Arquivo de 9 de Novembro de 2007

Brejo da Cruz

Chico Buarque (1984)

A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz

Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz

Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil

Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues

Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus

Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem

São jardineiros
Guardas noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás

Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz

São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons

Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz

Comentários

Emoção à flor da pele

Algumas músicas nos afetam a ponto de provocar arrepios. O que faz com que essas obras tenham efeito sobre o sistema nervoso autônomo e desencadeiem excitação sensorial?

Eckart Altenmüller, Oliver Grewe, Frederik Nagel e Reinhard Kopiez

Sexta-feira da Paixão, concerto com coral no mosteiro de Freiburger, Alemanha. No programa, a Paixão segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Em um momento pungente, logo após o interrogatório do sumo sacerdote, Pilatos conduz Jesus para diante da multidão e pergunta: “Quem quereis vós que eu liberte? A Barrabás ou a Jesus, de quem se diz ser o Cristo?”. “Barrabás!” – o brado da multidão faz o coração bater mais forte e as pernas fraquejarem. Nesse momento Bach emprega um acorde inesperadamente dissonante, de coro e orquestra – o equivalente musical de um soco na cara. Os ouvintes, mesmo os que conhecem a obra, sentem um “frio na espinha”.

Pesquisas revelam que fazer e ouvir música estão entre as principais opções de lazer. De onde vem esse prazer é objeto até agora pouco estudado, mas alguns psicólogos supõem que o estímulo peculiar de melodias e harmonias reside, sobretudo, em uma capacidade de desencadear emoções intensas – um sentimento à flor da pele, como no caso da Paixão segundo São Mateus.

Mas do que exatamente falamos ao nos referir a emoções? Pesquisadores do comportamento as tomam por estímulos aos quais reagimos. No caso da Paixão, resposta a um sinal acústico, reação de involuntário arrepio dos pêlos do corpo – um reflexo desencadeado pelo sistema nervoso autônomo, que se manifesta como que à flor da pele. A avaliação do estímulo poderia ser um susto provocado por uma intensidade sonora repentina, mas também por uma atitude de compadecimento, ao se pensar que um inocente será condenado à morte.

É claro que tudo depende do contexto: ante uma interpretação fraca ou entediante da mesma obra, um ouvinte sonolento – ou até frustrado – dificilmente poderá sentir aquela forma de emoção; o máximo que lhe acorrerá será um inquieto cruzar e descruzar de pernas. Em contrapartida, um ouvinte experiente, que conhece a obra, já fica na expectativa do momento em que a música lhe causará arrepios. E apenas imaginar tal passagem pode despertar as sensações. A psicologia comportamental chama essa possibilidade de “esquema de estímulo-resposta condicionados”. Esse fenômeno pode ajudar a compreender vivências subjetivas que se manifestam por meio da audição musical. A experiência­ intensa, que desencadeia reações do sistema nervoso autônomo, foi apreendida pelo conceito que, em inglês, se convencionou chamar chill.

SINALIZADOR EVOLUTIVO

Nos últimos anos, no Instituto de Fisiologia da Música e Medicina da Música de Hannover, estivemos pesquisando quais peças musicais provocam chills em que indivíduos e as condições em que essa reação se dá. O ponto de partida foi um projeto do pesquisador Jaak Panksepp, da Universidade Estadual Bowling Green, dos Estados Unidos. Segundo ele, tais estremecimentos remeteriam a um sistema sinalizador biológico primitivo, inerente à evolução de alguns primatas: se mãe e filho estão próximos, mas perdem o contato visual por causa da escuridão, por exemplo, o grito da mãe provoca uma reação característica. A pelagem se põe de pé, o que por sua vez mantém aquecida a pele do bebê. Transpondo o fenômeno para os seres humanos, determinados padrões acústicos desencadeiam tais reações – independentemente do contexto cultural. Em outras palavras: buscamos aquela “música chill” de caráter universal.

Desde os anos 50 os psicólogos reconhecem sobressaltos musicais que intercalam estados de tensão e relaxamento como componentes essenciais da vivência emocional dos ouvintes. Mas para rastrear o que se poderia ter como “qualidades chill” fundamentais das composições seria preciso acompanhar as reações no curso do tempo.

Indivíduos submetidos ao experimento durante a audição registraram o seu estado emocional de maneira contínua: diante da tela de um computador e fazendo uso de um sistema de dados coordenados, eles indicavam de que modo a música era sentida a cada instante e se a passagem imprimia sensações de calma ou estímulo. As incidências do chill deveriam ser sinalizadas com um clique no mouse. Diversos indicadores fisiológicos foram identificados: o nível de condutância da pele da mão, a atividade dos músculos da face – importantes para a expressão da mímica dos sentimentos, a freqüência respiratória, a temperatura e a pulsação.

Em palestra aberta ao público, escolhemos 38 pessoas entre 11 e 72 anos, de diferentes classes sociais, com variado gosto musical. A relação de gênero era de 29 mulheres para nove homens. Entre eles, 25 tocavam ou já haviam tocado algum instrumento e 13 eram músicos amadores.

Os indivíduos em teste ouviram sete obras previamente selecionadas, além das músicas que haviam trazido – justamente as que lhes provocavam reações emocionais. Acompanharam a reprodução de 415 trechos musicais e vários deles foram repetidos por até sete vezes. Os chills ocorreram em 136 ocasiões – cerca de um terço dos casos. Reações emocionais intensas foram mais freqüentes com as músicas que eles próprios haviam trazido. No decorrer do experimento, a “tecla-chill” foi pressionada 686 vezes; logo, as obras que mais emocionavam geralmente provocavam arrepios em diferentes momentos.

Em sete dos 38 indivíduos selecionados para a apresentação, não foi notada nenhuma reação específica durante o experimento. Nem sempre emoções e reações corporais andam de mãos dadas: em 20% dos casos a experiência não se enquadra nos parâmetros psicofisiológicos e, durante suas ocorrências, igualmente sobrevém um aumento dos níveis de condutância da pele ou da freqüência cardíaca, sem que o indivíduo pressione a tecla chill.

CENTROS VEGETATIVOS

Para a maioria dos voluntários, entretanto, as emoções e a fisiologia revelaram uma estreita conexão: os batimentos cardíacos aumentaram, em média, quatro segundos antes do chill e cerca de dois segundos tão logo foi acusada alteração na condutância da pele. Essa diferença corresponde aproximadamente ao tempo necessário para a inervação do sistema nervoso autônomo enviar sinais para os centros vegetativos do tronco cerebral, tomando como ponto de partida as glândulas sudoríferas e os vasos sangüíneos da mão. Reações emocionais importantes se avolumavam quando a intensidade sonora chegava a uma faixa mais alta de freqüência entre 1.000 Hz e 3.000 Hz – a mais perceptível aos ouvidos humanos. Acontecimentos musicais bem específicos, entretanto, também podem produzir a reação à flor da pele: o início de uma nova seção da composição ouvida, a primeira nota de um solo, a entrada de um coro.

Evidencia-se que reagimos de modo especialmente sensível ao novo – e à voz humana. Por isso o clamor por Barrabás na Paixão segundo São Mateus produz um efeito tão contundente. Em ouvintes com mais conhecimentos sobre música acontece ainda outra coisa: no reconhecimento de estruturas – motivos ou tonalidades retomados no decorrer de uma peça musical – experimentam fortes emoções, por exemplo, na passagem, usada em nosso estudo, da Toccata para órgão BWV 540 de Johann Sebastian Bach.

Também nos questionávamos se, de fato, existe uma personalidade auditiva típica. Na pesquisa realizada, solicitamos às pessoas que respondessem a um questionário com perguntas-padrão relativas à personalidade. Em duas outras séries, perguntamos, sempre em relação a cada uma das músicas, se já conheciam, como tinham se sentido e quais foram as lembranças e reações físicas. Ao final da pesquisa fizemos perguntas pessoais sobre conhecimento musical e acontecimentos de ordem emocional recentes.

SISTEMA DE GRATIFICAÇÃO

Uma constatação importante foi a tendência a chills naqueles que revelaram limiares de estimulação de caráter reduzido na vida emocional, e por isso, de modo geral, demonstravam leve comoção. Além do mais, manifestaram timidez ou dependência de gratificações; identificaram-se especialmente com as músicas que haviam escolhido, por serem dotadas de algum significado especial para eles. Em resumo: as características de personalidade influenciam de maneira notável no modo como se reage ao ouvir uma música.

Os resultados obtidos fazem atentar para a quase inexistência do que se poderia ter como “música chill” em âmbito universal. Assim, uma emoção não pode ser desencadeada por um único esquema estímulo-resposta. Por outro lado, algumas regras gerais para o prazer à audição musical se deixam cristalizar: devem coincidir características da música – como a voz humana ou uma “novidade” – e a personalidade do ouvinte com suas experiências musicais. No entanto, o caminho das “notas até o arrepio” também pode se dar de maneira retilínea e quase maciça, como no súbito aumento da intensidade sonora, por ocasião do clamor por Barrabás.

Nesse caso, tudo se reduz a uma suposta reação semelhante à do medo, que seria desencadeada por algo como um tiro de pistola. O efeito “bang” é encontrado em muitas outras composições, como nas sinfonias de Gustav Mahler ou no bailado A sagração da primavera, de Igor Stravinsky – provocando emoções fortes na maioria das pessoas. As reações musicais do chill talvez não resultem, portanto, apenas dos gritos de separação dos primatas.

Pode-se presumir que o significado do chill transcende em muito o âmbito da comunicação social: segundo estudos da neuropsicóloga canadense Anne Blood e de Robert Zatorre, da Universidade McGill em Montreal, feitos em 2001, esse tipo de vivência depende muito mais da ativação do sistema de gratificação cerebral do que da mediação da sensação de felicidade que se pode ter, por exemplo, com o sexo ou com algum alimento apetitoso.

Evidencia-se que a liberação condicionada de endorfina – o opióide do próprio corpo – estimula também a memória. O cérebro indica, sempre que possível, os momentos de origem das alterações acústicas importantes no meio`, as quais produzem uma emoção à flor da pele e ao mesmo tempo ficam gravadas na memória –, por exemplo, o ruído característico de um predador se aproximando. Foi nesse cenário que mais tarde o ser humano começou a transformar os estímulos chill em música.

Ainda hoje, quando deparamos com algo novo, o nosso sistema de gratificação está aberto para alguma regulamentação ou para ser surpreendido. Todos esses processos mentais pressupõem um mínimo de experiência. Isso serve para as relações com a música, validando a divisa: quanto mais eu compreendo, melhor consigo sentir a mim mesmo. Bom argumento para o ensino de música nas escolas.

MÚSICA PARA QUÊ?

Em seu sentido mais amplo a música pode ser descrita como um padrão sonoro que se desenvolve e se estrutura no tempo. Vem daí a sua função comunicativa. Além disso, ela tem sua importância no processo de busca por um parceiro sexual. Aqui se manifestam características um tanto ocultas, como no caso em que um jovem canta a plenos pulmões e com isso dá informações sobre sua saúde: há cem anos, a informação de que ele não portava tuberculose era muito importante, pois o alçava à condição de bom partido para um possível casamento. O forte efeito emocional das vozes masculinas potentes poderia ser uma demonstração de boa forma.

Mesmo um sinal acústico direto, no entanto, pode originar efeitos bastante intensos. Sabe-se hoje que o fazer e ouvir música com muita freqüência libera endorfina, o que desencadeia sentimentos de felicidade, que por sua vez fortalecem os laços de união entre os ouvintes. Outro papel importante é o que a música desempenha quando convida à dança, que em muitas sociedades está atrelada a festas religiosas e ritos sociais. A dança é um elemento de incentivo às relações sociais e, ao que tudo indica, ajuda na liberação pela hipófise do hormônio oxitocina, que ajuda a consolidar as memórias da vivência em grupo. A identidade coletiva também é fomentada quando são entoados hinos nacionais, de times de futebol ou cânticos populares de minorias étnicas. No exercício militar, ou para exaltar sentimentos de uma comunidade, é freqüente o uso da música na sincronização de procedimentos.

CHILLS PARA INICIANTES
Richard Strauss
Also sprach Zarathustra
Sinfonia alpina

Maurice Ravel
Bolero

Gustav Mahler
Sinfonia no 2, “Ressurreição”
1o e 5o movimentos

Ludwig van Beethoven
Sinfonia no 9,
1o, 2o e 4o movimentos

Joseph Haydn
A Criação, introdução de (“Caos”):

Igor Strawinsky:
A sagração da primavera

PARA CONHECER MAIS
Intensely pleasurable responses to music correlate with activity in brain regions implicated in reward and emotion. A. Blood e R. Zatorre, em Proceedings of the National Academy of Science 98, págs. 118818-11823, 2001.

The emotional sources of “chills” induced by music. J. Panksepp, em Music Perception 13, págs. 171-207, 1995.

Emotional sounds and the brain: the neuro-affective foundations of musical appreciation. J. Panksepp e G. Bernatzki, em Behavioural Processes 60, págs. 133-155, 2002.

Revista Mente e Cérebro
http://www2.uol.com.br/vivermente/

Comentários

O baralho é conservador

Na política européia, o baralho é manuseado pelo campo conservador. Quem está à esquerda tem de olhar para o Sul para ver a dimensão da mudança na cena política. Na Itália, Berlusconi e Bento XVI ainda têm os trunfos na mão.

Flávio Aguiar

É difícil caracterizar bem a cena: foi Ségolène Royal, do Partido Socialista francês, que foi prestigiar a esperada vitória de Cristina Fernandez Kirchner na Argentina, ou foi a vitória de Cristina que, com a presença de Ségolène, deu um novo élan ao prestígio da colega francesa?

Porque na Europa, na cena política convencional, quem dá as cartas são os conservadores de todos os naipes e de todos os trunfos. Na Polônia, foi necessário o conservador Donald Tusk derrotar o ultra-conservador Jaroslaw Kaczynki para que o quadro político mudasse. Na Suíça, a vitória de Cristoph Blocher, com uma campanha xenófoba e reacionária, animou as direitas por todo o continente. Na Alemanha, em que pese a tentativa de guinada a bombordo (à esquerda) do Partido Social-Democrata, e a fundação do novo partido Die Linke (A Esquerda), quem dá as cartas é a democrata cristã Ângela Merkel, com sua política de adotar o ambientalismo à Al Gore como bandeira tanto interna quanto mundial, e um assistencialismo bastante eficaz em relação a minorias desassistidas.

Na política mundial a estrela é Putin, às voltas com a reedição da Guerra Fria por parte do governo Bush, que, ao mesmo tempo, procura cercar o Irã e manter o cerco à Rússia. E nada mais czarista, embora em ponto menor, do que a política de Putin no momento. E por aí vai.

Na Itália as coisas não são diferentes. Berlusconi e Bento XVI estão à solta, e isto vai comprimindo o campo dos adversários. Berlusconi está em alta novamente, diante de um governo de centro-esquerda, o de Romano Prodi, que é seguidamente descrito na imprensa como em fase terminal.

No Vaticano, neste fim de semana que passou, oficializou-se a beatificação de quase 500 religiosos católicos mortos na Guerra Civil Espanhola, entre eles 2 bispos e 24 padres. Sabe-se que a Guerra Civil foi pródiga em atrocidades de parte a parte, mas o movimento da Cúria Romana reforça, por mais que os seus porta-vozes assegurem que o único interesse dessa beatificação é o religioso, a direita tanto na Espanha quanto na Itália. Felizmente a festa não foi o que seus promotores esperavam, pois os mais entusiastas prometiam colocar na praça da Santa Sé um milhão de pessoas. Conseguiram uma estimativa oficial de 30 mil, e olhe lá, porque entre estas havia muitos dos tradicionais turistas que lá ocorrem nos domingos.

Neste cenário, realizou-se o primeiro congresso do novo Partido Democrático, fundado com a liderança de Walter Veltroni, o atual prefeito de Roma. A retórica de Veltroni é a da modernização da política italiana. Uma modernização pós-moderna, é claro, com a insistência na tecla de que a política deve assumir uma cultura de eficiência empresarial.

Veltroni foi diretor do jornal L’Unitá, do antigo Partido Comunista Italiano, fundado (o jornal) por Antonio Gramsci. Converteu-se a novos valores com a débâcle do comunismo em escala mundial, e assumiu que seus avatares são perfis como os de John Kennedy e Tony Blair. O que isto vai dar na cena italiana ainda não se sabe. A primeira decisão de Veltroni é espinhosa: se ajuda ainda a manter o combalido governo de seu mestre e amigo Prodi, ou se lhe retira o apoio, apressando seu fim e abrindo caminho para sua ascensão, quando terá de enfrentar a estrela de Berlusconi e a sombra de Bento.

O Partido Democrata reúne de membros centristas da Democracia Cristã a ex-comunistas que não aceitam a liderança de Prodi. Seus números são impressionantes. Cerca de 3 milhões de eleitores (inclusive de diferentes partidos) escolheram os 2853 delegados para o congresso, e escolheram Veltroni como secretário-geral. Dos delegados, 50% são delegadas, o que mostra a presença do novo PD nessa nova tendência mundial de o eleitorado se voltar para as mulheres como preferência.

A cena vem sendo descrita na imprensa européia como algo que põe fim às antigas desavenças de dois personagens romanescos na literatura italiana, o comunista Peppone e o padre Dom Camilo (vivido no cinema por Fernandel), que fizeram a alegria da minha geração quando muito jovem. Mas, por outro lado, há comentários de que esse partido tem uma plataforma discursiva tão ampla que qualquer um poderia nele sentir-se bem. Ou mal, quem sabe.

Carta Maior
http://www.agenciacartamaior.com.br/

Comentários

Alguns pontos preliminares de referência

Antonio Gramsci

Deve-se discutir o preconceito, muito difundido, de que a filosofia seja algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos. Deve-se, portanto, demonstrar preliminarmente, que todos os homens são “filósofos”, definindo os limites e as características desta “filosofia espontânea” peculiar a “todo o mundo”, isto é, da filosofia que está contida:

1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos determinados e não, simplesmente, de palavras gramaticamente vazias de conteúdo;

2) no senso comum e no bom-senso;

3) na religião popular e, conseqüentemente, em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de agir que se manifestam naquilo que se conhece geralmente por “folclore”.

Após demonstrar que todos são filósofos, ainda que a seu modo, inconscientemente (porque, inclusive, na mais simples manifestação de uma atividade intelectual qualquer, na “linguagem”, está contida uma determinada concepção de mundo), passemos ao segundo momento, ao momento da crítica e da consciência, ou seja, ao seguinte problema: – é preferível “pensar” sem disto ter consciência crítica, isto é, “participar” de uma concepção de mundo “imposta” mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos grupos sociais nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente (e que pode ser a própria aldeia ou a província, pode se originar na paróquia e na “atividade intelectual” do vigário ou do velho patriarca, cuja “sabedoria” dita leis, na mulher que herdou a sabedoria das bruxas ou no pequeno intelectual avinagrado pela própria estupidez e pela impotência para a ação) ou é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira crítica e consciente e, portanto, em ligação com este trabalho do próprio cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não aceitar do exterior, passiva e servilmente, a marca da própria personalidade?

NOTA I. Pela própria concepção de mundo, pertencemos sempre a um determinado grupo, precisamente o de todos os elementos sociais que partilham de um mesmo modo de pensar e agir. Somos conformistas de algum conformismo, somos sempre homens-massa ou homens-coletivos. O problema é o seguinte: qual é o tipo histórico do conformismo e do homem-massa do qual fazemos parte? Quando a concepção do mundo não é crítica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa, nossa própria personalidade é composta de uma maneira bizarra: nela se encontram elementos dos homens das cavernas e princípios da ciência mais moderna e progressista; preconceitos de todas as fases históricas passadas, grosseiramente localistas, e intuições de uma futura filosofia que será própria do gênero humano mundialmente unificado. Criticar a própria concepção de mundo, portanto, significa torná-la unitária e coerente e elevá-la até o ponto atingido pelo pensamento mundial mais elevado. Significa, portanto, criticar também a própria filosofia até hoje existente, na medida em que ela deixou estratificações consolidadas na filosofia popular. O início da elaboração crítica é a consciência daquilo que somos realmente, isto é, um “conhece-te a ti mesmo” como produto do processo histórico até hoje desenvolvido, que deixou em ti uma infinidade de traços recebidos sem benefício no inventário. Deve-se fazer, inicialmente, este inventário.

NOTA II. Não se pode separar a filosofia da História da Filosofia, nem a cultura da História da Cultura. No sentido mais imediato e determinado, não podemos ser filósofos – isto é, ter uma concepção do mundo criticamente coerente – sem a consciência da nossa historicidade, da fase de desenvolvimento por ela representada e do fato de que ela está em contradição com outras concepções ou com elementos de outras concepções. A própria concepção do mundo responde a determinados problemas colocados pela realidade, que são bem determinados e “originais” em sua atualidade. Como é possível pensar o presente, e o presente bem determinado, com um pensamento elaborado por problemas de um passado bastante remoto e superado? Se isto ocorre, nós somos “anacrônicos” em face da época em que vivemos, nós somos fosseis e não seres modernos. Ou, pelo menos, somos “compostos” bizarramente. E ocorre, de fato, que grupos sociais que, em determinados aspectos, exprimem a mais desenvolvida modernidade, em outros manifestam-se atrasados com relação à sua própria posição social, sendo, portanto, incapazes de completa autonomia histórica.

NOTA III. Se é verdade que toda linguagem contém os elementos de uma concepção do mundo e de uma cultura, será igualmente verdade que, a partir da linguagem de cada um, é possível julgar da maior ou menor complexidade da sua concepção do mundo. Quem fala somente o dialeto e compreende a língua nacional em graus diversos, participa necessariamente de uma intuição do mundo mais ou menos restrita e provinciana, fossilizada, anacrônica em relação às grandes correntes de pensamento que dominam a história mundial. Seus interesses serão restritos, mais ou menos corporativos ou economicistas, não universais. Se nem sempre é possível aprender outras línguas estrangeiras a fim de colocar-se em contato com vidas culturais diversas, deve-se pelo menos conhecer bem a língua nacional. Uma grande cultura pode traduzir-se na língua de outra grande cultura, isto é, uma grande língua nacional historicamente rica e complexa pode traduzir qualquer outra grande cultura, ou seja, ser uma expressão mundial. Mas, com um dialeto, não é possível fazer a mesma coisa.

NOTA IV. Criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas “originais”; significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas, “socializá-las, por assim dizer; transformá-las, portanto, em base de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral.

Revista Espaço Acadêmico
http://www.espacoacademico.com.br/

Comentários

Controvérsia cresce

Olá, tudo bem?

A popularidade do Blog CONTROVÉRSIA vem superando as expectativas e o número de acessos mensais comprova isto. Fechamos o último mês com mais de 1.600 visitas/dia.

O ALEXA, site (em inglês) que mede a posição que a página da internet ou blog ocupa no mundo, confirma esta popularidade do Blog. Quando do seu lançamento (em julho de 2006) ocupávamos a posição 3.500.000 aproximadamente, porém, com o aumento das visitações nossa situação melhorou muito.

Em 02 de novembro ocupávamos o lugar 1.141.483 (as alterações de posição não são diárias).

Clique aqui e confira.

Mais uma vez obrigado pela audiência.

Grande abraço.

Ricardo Alvarez

Comentários

Airbus A380: os 18 meses fatídicos

Dominique Gallois

O buraco negro. O que aconteceu entre o outono de 2004 e o verão de 2006 na Airbus e na sua matriz, o grupo EADS? Quem conhecia a realidade sobre as dificuldades de fabricação do avião gigante A380, antes que fossem revelados os atrasos deste programa, em 13 de junho de 2006? A comissão das finanças da Assembléia Nacional (o Legislativo) vai tentar esclarecer esses pontos obscuros, ouvindo, na quinta-feira, 25 de outubro, Arnaud Lagardère, o proprietário do grupo homônimo que era detentor de 15% das ações da EADS no momento dos fatos. O atual diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que era ministro das finanças por ocasião da fundação do grupo, em 1999, será ouvido na sexta-feira, enquanto Dominique de Villepin, que era primeiro-ministro entre 2005 e 2007, deverá ser ouvido na segunda-feira no Senado.

Há vários meses, a Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF) e a Justiça vêm investigando se dirigentes como Noël Forgeard, então co-presidente da EADS, cometeram o delito de utilizar informações privilegiadas na venda de suas stock options em março de 2006. Até hoje, 1.200 vendas foram julgadas suspeitas, apesar de a AMF decidir se concentrar nos 21 altos dirigentes do grupo. As investigações dizem respeito também aos acionistas privados, entre os quais Lagardère (que é também acionista do “Le Monde”) e a DaimlerChrysler, que cederam, cada um, 7,5% do capital da EADS em abril de 2006. Em artigo publicado no jornal “Le Figaro”, em 24 de outubro, Noël Forgeard se defende de ter cometido qualquer delito de uso de informações privilegiadas. Ele garante que em março de 2006, “quando muitos executivos optaram por vender as suas stock options, os relatórios não apresentavam qualquer informação relativa a alguma perda de entrega em 2006 e 2007″.

Toda esta história se desenrola em meio a um ambiente deletério, desde 2004, e tem como pano de fundo uma batalha franco-francesa pelo poder entre Noël Forgeard, o então dono da Airbus, e Philippe Camus, co-presidente da EADS. A isso acrescenta-se o caso Clearstream (sobre uma suposta lista de altos dirigentes detentores de contas fictícias em Luxemburgo), na origem do qual estão, entre outros, Jean-Louis Gergorin, o então vice-presidente do grupo. A desconfiança dos alemães para com os franceses, então, foi ganhando força, assim como a sua influência no grupo.

Os primeiros questionamentos remontam ao outono de 2004. “Tão logo foi efetuada a montagem das partes do terceiro avião, nós entendemos que havia um problema de cabeamento”, recorda-se um dos responsáveis do projeto na época. Os trechos defeituosos vieram da usina de Hamburgo, mas medidas foram tomadas para corrigi-los.

Quando ele trocou a presidência da Airbus por aquela da EADS, no verão de 2005, Noël Forgeard deixou para o seu sucessor, Gustav Humbert, uma série de instruções. Este ponto não figura entre as prioridades, uma vez que o problema é considerado sob controle. Na época, o objetivo anunciado aos mercados foi de entregar dois aviões em 2006 e 24 em 2007. A Airbus foi tomada pela otimismo: o objetivo era de montar 31 naves A380 em 2007…

1º de junho de 2005. Um sinal de alerta se acende. Após considerar um atraso “possível, e até mesmo provável”, em maio, a montadora de aviões reconhece que haverá uma defasagem de entrega de seis meses, atribuída a um atraso inerente a todo novo programa aeronáutico e que não causa preocupação em demasia. A Singapore Airlines acaba conformando-se. A companhia está longe de imaginar que, no final, o atraso se aproximará dos dois anos, e que o seu primeiro A380 não lhe será entregue antes de 15 de outubro de 2007…

Durante o verão de 2005, os acionistas privados aceleram os estudos para uma possível desvinculação parcial do projeto. Arnaud Lagardère, detentor de 15% da EADS, o mesmo percentual que o Estado, deseja há muito tempo reorientar as suas atividades para os meios de comunicação e os esportes. Quanto à DaimlerChrysler, detentora de 30% do capital, a crise da sua atividade automobilística a obriga a sair em busca de liquidez. Ora, os três fundadores (do lado francês, o Estado e Lagardère, do lado alemão, a DaimlerChrysler) são vinculados por um pacto de acionistas que se baseia na paridade franco-alemã. Toda redução de participação deve ser simultânea.

31 de agosto. Os dois co-presidentes do conselho de administração da EADS, Arnaud Lagardère e Manfred Bischoff, chegam a um acordo sobre uma diminuição da sua participação. A DaimlerChrysler quer ceder 15% do capital, mas Lagardère não quer vender mais do que 7,5%, caso contrário, ele arriscaria perder os seus direitos. Seria preciso, portanto, que o Estado aceite reduzir a sua participação pela metade, uma possibilidade que não pode ser considerada por razões estratégicas.

28 de novembro. A operação de desvinculação parcial dos acionistas é apresentada ao ministro da economia, Thierry Breton. Ela não é implementada imediatamente por razões técnicas. Enquanto isso, na Airbus, as condições de fabricação do A380 tornam-se cada vez mais confusas.

Janeiro de 2006. A meta de entregar 31 aviões em 2007 é reduzida para 29.

24 de fevereiro. Os prazos de montagem passam de quatro para quatorze semanas, mas, conforme se recorda um responsável, a companhia garante que “tudo está sendo feito para pisar no acelerador, e que o problema de Hamburgo será solucionado”.

28 de fevereiro. Um estudo interno, na Airbus, que relativiza o impacto financeiro de atrasos eventuais, é apresentado aos principais dirigentes da EADS. Três cenários foram elaborados. Eles dizem respeito a 20, 15 ou 10 entregas do A380 em 2007, em vez das 29 anunciadas anteriormente. Em cada um desses casos, o aumento dos custos para um período de três anos tem um impacto bastante limitado sobre os lucros do grupo.

6 de março. Uma reunião interna na Airbus reduz de 29 para 24 a previsão do número de aviões entregues.

7 de março. Essas questões não são abordadas durante a reunião do conselho da EADS. Neste dia, Hans-Peter Ring, o diretor financeiro, autoriza Noël Forgeard a se desfazer das suas stock options.

8 de março. Após ter sido informado da situação em janeiro, o gabinete do primeiro-ministro dá o seu aval para a desvinculação parcial de Lagardère e da DaimlerChrysler. Por ocasião de um encontro em meados de março, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Jacques Chirac, aprovam a operação.

20 de março. Arnaud Lagardère e Manfred Bischoff informam os dois co-presidentes executivos, Tom Enders e Noël Forgeard, da venda que está por vir. A ação alcança o seu valor mais alto, a 35,13 euros, em 24 de março. No final de março, as previsões de entregas do A380 apontadas nos documentos da EADS permanecem as mesmas: dois em 2006 e 25 em 2007.

4 de abril. Lagardère e a DaimlerChrysler vendem, cada um, 7,5% do capital da EADS. Três dias mais tarde, um outro acionista histórico da Airbus, o britânico BAE Systems, decide ceder para a EADS a parte de 20% que ele possui nos ativos da montadora.

11 de abril. Durante uma reunião, Gustav Humbert admite a ocorrência de atrasos e fala de 17 a 20 naves entregues. Os dirigentes da EADS solicitam mais detalhes.

12 de maio. Durante uma reunião de um comitê de auditoria da EADS, o número é novamente revisto para baixo. O patrão da Airbus fala daqui para frente de 13 aviões… Entretanto, esta redução pela metade não teria nenhum impacto sobre os resultados de 2006, uma vez que a não realização de lucros é compensada pela expansão das encomendas dos outros modelos. Surgem divergências entre administradores franceses e alemães em relação à necessidade ou não de se fazer provisões em função dos aumentos de custos acarretados por eventuais atrasos. Manfred Bischoff estima prematuro alterar as previsões, por falta de informações disponíveis. Ele recomenda adiar a decisão até a publicação dos resultados do primeiro semestre.

23 de maio. Durante uma reunião, prossegue a mesma divergência relativa à necessidade de informar os mercados da situação, o lado francês mostrando-se favorável a esta opção.

29 de maio. Os administradores chegam a um acordo “sobre o princípio de comunicar”. Mas, qual será o número de aviões a ser anunciado? “Estávamos completamente perdidos”, conta um deles, uma vez que ninguém era capaz de quantificar os atrasos. Eles buscam um esclarecimento a partir do relatório da firma de auditoria McKinsey, encarregada de um estudo na Airbus desde o início do ano.

13 de junho. A resposta é categórica: a Airbus só conseguirá entregar nove A380 em 2007, contra 25, em razão dos problemas em Hamburgo. Na Bolsa, no dia seguinte, a ação EADS perde 26,32% do seu valor, caindo para 18,73 euros, o que provoca, em 2 de julho, a demissão de Noël Forgeard e de Gustav Humbert, enquanto rapidamente se espalham suspeitas de crimes de uso de informações privilegiadas.

3 de outubro. A nova equipe reconhece que conseguirá entregar apenas um único avião em 2007. O adiamento do cronograma de entregas custa 4,8 bilhões de euros (R$ 12,28 bilhões) e torna obrigatória a implantação de um plano de reestruturação na Airbus, chamado de “Power 8″, que prevê a supressão de 10.000 empregos até 2010.

Jornal Le Monde
http://diplo.uol.com.br/

Comentários

Estatal chinesa se torna maior empresa aberta do mundo

Marina Wentzel
De Hong Kong

O valor das ações da petroleira chinesa PetroChina fechou com valorização de mais de 163% nesta segunda-feira, no seu primeiro dia de negociações na Bolsa de Xangai. A alta no preço unitário da ação transformou a empresa na maior do mundo em termos de valor de mercado.

Com base na cotação das ações da PetroChina, a companhia chegou a ser avaliada por volta de US$ 1 trilhão durante o pregão - mais que o dobro da segunda maior empresa de capital aberto do mundo, a Exxon Mobil, que tem valor estimado em US$ 450 bilhões.

O preço da ação da PetroChina na oferta pública inicial era de 16,7 yuans (R$ 3,90). Na abertura do pregão ela já estava cotada a 48,6 yuans (R$ 11,40) e fechou o dia em 43,96 (R$ 10,30). Ao longo do dia, a ação chegou a registrar uma valorização de mais de 191% em relação ao valor de oferta inicial.

Vários analistas, entretanto, dizem que as ações foram sobrevalorizadas. E lembram que existem empresas - como a estatal Saudi Aramco - que seriam maiores do que a PetroChina mas que não têm suas ações negociadas nas Bolsas internacionais.

Fartura
A PetroChina já negocia seus papéis na Bolsa de Valores de Nova York e de Hong Kong. A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em Xangai colocou à disposição dos investidores 4 bilhões de ações, correspondendo a 2,18% do capital público da empresa.

Com a IPO, a PetroChina levantou 66,8 bilhões de yuans (R$ 15,7 bilhões). O capital será utilizado para financiar cinco projetos domésticos para a exploração de petróleo e para aumentar a produção de etileno.

Apesar de ser uma empresa de capital aberto, a PetroChina ainda é uma estatal, pois o governo detém aproximadamente 86% de suas ações.

A valorização da PetroChina ocorre em meio a uma alta generalizada nas Bolsas da chamada China continental. Desde o começo do ano, a Bolsa de Xangai viu seu valor mais que duplicar.

Bolha
O excesso de liquidez mundial e a falta de opções aos pequenos investidores chineses, que são proibidos de colocar seu dinheiro no exterior, causou uma bolha especulativa no mercado financeiro do país.

A própria negociação das ações da PetroChina seria um indício dessa situação artificial. Os lucros da empresa não a colocam entre as dez mais rentáveis do mundo.

A Exxon Mobil, por exemplo, teve lucro de US$ 19,5 bilhões na primeira metade de 2007, enquanto a Petrochina, por sua vez, só lucrou metade disso: US$ 10,9 bilhões.

Num pronunciamento neste fim de semana, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao reconheceu a situação e disse que vai intervir para resfriar o escaldante mercado financeiro chinês. “O governo vai tomar medidas para prevenir bolhas e evitar grandes flutuações no mercado de ações”, prometeu.

Após os comentários de Wen Jiabao - e apesar do estrondoso sucesso da PetroChina -, a Bolsa de Xangai fechou no negativo nesta segunda-feira. O índice Shanghai Composite Index teve queda de 2,48% e encerrou o dia em 5.634,45 pontos.

Crise no abastecimento
Observadores ainda se perguntam como as ações da PetroChina valorizaram tanto, tendo em vista que o preço do petróleo é tabelado na China e a alta internacional da “commodity” se traduz em perdas para as refinarias do país.

Na semana passada, a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento concordou em aumentar em 8% o preço de gasolina, óleo diesel e querosene de aviação depois que refinarias pequenas suspenderam a produção por estarem operando no prejuízo. Houve filas nos postos e disputa por combustível.

No mercado internacional, o preço do petróleo já passou dos US$ 95 o barril e caminha em direção à marca dos US$ 100.

Ainda assim, a política de preços do governo chinês não permite que essa valorização seja integralmente repassada para os consumidores, pois teme-se que o aumento nos preços venha a gerar inflação e mais inquietação social.

Jornal Folha de S. Paulo
www.uol.com.br

Comentários