo Tardelli, as dificuldades financeiras enfrentadas pela Fundação se devem à “magalomania” do reitor. “Quando se está no poder, sempre se quer mais”, disse. Tardelli afirmou ainda que era preciso analisar a ocupação da Fundação levando-se em conta a história da região. “Todo brasileiro deve a democracia que se existe hoje ao Grande ABC. A região foi a antesala da redemocratização do País.”

O promotor terminou sua participação no tribunal afirmando que a saída de Bermelho da reitoria era a única forma dele salvar sua biografia.
DEFESA

O reitor foi convidado para o julgamento, mas não enviou nenhum representante. Segundo a assessoria de imprensa da Fundação, para não legitimar o protesto.

A defesa de Bermelho ficou então a cargo do advogado Yvan Miguel, da ONG Advogados do povo.

Miguel disse que a desocupação da reitoria foi a melhor lição de democracia que os estudantes poderiam ter. Democratizou à classe média a violência policial que é restrita às periferias.

A defesa afirmou que julgar uma pessoa que nem ao menos informa os motivos de suas ações seria uma violação aos direitos individuais dela. Por isso, caberia aos estudantes respeitar esse direito e desistir da saída do reitor. Mostraria a Bermelho que, diferentemente das atitudes dele, os estudantes teriam respeito pelo direito dos outros cidadãos.

O tribunal terminou com a condenação de Bermelho. A pena: sair da reitoria.
Hoje, uma comissão de alunos pretende ir ao Palácio dos Bandeirantes para tentar ser ouvida pelo governador José Serra (PSDB).

Diário do Grande ABC
http://home.dgabc.com.br/

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Com 26 anos e US$ 16,2 bi, jovem é mais rica da China

Yang Huiyan herdou ações da construtora do pai, valorizadas na Bolsa de Hong Kong. Fortunas somadas dos 40 chineses mais ricos chegam a US$ 120 bi segundo revista “Forbes”; governo passa a temer instabilidade social.

REDAÇÃO

Num país comunista e onde os pais dão preferência aos filhos homens, uma jovem de 26 anos é a pessoa mais rica. Com uma fortuna de US$ 16,2 bilhões, Yang Huiyan lidera a lista feita com os mais abastados chineses pela “Forbes”.
Em 2005, seu pai, o discreto Yeung Kwok Keung -que já havia trabalhado em propriedades rurais e canteiros de obra-, transferiu suas ações para ela. Foi, no entanto, a entrada de sua empresa, a construtora Country Garden, na Bolsa de Hong Kong que catapultou a fortuna da jovem.
Diretora-executiva na empreiteira, Huiyan é formada pela Universidade de Ohio (EUA). Segundo o jornal “China Daily”, ela se casou neste ano com o filho de uma graduada autoridade chinesa, que conheceu num encontro às cegas.
O explosivo crescimento da economia chinesa tem criado milionários -e também bilionários- do dia para a noite. Yang Huiyan tem aproximadamente sete vezes mais o que tinha o líder da lista no ano passado: Wong Kwong Yu era dono de US$ 2,3 bilhões em 2006.
A riqueza chinesa impressiona. Todos os 40 listados pela “Forbes” são bilionários -no ano passado, eram 15. Juntos, somam US$ 120 bilhões, enquanto os 40 americanos mais ricos têm US$ 628 bilhões.
A construção civil está entre os setores mais lucrativos da China. Oito dos dez chineses mais ricos apontados pela revista têm atividades no setor.
“Um crescente número de pessoas está se mudando das áreas rurais para as cidades, o que cria grandes oportunidades para os construtores”, afirmou Russell Flannery, responsável pela compilação da lista.
Considerada também a mulher mais rica da Ásia, Huinyan ilustra uma preocupação para Pequim. O governo tem se esforçado para diminuir a desigualdade entre ricos e pobres, temendo alimentar instabilidade social.
A lista da “Forbes” exclui residentes de Hong Kong, como o magnata Li Ka-shing. Em janeiro, sua fortuna era estimada em US$ 22 bilhões.

Com Reuters

Jornal Folha de S. Paulo
www.uol.com.br

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Dossiê mundial de Scientific American Brasil discute a chamada “transição nutricional”

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Em outubro, Scientific American Brasil publica especial sobre a obesidade no mundo contemporâneo, fenômeno intensificado pela globalização

Se na década de 60 os cientistas previam que a humanidade seria acometida pela “fome em massa”, hoje, quase 50 anos depois, a discussão que ganha força, paradoxalmente, é a obesidade como problema de saúde pública, atingindo mais de um bilhão de pessoas em todo mundo, incluindo os países em desenvolvimento.

Esse é o tema do dossiê mundial publicado em outubro pelas edições de Scientific American ao redor do globo. Uma vez por ano, a revista publica simultaneamente nos 21 países em que está presente uma série de artigos em torno de um assunto relevante para o futuro da humanidade. Os textos, assinados por especialistas de várias nacionalidades, atingem milhões de leitores em países como Brasil, Alemanha, Índia, China e Canadá.

Abrindo a edição especial, o jornalista Gary Stix introduz o tema da transição nutricional, fenômeno sociológico da globalização que confere ao sobrepeso e à obesidade um papel mais preocupante que o da fome no planeta. Mais preocupante ainda é o fato, apontado pelos autores do dossiê, de que os governos não estão preparados com políticas públicas para enfrentar a questão.

Neste contexto, o artigo da nutricionista Marion Nestle aborda os diferentes (e muitas vezes confusos) tipos de dieta utilizados hoje para concluir que a mensagem mais simples é provavelmente a melhor: comer menos, exercitar-se mais, incluir frutas, hortaliças e grãos integrais na dieta e evitar a “junk food”. Nestle analisa ainda a questão ética sobre o financiamento de estudos clínicos por parte de indústrias alimentícias e de bebidas.

Em seu artigo sobre a obesidade no mundo, o epidemiologista nutricional Barry Popkin aborda a dieta ocidental pouco saudável que a globalização levou aos países em desenvolvimento. Segundo Popkin, as camadas mais pobres da população desses países aumentaram muito o consumo de bebidas adocicadas, alimentos de origem animal e óleos vegetais, além de terem adotado um estilo de vida que contribui para a obesidade, como assistir televisão e utilizar veículos motorizados.

O especial aborda ainda o uso da biotecnologia no combate à desnutrição, por meio das lavouras geneticamente modificadas, a questão dos alimentos contaminados, vistos como uma forma perigosa de terrorismo, e um artigo especial sobre a questão da obesidade no Brasil, que já atingiu a base da pirâmide populacional.

Sobre a Scientific American Brasil – www.sciam.com.br

Publicada desde 2002 pela Duetto Editorial, a Scientific American Brasil é a edição brasileira da mais tradicional revista de divulgação científica do mundo. Com circulação de 40 mil exemplares por mês (IVC), a revista dá aos leitores informação de qualidade em artigos produzidos por especialistas estrangeiros e brasileiros dos mais diversos campos da ciência. O grupo Conhecimento da Duetto publica ainda as revistas História Viva, Mente&Cérebro, EntreLivros e Brasil História, que podem ser adquiridas pelo site www.lojaduetto.com.br.

Serviço:
Scientific American Brasil
N° 65 – Outubro
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Ciência renascida

“Yes, Nós Temos Pasteur”, de Henrique Cukierman, desconstrói mitos de fundação da tecnociência no Brasil e analisa papel crucial de Oswaldo Cruz

LAYMERT GARCIA DOS SANTOS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Agora que o Brasil parece ter descoberto a importância da invenção e da inovação no capitalismo avançado e que proliferam, pelo menos no plano do discurso, as iniciativas para fazer do progresso tecnocientífico a mola-mestra de um desenvolvimento travado há uns 25 anos, parece oportuno ler “Yes,
Nós Temos Pasteur - Manguinhos, Oswaldo Cruz e a História da Ciência no Brasil” [Faperj/Relume Dumará, 440 págs., R$ 49,90], de Henrique Cukierman.
Nem que seja para ter, pelo menos, uma medida do que nos une e separa do momento em que nasceu a ciência experimental brasileira, há um século, em Pestópolis, então capital do país.
Muito já se escreveu sobre Manguinhos e a figura heróica de seu criador, sobre a febre amarela e a higienização do Rio de Janeiro, sobre a Revolta da Vacina. Mas, salvo engano, creio ser a primeira vez em que se analisa, criticamente e em profundidade, a questão, a partir da óptica do que se convencionou chamar Estudos CTS (Ciência-Tecnologia-Sociedade), que tem por objeto a complexidade das relações entre estes três termos.
Pode ser que os cientistas nativos torçam o nariz, já que não se trata de “comprar” a promessa de redenção de uma sociedade periférica por meio do progresso e da modernização propiciados pela ciência e pela tecnologia, mas de desconstruir o mito de fundação da tecnociência brasileira, problematizando esta última como um fenômeno sociotécnico.
Quem conhece a área sabe que, nessa matéria, o trabalho de Bruno Latour é referência obrigatória, pois foi ele quem primeiro ousou penetrar no laboratório e elaborar um aparato conceitual e perceptivo que permitisse apreender todas as dimensões do que os cientistas fazem, além do que afirmam fazer.
Cukierman aprendeu com ele todos os segredos dessa metodologia, mas teve a sagacidade de cruzá-la com os ensinamentos prescritos por Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil”, para “ler” de que modo o Pasteur tropical e seu grupo lidam com as contradições e paradoxos de uma tecnociência marcada desde o início pelo estigma do colonizador colonizado e do colonizado colonizador.
Assim, a equação Latour + Holanda assegura que sempre se tenha em mente não só como se faz ciência mas “como se faz ciência no Brasil”.
O resultado desse olhar cruzado é instigante. Cukierman “embarca” na aventura como um “companheiro de viagem” e leva com ele o leitor -por meio de uma prosa leve e bem-humorada, e nem por isso menos precisa e competente, fundamentada no acurado exame de extensa documentação.
O artifício de “colar” na evolução de seu objeto de estudo é altamente arriscado, porque a narrativa corre na finíssima fronteira que separa fato e ficção; entretanto é ele que possibilita ao leitor a sensação de testemunhar o que acontece, embora compreendendo o sentido do acontecimento talvez até mais do que um contemporâneo, graças ao aporte retrospectivo de um século de reflexão e de historiografia.
Se fosse possível resumir em poucas palavras o núcleo do projeto de Oswaldo Cruz e de seu grupo, dir-se-ia que ele consiste em transformar a ciência experimental em instrumento privilegiado para que o Brasil deixe de ser o fim do mundo, vire a página da maldita herança colonial e se torne uma nação civilizada.
Nesse rumo, a erradicação da febre amarela na capital da República é concebida como a oportunidade para um efeito-demonstração que ateste a um só tempo a vontade científica, técnica, política, administrativa e cultural de refundar o país, ou de reinventá-lo.
Há, porém, obstáculos de toda ordem, que o livro esmiúça muito bem.
Não deixa de ser tragicômico que a vitória do General Mata-Mosquito tenha sido posteriormente contrariada -afinal, o “novo” mosquito da dengue que hoje atormenta as cidades brasileiras é o mesmo “velho” estegomia renomeado…
De todo modo, a avassaladora máquina de sanear cumpriu um papel importantíssimo, não só na história da saúde pública brasileira como na história do controle social de populações: a inédita tecnologia de controle sanitário é também de vigilância. E aqui adquire consistência a Revolta da Vacina.
Todos os capítulos do livro levantam problemas relevantes; mas nenhum, em meu entender, é tão forte quanto o que procura “vacinar a Revolta da Vacina”, isto, é inoculá-la com o vírus de uma revolta específica que precisa ser pensada dentro da história da tecnociência, pois estamos diante de um caso único de resistência popular contra o poder tutelar da ciência sobre a sociedade.
E não foi à toa que [o historiador] José Murilo de Carvalho viu nela o exercício do direito de cidadania. Cukierman concorda com o historiador -e busca ir além, explorando o silenciar gritante de sua figura maior, o Prata Preta.

LAYMERT GARCIA DOS SANTOS é sociólogo e professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (SP).

Jornal Folha de S. Paulo
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Número de bilionários chineses chega a 100

Três anos atrás, lista contava apenas três com mais de US$ 1 bilhão; inflação e desigualdade preocupam os dirigentes. Partido Comunista da China abrirá seu 17º Congresso daqui a oito dias; disputa interna oporia presidente a grupo originário de Xangai.

CLÁUDIA TREVISAN

DA REPORTAGEM LOCAL

A China já tem cem bilionários, quase sete vezes mais o número que existia há apenas um ano. Os nomes desses e de outros 700 felizardos com fortunas superiores a US$ 100 milhões serão divulgados na quarta-feira, cinco dias antes de o presidente do país, Hu Jintao, abrir o 17º Congresso do Partido Comunista da China com um discurso no qual deverá repetir seu mantra em defesa de uma “sociedade harmoniosa”.
O ideal de Hu é confrontado pela realidade de um país que enfrenta tensões sociais agudas e por um partido fragmentado em facções que refletem os distintos interesses de uma sociedade em transformação rápida e cada vez mais complexa.
Três anos atrás, a lista dos chineses mais ricos elaborada por Rupert Hoogewerf tinha apenas três bilionários, os primeiros na história do país. O número subiu para sete em 2005, 15 em 2006 e cem em 2007. Cheung Yan, que liderou a lista do ano passado com um patrimônio de US$ 3,4 bilhões, nem sequer aparece entre os dez primeiros colocados de 2007, segundo Hoogewerf, que desde 1999 elabora o ranking dos chineses mais ricos.
Enquanto os abastados aumentam suas fortunas, a massa dos chineses tem de enfrentar os crescentes custos dos serviços de saúde e educação e, mais recentemente, do preço de itens alimentícios.
A inflação de 6,5% em agosto, a maior em dez anos, foi provocada principalmente por reajustes de dois dígitos em produtos essenciais na dieta do país, como a carne de porco.

Divisões internas
As autoridades de Pequim vêem com especial preocupação o descontrole de preços, que esteve entre as razões da última grande manifestação contra o governo -os protestos na praça Tiananmen de 1989.
No mês passado foi anunciado o congelamento de preços de bens e serviços controlados pelo governo, medida que deverá vigorar até o fim deste ano.
Dentro do partido, há disputas entre diferentes facções e discussões sobre o rumo a ser seguido. Com 72 milhões de filiados, a legenda é a maior do mundo e vive um esgarçamento ideológico inédito para acomodar nostálgicos marxistas-leninistas ao lado de capitalistas fervorosos.
Dos 500 chineses que integraram a lista dos mais ricos do país no ano passado, aproximadamente um terço era filiado ao Partido Comunista.
Willy Lam, da Jamestown Foundation, um “think tank” norte-americano especializado em Ásia e Oriente Médio, acredita que o Partido Comunista da China vive sua maior crise de confiança desde Tiananmen, que terminou com a morte de um número até hoje não revelado de manifestantes.

Corrupção
Desde seu último congresso, há cinco anos, vários dirigentes comunistas foram atingidos por denúncias de corrupção, incluindo um membro do Politburo, o grupo de 25 pessoas que estão entre as mais poderosas do país. Chen Liangyu era prefeito de Xangai, a maior cidade da China, quando foi preso em setembro de 2006 sob acusação de desviar recursos do fundo de pensão da cidade.
Sua queda foi o mais espetacular lance da cruzada anticorrupção promovida por Hu Jintao, mas também revelou a dimensão das disputas internas do partido. Chen Liangyu era um dos principais aliados do ex-presidente Jiang Zemin, líder da facção de Xangai, que disputa espaço político com o grupo de Hu Jintao.
As duas correntes estarão em arenas opostas no congresso, que começa dia 15 e pode durar uma semana. Mas, até lá, deverão realizar intensas negociações para definir uma composição de consenso do Politburo e de seu Comitê Permanente, o grupo de nove pessoas que de fato manda na China.
Hu espera ampliar e consolidar seu poder, além de reduzir a influência de Jiang Zemin.
Apesar das divergências, o discurso oficial será o da coesão, essencial para a permanência do partido no poder.

Jornal Folha de S. Paulo
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