Os bancos multiplicaram as tarifas

Hoje já são cobradas 74 modalidades diferenciadas de serviços. Tarifas com valores estratosféricos, juros exorbitantes e falta de transparência fizeram seus lucros baterem recordes às custas da exploração dos clientes.

TARIFAS BANCÁRIAS
ALEGRIA DOS BANQUEIROS,
DESESPERO DOS CLIENTES

O Brasil é o paraíso dos banqueiros. Eles não têm freios, nem limites para ganhar dinheiro, explorar seus funcionários e espoliar seus milhões de clientes. Os sucessivos governos são coniventes com esta situação. O lucro líquido das instituições financeiras bate recorde e mais recorde. Só em 2006 foram R$ 27,5 bilhões. Além de ganhar uma barbaridade com empréstimos e operações de crédito e muitíssimo com títulos públicos, explodiu o ganho com tarifas cobradas dos clientes (quase 100 milhões de correntistas). De 1996 a 2006 a fonte de receita dos bancos com tarifas cresceu 130%, enquanto a despesa administrativa diminuiu 37%.

Além do valor de cada taxa ter aumentado muito além do valor da inflação no período, a cada dia os bancos inventam novas tarifas a serem cobradas dos correntistas. Hoje, pagamos 74 itens diferentes pelos serviços prestados pelos bancos.
As reclamações nos órgãos de defesa do consumidor são inúmeras. Dificuldade na compreensão da taxa cobrada; cobrança indevida; alteração do valor da tarifa sem informação ou consulta do cliente etc. Segundo o Procon, os bancos nunca explicaram de onde vem o custo para a cobrança de cada tarifa. Não há relação, portanto, entre o valor da tarifa e o custo do serviço. Só nos nove primeiros meses desse ano, os 6 maiores bancos arrecadaram quase R$ 22 bilhões com tarifas. Essas receitas superaram com folga o total de despesas com pessoal, R$ 15,8 bi (dados do DIEESE).

E como não há uma definição de qual serviço pode ser tarifado e muito menos uma padronização no nome dado a cada tarifa, muitas são cobradas mais de uma vez e o cliente não tem como perceber. Por exemplo: os bancos cobram uma taxa pela manutenção da conta e outra para saque na agência. Cobram uma tarifa quando a conta fica negativa e mais os juros sobre a dívida. Cobram a taxa para renovação do cadastro do cliente mesmo quando não há alteração alguma!

O cidadão hoje é refém do sistema bancário, sendo muito difícil a troca de instituição financeira, pela baixa concorrência entre os bancos e à medida que o sistema se concentra cada vez mais. Nesse sentido, exigimos do governo uma regulamentação e uma ação firme contra a espoliação, principalmente dos cidadãos de menor renda, contra esse salvo conduto que os banqueiros têm para explorar a população.

NOSSAS PROPOSTAS

Em audiência realizada na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, convocada pelo deputado Ivan Valente, com a presença do Ministro Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meireles (Presidente do Banco Central), o parlamentar fez graves denúncias sobre tarifas bancárias exorbitantes, a exploração e a total liberdade dos bancos para criar e aumentar tarifas. Como desdobramento foi formado um Grupo de Trabalho que fez várias propostas que serão analisadas pelo Conselho Monetário Nacional.

Defendemos:

• Eliminação de cobrança de tarifas, ou no mínimo estabelecer um limite ou um teto com redução drástica dos preços, já que os bancos têm um lucro brutal com outras operações;

• transparência entre o custo do serviço e o preço da tarifa, que os bancos teimam em esconder;

• Fim da Tarifa de Abertura de Crédito - TAC, cobrada de todos que contraem empréstimos. É mais uma cobrança absurda, subiu 920% em 5 anos, estando embutida em outras tarifas;

• Fim da Tarifa de Liquidação Antecipada - TLA, cobrada quando o cliente quita antecipadamente as parcelas do empréstimo que contraiu. É na verdade uma multa para inibir a troca de banco, ferindo o Código de Defesa do Consumidor.

• Limitação do número de serviços que podem ser tarifados;

• padronização da nomenclatura das tarifas;

• prazo de no mínimo 1 ano para reajuste e aprovação de novas tarifas;

• mecanismos que garantam a mudança da conta de um banco para o outro, permitindo liberdade de escolha ao cidadão;

• Criação de um sistema público que permita a comparação efetiva entre as tarifas cobradas pelos diferentes bancos.

Site do Deputado Federal Ivan Valente - Psol SP.
http://www.ivanvalente.com.br/

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