Chico Villela
A segunda Cúpula do Cáspio (Caspian Summit) reuniu em 17 de outubro em Teheran, no Irã, chefes de governo e representantes de Irã, Rússia, Azerbaijão, Casaquistão e Turcmenistão, países cujas fronteiras reúnem-se ao redor do Mar Cáspio, e gerou decisões que podem afetar a região e o mundo e alterar os lances do xadrez geopolítico e estratégico. O respeitado analista independente Mahdi Darius Nazemroaya foi além: “A Segunda Cúpula dos Estados do Cáspio em Teheran mudará o ambiente geopolítico global”, e ainda: “O que ocorrer em Teheran pode decidir o curso do resto deste século.”
ANTECEDENTES
Duas citações são freqüentes no trato de temas do Cáspio, da Ásia Central e do futuro regional e global: Great Game (Grande Jogo) e chessboard (tabuleiro de xadrez). A expressão Great Game vem da Inteligência britânica, e foi popularizada em 1901 pela obra “Kim”, do escritor Rudyard Kipling. Foi o nome dado à disputa entre os impérios inglês e russo czarista pelo controle da região da Ásia Central, Tibet e Índia, e ainda do Irã e da região do Cáucaso, que correu por algumas décadas do século XIX e chegou até o raiar do século XX. País insular, a sede do império inglês duelava pelo mando na maior porção contínua de terra do planeta, principalmente pela Ásia Central, que se interpõe entre a Europa e as partes mais setentrionais e orientais da Ásia, e onde se situam hoje Casaquistão, Turcmenistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Afeganistão, Mongólia e vizinhanças russas, chinesas, iranianas, caucasianas e outras. Digna de nota é a opinião de núcleos conservadores euamericanos sobre a não-existência de um Great Game na região, talvez pelos revezes que lhes vêm sucedendo. Outros especialistas consideram a extinta guerra fria como a sua continuação.
Chessboard faz referência à obra exaustivamente citada, de 1997, do ex-assessor de segurança nacional do governo Carter e respeitado analista e estrategista Zbigniew Brzezinski, “The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives”. Brzezinski discute as condições a serem atendidas, ou criadas, ou impostas, para que a supremacia euamericana possa tornar-se permanente e garantir a si e a seus aliados o acesso, o controle e a certeza de fornecimento das imensas riquezas da região, com destaque para petróleo e gás.
Stan Stão (Stan) posposto ao nome da etnia seria para nós ‘terra de’ (‘land’); assim, Uzbequistão é a terra dos uzbeques; Casaquistão, a dos cazaques; Baluchistão, a dos baluches. Em verdade, a Eurásia congrega centenas de povos e de línguas, de origens indo-européias, turcas, chinesas, mongóis, irânicas, caucasianas, etc. Mas mesmo essa caracterização genérica é inadequada, já que, por exemplo, ‘China’ abriga uma reunião de uma etnia dominante, a Han (92%), e 55 etnias menores. Algumas dessas etnias eurasianas associam-se a Estados; a maioria dispersa-se por países. São exemplos dessa maioria os curdos, 30 milhões de pessoas, que ocupam territórios de Turquia, Irã e Iraque e uma diminuta porção de Síria e Armênia, e os baluches, 10 milhões de pessoas, que ocupam mais de um terço do Paquistão e parte do sul do Afeganistão e do sudeste do Irã.
Esta é, aliás, uma constante da região que facilita condições para tentativas divisionistas, partição de países, recomposições territoriais, etc. O fato é relevante porque um dos pilares da política aliada EUA-Reino Unido para a região é o esfacelamento de países, o que multiplica as forças de mando e abre espaços para alianças novas contra os velhos inimigos Rússia, China e Irã. O plano da dupla Bush-Cheney para o Iraque, por exemplo, prevê um norte curdo, um sul xiita e um centro-oeste sunita. Como vários outros, esse plano está suspenso enquanto o imbroglio das guerras e a crise entre a guerrilha curda e a Turquia não se desenrolam.
Alianças e Traições
Após a dissolução da União comunista, quinze repúblicas tornaram-se independentes; algumas mantiveram-se vinculadas à Rússia, e outras aproximaram-se do Ocidente. Fundou-se a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que hoje tem papel menor nos eventos. Hoje, Georgia (terra natal de Stálin), Ucrânia e Moldávia são próximas do Ocidente; Casaquistão, Belarus, Tadjiquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Turcmenistão, Armênia e outras são aliadas da Rússia. Logo após o fim da URSS, a aliança EUA-Reino Unido ganhou adeptos, com apoio da Otan, e a partir de então é grande a disputa por apoios e ampla a ação de serviços diplomáticos e de segurança de ambos os lados.
A Rússia, abalada pelo fim do império soviético e em grave crise econômica, com queda de mais de 20% do produto interno bruto, perdeu aliados e terreno. Tudo indicava que iria submergir sob o cerco progressivo da aliança ocidental, que instalava bases militares nos países recém-aliados da Europa e da região, sempre com a mente nos três inimigos principais e o olho gordo na imensa riqueza em petróleo e gás da região, cujo controle estratégico permitiria, além do mais, manter em pé o combalido e decadente sistema financeiro do dólar. Chegou a constituir-se um agrupamento, conhecido como GUUAM, que reunia Geórgia, Uzbequistão, Ucrânia, Azerbaijão e Moldávia, além de outros sócios menores que cediam espaços para bases e instalações e facilitavam a ação dos serviços ocidentais de segurança e espionagem. Hoje, sem Uzbequistão e Azerbaijão, o grupo seria mais propriamente conhecido como GUM; em inglês, chiclete.
Uma exceção na região é o Turcmenistão, dos turcmenos ou turcomanos, único país neutro a ter seu status de neutralidade reconhecido pela ONU; os outros dois países tradicionalmente neutros são Áustria e Suíça. A história dos turcmenos guarda muitos exemplos de pacifismo e de políticas de ‘portas abertas’. Embora parte da etnia habite o norte do Afeganistão, os turcmenos não participam da guerra, como o fazem outras etnias vizinhas.
Putin Com Putin, oriundo do serviço soviético de segurança do Estado KGB, a situação foi revertida. Com a segunda maior produção mundial de petróleo e detentora das maiores reservas de petróleo (10%), gás (30%) e carvão (20%) do planeta, e forte fornecedora de petróleo (20%) e gás (50%) para a União Européia, a Rússia de Putin beneficiou-se com a subida acelerada dos preços da energia (em 1970, o barril de petróleo valia US$ 10; hoje, anda próximo de US$ 100). Entre 2000 e 2007 o PIB russo subiu de rasos US$ 250 bilhões para mais de US$ 1,2 trilhão. Recompôs sua posição de líder regional e voltou a ‘flexionar músculos’ de grande potência nuclear contraposta aos interesses e à política de invasões e força bruta da aliança anglo-euamericana.
O diretor da área de estudos russos de um instituto europeu situou o enigma Putin em declaração recente. Para ele, na época soviética, os planos eram de longo prazo, e as ações das lideranças geriátricas eram razoavelmente previsíveis. Hoje, a equipe de governo, que abriga também um núcleo mais jovem de egressos da KGB, é mais dinâmica em suas ações e resoluções. A força de Putin pode ser vista nas últimas eleições de 2 de dezembro: seu partido teve mais de 60% dos votos, e discute-se seu futuro papel, seja como um super primeiro ministro, seja como um árbitro tipo ‘Pai da Nação’, um grão-conselheiro.
Há, no entanto, outros campos em que existe cooperação entre Oriente e Ocidente, a exemplo do combate aos agrupamentos terroristas e movimentos separatistas e de fundo político-religioso, temas que interessam tanto à aliança anglo-euamericana quanto à oriental. O movimento fundamentalista afegão-paquistanês Talibã, por exemplo, é hostilizado hoje por russos e aliados ocidentais, e também pelo Irã, que nunca o apoiou. Os talibãs foram armados e apoiados pela aliança ocidental e pelo Paquistão nos tempos em que combatiam os invasores russos. Mas isso não impede que os dois lados continuem estimulando nos adversários revoltas e as chamadas ‘revoluções de veludo’. A Ucrânia se coloca ao lado da aliança ocidental e candidata-se a aderir à União Européia e talvez à Otan, tanto quanto a Geórgia, sacudida hoje por movimentos favoráveis ao realinhamento do país.
Erros e equívocos Com o Uzbequistão errou-se de modo drástico. De início pendente a aliar-se com o Ocidente, o Uzbequistão sofreu uma fermentação interna auxiliada pelos serviços secretos aliados, pois havia insatisfação com a condução do jogo pelo presidente Karimov. Uma revolta estimulada por agentes na cidade de Andijan foi brutalmente reprimida pelo governo. Após tomar conhecimento de que o governo Bush-Cheney pretendia animar uma comissão para levantar os acontecimentos de Andijan, além de ser responsabilizado por uma tentativa anterior de assassiná-lo, o Uzbequistão de Karimov repeliu a aliança, defenestrou as tropas ocidentais e aproximou-se em caráter definitivo da Rússia. Em 2005, finalmente foi fechada a base euamericana que ainda se mantinha no país. A importância do Uzbequistão também vem de possuir o maior exército da região depois do russo.
Ocorrência similar deu-se no Tadjiquistão, que também colocou para fora do país essas tropas. O Quirguistão ainda permite a presença de uma base euamericana, situada a 30 km de uma base russa, mas cobra um aluguel tão elevado que os EUA pretendem abandoná-la.
Em 1953, o líder iraniano e primeiro-ministro Mohammad Mossadegh estatizou as multinacionais do petróleo do Irã e nacionalizou as reservas. Mossadegh foi derrubado num golpe armado (e hoje fartamente documentado) pela CIA e pelo MI6 inglês. Em 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini liderou da Europa um golpe que depôs o aliado do Ocidente, o xá Pahlevi, e proclamou a primeira república islâmica da história. O nacionalismo iraniano, reprimido no país, ganhara refúgio nos templos e escolas islâmicos. Alguns analistas consideram a instalação da república islâmica iraniana como o fato político mais decisivo do século, além mesmo do fim da URSS. A julgar pelos fatos atuais, em que o futuro do mundo decide-se em torno da região, a idéia parece merecer fundamento. Ganham relevo nesse contexto as palavras do veterano repórter Robert Fisk sobre a ‘esquerda’ no Oriente Médio: para Fisk, não existem mais organizações de esquerda entre árabes; existem apenas agrupamentos islâmicos.
[Em posição menor mas não desimportante, organizações não governamentais tomam partido e são peças-chave nos embates. Organizações ambientalistas ou voltadas a direitos humanos e liberdades civis, como Greenpeace, WWF (World Wildlife Fund), Human Rights Watch, Transparência Internacional, atuam como atores do jogo político a serviço dos capitais internacionais que financiam suas atividades. O WWF foi fundado pela Casa Real inglesa, e o Greenpeace, pela Casa Real belga. É parte da história da época o fato de valores que hoje se incorporam ao exercício da cidadania serem também moeda de troca no Grande Jogo.]
A Aliança Oriental
Ainda na presidência do pândego Boris Ieltsin, em dezembro de 1999, a Rússia celebrou com a China de Jiang Zemin um acordo histórico de apoio mútuo e de oposição à aspiração euamericana de poder imperial num mundo então pretendido como unipolar, após o fim da guerra fria. Em meados de 2001, os dois países assinaram um tratado de boa vizinhança e cooperação amigável, que previa um pacto de defesa mútua. Nesse período, na chinesa Xangai, Rússia, China, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão, já em sua sexta reunião conjunta, convidaram o Uzbequistão e formaram juntos a Organização de Cooperação de Xangai (Shangai Cooperation Organization, SCO).
SCO A segunda cúpula da SCO reuniu-se em 2002 na Rússia, em São Petersburgo; a terceira, em 2003, em Moscou; a quarta, em Tashkent, capital do Uzbequistão, em 2004, com a presença da Mongólia na posição de observador, ocasião em que se estreitaram os laços de cooperação econômica e de defesa. A quinta reunião, realizada em 2005 em Astana, capital do Cazaquistão, contou com Mongólia e os novos observadores Índia,
Paquistão e Irã.
A sexta reunião, em 2006, novamente em Xangai, contou com os quatro observadores anteriores mais o convidado Afeganistão. À exceção da Índia, que enviou seu ministro de petróleo e gás, os três outros países observadores e o convidado Afeganistão, além dos membros plenos, foram representados pelos seus presidentes. Participaram também o chefe do comitê executivo da Comunidade de Estados Independentes - CEI e o secretário geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Na sétima e última cúpula, realizada em agosto deste ano em Bishkek, capital do Quirguistão, participaram os mesmos quatro observadores. Destaque-se que a posição de observador é um status, e o passo seguinte seria a incorporação do país à SCO, com status de membro pleno. Na mensagem que endereçou à cúpula, o presidente chinês Hu Jintao encareceu a necessidade de aprofundar a cooperação econômica entre os membros, oferecendo crédito e suporte
financeiro para os projetos multi e bilaterais, em especial nas áreas de transportes, energia e comunicações.
O ensaísta Alexander Lukin analisa a SCO e anota algumas sugestões sobre seu futuro. De início, destaca o que se convencionou chamar de “Espírito de Xangai” e que a SCO não tem inimigos, é um grande projeto de cooperação e desenvolvimento. Destaca ainda que a SCO não se coloca contra o Ocidente, e que seus membros estão abertos à cooperação com empresas e governos de todo o mundo, como ocorre hoje na China e, em menor escala após Putin, também na Rússia.
No capítulo ‘Segurança’, a SCO vê intimidade entre o terrorismo internacional e o separatismo e extremismo religioso. Assim, coloca ênfase na garantia da integridade territorial e na manutenção dos regimes leigos, posição contrária às pretendidas por Washington com sua política de ‘dividir para reinar’.
Lukin alerta para fatos como projetos fracamente implementados, entre eles as complexas interligações de transportes e de energia entre os parceiros. Em parte, atribui o atraso à política individualista chinesa, que termina por ser pouco atraente para todos. Outro fator limitante à expansão da colaboração é a não-constituição ainda de um fundo de desenvolvimento, embora já existam um Conselho de Negócios e uma Associação Interbancária.
Os EUA chegaram tarde a esses lances. Só em 2005, quando o Uzbequistão decidiu desfazer-se da aliança e voltar-se para a Rússia, a diplomacia euamericana acordou. Ainda em 2005, Frederick Starr publicou na revista “Foreign Affairs” seu projeto, endossado pelo governo, da constituição da Greater Central Asia Partnership for Cooperation and Development, para implementar programas conduzidos pelos EUA, com centro no Afeganistão. Os papéis de Rússia e China seriam irrisórios; o Irã não seria admitido; Paquistão e Afeganistão entrariam, com Índia e Turquia para, junto com o autor, zelarem pela segurança e a estabilidade na região.
No ano seguinte, 2006, numa audiência no Congresso, o secretário assistente de Estado para Assuntos da Ásia Central e Sul, Richard Boucher, nem sequer conseguiu nomear os seis países membros nem se referiu à SCO, numa omissão que aclarou seu desconhecimento. O agravamento da situação no Afeganistão atrapalhou em definitivo os planos euamericanos. Além disso, a imagem dos EUA é negativa entre os países da região, principalmente após os eventos do Uzbequistão, e muitos temem que a aproximação com os EUA lhes traga problemas.
Lukin aponta algumas mudanças necessárias ao fortalecimento da SCO e ao esvaziamento das propostas ocidentais. São: (1) interessar Índia, Paquistão e Mongólia a se tornarem membros plenos, e dar a Turquia e Afeganistão status de observadores; (2) envolver mais o Irã em seus propósitos pacíficos e construtivos; (3) criar mais cooperação econômica via fundos estatais alocados para projetos multilaterais; (4) abrir mais canais para a cooperação da China; (5) estabelecer uma universidade e um instituto de estudos; e (6) estimular as trocas culturais, esportivas e artísticas entre os membros.
A Aliança Militar
São muitos os acordos gerais, bilaterais e multilaterais que vêm se concertando no âmbito da SCO e seus parceiros observadores. Questões como energia, meio ambiente, infra-estrutura, finanças e educação têm recebido tanta atenção e investimentos quanto segurança e combate às manifestações separatistas, terroristas e extremistas, religiosas ou não. Para Nazemroaya, o Irã é um membro de fato, e sua aparente situação de observador destina-se a ocultar a natureza da cooperação trilateral entre Rússia, China e Irã e evitar a caracterização da SCO como um grupo anti-ocidental.
Segundo Brzezinzki em seu “The Grand Chessboard…”, para a aliança anglo-euamericana a formação de um eixo desse calibre é o que poderia acontecer de mais ameaçador a seus planos de hegemonia. Brzezinski alertava sobre a “emergência de uma coalisão que poderia eventualmente opor-se à supremacia” euamericana. Profeticamente, citou uma “aliança anti-hegemônica” que poderia “ser formada por China, Rússia e Irã”.
Além de a SCO implicar compromissos de defesa e colaboração contra eventuais ataques a um país-membro, embora não seja uma organização militar, existe ainda a CSTO (Collective Security Treaty Organization), sucessora da entidade que reuniu alguns países da ex-URSS logo após a sua dissolução. Compõem hoje a CSTO Rússia, Armênia, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Um general russo é o secretário geral da organização. A Otan não tem ligações com a SCO ou a SCTO, tanto quanto não as tem com a China.
Em outubro de 2007, foi assinado um acordo entre a CSTO e a SCO para ampliação da colaboração em campos como segurança, combate ao crime organizado e tráfico de drogas. O Irã analisa convite da Rússia para aderir à CSTO; seria o primeiro país fora da órbita da ex-URSS a compor a organização, que tem status de observador junto à Assembléia Geral da ONU. Embora a mídia pró-ocidental ainda não se tenha dado conta, existem hoje duas grandes alianças militares, a velha Otan que emergiu da Segunda Guerra e a CSTO recente, além de pactos que ampliam seu alcance, como os que envolvem a China e suas poderosas forças armadas.
Aliados e inimigos A posição de aliado de um ou outro lado é sempre dinâmica, e nesse jogo, se datado do início da década de 1990, os aliados ocidentais começaram bem e vêm desde então deixando escorrer pelos dedos suas conquistas iniciais. A Otan hoje acha-se mergulhada na interminável guerra no Afeganistão, e as tropas anglo-euamericanas vêm patinando na guerra no Iraque. O caso da Turquia, principal aliado ocidental na região, é ilustrativo do choque entre os interesses militares e políticos da aliança ocidental e os mais elevados interesses geopolíticos do país.
Há duas guerrilhas curdas, ligadas ao partido PKK e a um ramo seu, que combatem tropas turcas e iranianas. Ambas são toleradas e, da parte dos curdos, estimuladas; a anti-iraniana tem laços com militares euamericanos. A Turquia, que sedia boa parte do apoio logístico à guerra no Iraque, chegou a movimentar tropas para invadir o Iraque ao norte e desmantelar as bases em que se escondem os guerrilheiros curdos-turcos. Ameaçada pela intenção do Congresso dos EUA de reconhecer o genocídio turco contra os armênios entre 1915 e 1923, tema tabu que leva à prisão, a Turquia ameaçou fechar a base de apoio aos aliados. A questão ainda se acha pendente de gestões diplomáticas, que, sem que se neutralizem os curdos, serão dadas como fracasso.
Sob protestos e pressões de todo tipo dos aliados, e invocações ao embargo econômico imposto ao Irã, a Turquia e o Irã acabam de celebrar vários acordos para projetos conjuntos de produção de energia. Juntos, seus ministros de Energia declararam que outros pactos viriam em seqüência. Os acordos incluem a construção de três centrais de energia térmica de 2 mil MW cada, duas no Irã e uma na Turquia; várias hidrelétricas no Irã, com total de 10 mil MW; melhoria e expansão dos sistemas de transmissão dos dois países.
A Turquia compra gás do Irã, entregue por um gasoduto que parte da iraniana Tabriz até a capital Ankara, e do Azerbaijão, por um gasoduto que passa pela Georgia. Em julho, já se havia assinado acordo internacional para captar gás do Oriente Médio e da Ásia Central, que seria dirigido à União Européia por um gasoduto em desenvolvimento, o Projeto Nabucco europeu, de 3,3 mil km, que passa pelos Bálcãs. A pretensão original do Nabucco era garantir gás da Ásia Central sem interferência da Rússia nem passagem por seu território. Mas a Cúpula do Cáspio relativizou de modo profundo essa pretensão.
A Cúpula do Cáspio
A região do Mar Cáspio é rica em gás, petróleo e recursos variados, e os cinco países que reúnem fronteiras no mar dedicam-se, todos, à sua produção. A importância estratégica da Cúpula de 17 de outubro transparece nas 25 declarações finais do encontro, sob o pano de fundo das declarações de Putin, reproduzidas por todos os jornais influentes do planeta: “Não se deve pensar em usar a força nessa região”. Alguns dias antes, havia oferecido em Moscou um chá-de-cadeira de 45 minutos à secretária de Estado e ao de Defesa, Condoleezza Rice e Robert Gates, já que a meta de sua viagem era pedir concordância para mais sanções ao Irã e também tentar dissuadir Putin de ir à Cúpula do Cáspio. Também a chanceler alemã Ângela Merkel, tanto quanto o presidente francês Nicholas Sarkozy, tentaram dissuadir Putin na ocasião. Dois dias antes, fez-se circular na imprensa européia uma notícia de um pretenso atentado suicida contra Putin, que ocorreria em Teheran. Putin reagiu bem-humorado: ‘Se ouvisse esses conselhos, nunca sairia de casa’.
Na mesma semana, explodia pela última vez o velho conflito entre a Turquia e a guerrilha curda, o Congresso dos EUA ameaçava reconhecer o genocídio turco contra os armênios, e Bush recebia na Casa Branca o dalai lama tibetano, atitude que revoltou os meios diplomáticos e militares chineses. A visita do dalai lama veio pouco mais de um ano após uma inédita seqüência de humilhações armada pelo staff do governo Bush-Cheney contra o presidente chinês Hu Jintao na sua visita ao país. Ao invés do protocolar banquete, Bush ofereceu um pequeno jantar a Hu. Na recepção solene, tocou-se o hino, não da China, mas da inimiga Taiwan. E na conferência de imprensa organizada pelo governo permitiu-se a entrada de um membro do grupo Falun Gong, proibido na China, que discursou com acusações por mais de três minutos sem que fosse interrompido. A dupla Bush-Cheney trata amigos e inimigos com a mesma irresponsabilidade, como nota Brzezinski. Definitivamente, foi uma semana de Putin e Ahmadinejad.
Resoluções Entre as 25 resoluções, o Mar Cáspio foi fechado à navegação civil ou militar de outras bandeiras. Projetos de exploração de seus vastos recursos (terceira maior bacia energética do planeta) e associações setoriais para desenvolver programas específicos passarão a ser discutidos no âmbito da Cúpula. Essa resolução deve ser vista do ângulo da extensa e interminável pendência sobre a propriedade dos recursos no Cáspio. Kevin Kallaugher escrevia em abril: “Ter acesso direto ao gás da Ásia Central e do Cáspio é vital para a segurança energética européia”; “A grande batalha estratégica agora será sobre a rica-em-gás Ásia Central”. E arrematava: “Mas uma disputa longa e não resolvida sobre a propriedade no Cáspio entre, Irã, Casaquistão, Azerbaijão e Rússia torna essa questão explosiva”. Com a Cúpula, abriu-se um largo caminho para a solução harmônica da questão.
Um dos artigos da declaração final estabelece um acordo de não-agressão entre os cinco países, de solução pacífica de conflitos, e desautoriza o uso dos territórios por outrem para ataques a um membro. Isso deixa à disposição da aliança anglo-euamericana apenas o Iraque e o Afeganistão, além dos oceanos, para um ataque contra o Irã. A edição de 18 de outubro da e-revista Turkish Weekly esclarece: “O fato de as opções militares dos EUA terem sido repentinamente limitadas é apenas um dos efeitos da Cúpula de Teheran”.
A decisão foi definitiva para o Azerbaijão, que chegou a aprofundar novas relações com a aliança ocidental. Na verdade, o país sempre se caracterizou por um jogo duplo, em que cedia a apelos da aliança, mas não abandonava seus antigos laços. O Irã decidiu a questão antes da Cúpula, por meio de duas missões diplomáticas bem cimentadas por contatos anteriores. Obteve-se, na capital Baku, uma declaração em que os dois países rejeitavam interferências externas e o uso da força para a solução de problemas, um golpe nas pretensões dos EUA de aprofundar sua presença e apoiar um eventual ataque ao Irã também a partir do vizinho Azerbaijão. Na capital armênia Yerevan, o Irã intermediou o encaminhamento amigável da solução de um antigo conflito de fronteira que opõe armênios e azerbaijanos.
Antes, os aliados ocidentais haviam ajudado movimentos entre a imensa população azerbaijana do Irã. Os azerbaijanos são uns 8 milhões em seu país e mais de 10 milhões no norte do Irã (os números variam entre 10 e 19 milhões). Na existência de clima de conflito, seria imaginável “libertar” o norte do Irã e associá-lo ao Azerbaijão. Um trecho de noticiário sobre esses conflitos anteriores coloca em jogo as forças e a linguagem da guerra, ao afirmar que o clima na região azerbaijana do Irã era de fermentação, com o governo iraniano prendendo “ativistas de direitos humanos” e combatendo o que alguns vêem como a “luta por mais democracia” e outros vêem como “separatismo”.
Entre as declarações da Cúpula do Cáspio, anotam-se alguns outros pontos fortes. Reconhece-se o direito aos países de implementarem programas pacíficos de uso de energia nuclear, sob as salvaguardas do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, do qual o Irã é signatário (Israel, Índia e Paquistão não o são). A proteção ambiental e um sistema de consultas e adequação de leis foi sacramentado. Exatamente como nas proposições da SCO, a declaração 22 afirma que as partes consideram o terrorismo internacional, o separatismo agressivo, o tráfico de drogas, armas e outras ações ilegais uma ameaça a todo o mundo.
Corredor Norte-Sul Como fundamento e base da cooperação econômica, o Corredor Norte-Sul integra-se firmemente aos planos da Cúpula. Uma nova ferrovia Casaquistão-Turcmenistão-Irã está prevista. Com a interligação das vias de transporte de mercadorias e energia dos países ao gigantesco sistema russo, uma nova saída para o Golfo Pérsico via Irã se tornaria disponível. A SCO tem interesse direto no Corredor, com ênfase nas intenções do Turcmenistão, de ganhar uma saída ao mar, e da China, de reduzir o tempo de transporte das mercadorias até pontos como norte da África, Oriente Médio e Europa. O Corredor, que interligará a Rússia, ao norte, países do Cáspio e a Ásia Central ao Golfo Pérsico, ao sul, fortalece a posição da região como fonte de matérias-primas essenciais, como petróleo, gás e carvão, e solidifica ainda mais a posição da Rússia.
Sobre o Corredor Norte-Sul, a Turkish Weekly registra que, aspectos militares à parte, a integração do Corredor Norte-Sul na Cúpula do Cáspio é o fato maior que avultou. Acha que é difícil a alguém fabular sobre o enorme potencial do Corredor Norte-Sul. “Se a descoberta dos caminhos marítimos decretou a morte da Rota da Seda, o estabelecimento do Corredor Norte-Sul poderia reverter o curso da história.”, afirma com veemência a Turkish Weekly. Como irá reduzir o tempo de trânsito das mercadorias e baratear os fretes, o Corredor seria solução também para muitos países da Ásia fazerem chegar seus produtos até seus maiores mercados, e vice-versa. Iniciativas como áreas de livre comércio e de industrialização seriam abertas ao longo do Corredor. A Turkish Weekly finaliza seus comentários com a constatação de que, com metade da carga mundial de mercadorias passando pelo país, a Rússia sempre poderia habilitar-se a continuar participando do jogo global mesmo com o declínio de suas jazidas de energia.
Energia A posse das fontes de energia, questão central da época, vai-se firmando nas mãos dos próprios atores locais, como se viu na Cúpula do Cáspio. Ao lado disso, corre aos poucos a transformação das petroleiras, de antigas proprietárias e donas de jazidas, à posição atual de parceiras menores. A Rússia fornece gás, entre outros, à União Européia; para alguns países, chega a 100% da oferta, além de a poderosa estatal russa de energia Gazprom (terceira empresa em valor de mercado do mundo) deter participação em dezenas de empresas de energia européias.
Há muito os países da região vêm desenvolvendo esforços diplomáticos e comerciais para harmonizarem suas políticas de energia, e este é mais um ponto de atrito e desconforto nas relações com o Ocidente. Há uma profusão de projetos que atravessam, quando não ameaçam, alianças e conveniências políticas. A oposição dos EUA à construção de um gasoduto Irã-Paquistão-Índia contraria os governos aliados, interfere em seu desenvolvimento e altera a moldagem de seu futuro, além de prejudicar também empresas e forças políticas diversas. O gasoduto, de 2,8 mil km e US$ 7,7 bilhões, seria financiado e construído pela Gazprom.
O governo euamericano apoiou há pouco uma iniciativa de independência energética da Europa: o gasoduto Nabucco, que sai da Turquia e avança pelos Bálcãs e Europa Central até a Áustria, onde estão sendo construídas as instalações de um gigantesco reservatório de distribuição. O objetivo original seria entregar à Europa o gás da Ásia Central sem depender da Rússia e circundando seu território, afinal, hoje boa parte da União Européia já vive à mercê da torneira russa. Do lado russo, outros gasodutos são bem-vindos, a exemplo do que sai da Rússia pelo Mar Báltico direto para a Alemanha, em construção por consórcio de empresas dos dois países dirigido pelo ex-chanceler Gerhard Schroeder. O gasoduto do norte reduzirá o total do gás russo que passa pela Ucrânia, país ligado ao Ocidente. E inicia-se o projeto russo de um gasoduto via Grécia e Bulgária, sem passar pela Turquia, outro aliado do Ocidente.
Mas a dupla de governo Bush-Cheney não contava com a astúcia de Putin, cuja popularidade vem de sua gestão que levantou o país e o repôs no tabuleiro do Grande Jogo novamente em pé de igualdade com algumas potências. O Nabucco poderá transportar gás do Turcmenistão, Casaquistão etc., mas, após a Cúpula do Cáspio, qualquer negociação contará com a presença da Rússia. Dessa forma, o objetivo estratégico de obter gás sem a presença russa foi sumariamente eliminado. Além disso, Putin associou-se aos austríacos no empreendimento, por intermédio da Gazprom.
A ativa diplomacia do Irã, ignorada pela mídia ocidental, registra recentes articulações com países do Cáucaso, da África do Norte e da Ásia Central e o Conselho de Cooperação do Golfo, maiores produtores mundiais de petróleo. O Irã vem fechando acordos comerciais vitais com outros vizinhos, inclusive com a Turquia, membro da Otan (que vive hoje momentos de sério atrito com os EUA, cuja popularidade no país acha-se num recorde de baixa).
Sonhos e Pesadelos
A intenção da União Européia de garantir cada vez mais seu gás e seu petróleo sem Rússia e Irã vai se tornando inatingível. Mas a União Européia tem um mau sonho mais próximo e elementar. A ex-URSS e a Rússia por muito tempo aplicaram recursos e esforços na construção de uma imensa rede de oleodutos e gasodutos, mas não destinaram suficiente atenção à produção. Com uma Rússia em crescimento econômico firme e crescente demanda interna de sua própria produção, além de prazos dilatados para que novos supercampos comecem a produzir, um receio começa a manifestar-se entre especialistas europeus: o de que a Rússia em breve não tenha gás suficiente para vender a uma sempre ávida UE.
E o grande pesadelo da dupla Bush-Cheney também vai tomando corpo. A China, desde 2003 o segundo maior consumidor de energia do mundo, vai ocupando os espaços do Ocidente junto a produtores africanos e do Oriente Médio. Em visita em 2006 à China, primeiro país a ser visitado pelo rei Abdullah, da Arábia Saudita, firmaram-se acordos que dão sustentação ao comércio anual de US$ 16 bilhões entre os países. Após a humilhação nos Estados Unidos, em 2006, Hu Jintao aportou na Arábia Saudita, depois na nova aliada Nigéria, Marrocos e Quênia. Ao contrário dos financiamentos do Banco Mundial e FMI, repletos de juros e imposições, a China celebra acordos e simplesmente dá sua contrapartida, muitas vezes gratuita.
O grande pesadelo inclui ainda a futura imensa rede de petróleo e gás, que parte do norte da Rússia, passa pela Ásia Central e pelo Cáspio, cruza Irã e Síria, abarca o norte da África e os países do Golfo, e une as duas grandes regiões produtoras mundiais num só corpo. Nas mãos de Rússia, Irã, Arábia Saudita, Síria, Argélia… Anda aceso o debate acerca da criação do que vem sendo chamado “Opep do Gás”, liderada hoje por Rússia, Irã, Qatar, Argélia e Venezuela, que juntam 80% das reservas mundiais.
É relevante o imenso tabuleiro eurasiático de predominantes acordos bilaterais e também multilaterais estratégicos, entre países, organizações e empresas, que se destinam a construir entre os interessados relações pacíficas, amigáveis e prósperas, conduzidas no contexto do respeito às leis internacionais. Numa ponta do tabuleiro, a aliança EUA-Reino Unido assina até agora a recente invasão genocida de dois países, em ‘ataques preventivos’ decididos ao arrepio de normas internacionais e de resoluções da ONU, para combate ao ‘terrorismo internacional’, e assume o apoio à maior força de desestabilização do Oriente Médio, a nuclear Israel.
A Opep e o Dólar
Também fonte de maus sonhos para a aliança ocidental foi a recente reunião da Opep, em Riad, que abordou a diversificação da cesta de moedas habilitadas ao comércio de petróleo, desde 1974 praticamente restrita ao dólar, o que ainda ajuda a sustentá-lo como moeda. Apesar das promessas da Arábia Saudita de não abandonar o dólar-petróleo, torna-se a cada dia mais difícil aos países, governos e bancos centrais manter a moeda e, ao mesmo tempo, arcar com os riscos e prejuízos.
Outras notícias dão conta de que Coréia do Sul, Angola, Iraque, Nigéria, China, Irã, Venezuela, Rússia, Arábia Saudita e outros começam ou continuam a movimentar-se para trocar parte de suas reservas em dólar por moedas e papéis mais seguros. Mas não se deve tratar, conforme o analista Muriel Mirak-Weissbach, de derrubar o império junto com sua moeda, como deseja e expressou Chávez. O sistema financeiro internacional e o sistema de comércio mundial apóiam-se também no dólar, e por isso, para o analista, as transições devem ser articuladas com a participação dos EUA, ainda a maior economia do planeta; qualquer outro caminho provocaria apenas caos e anarquia, e, conseqüentemente, mais guerra.
Mirak-Weissbach expõe caminhos para a saída. Um deles seria a convocação de uma conferência internacional para reforma do sistema monetário, com a presença essencial de EUA, Rússia, China, etc. Seriam restabelecidas taxas fixas de câmbio entre as principais moedas, e a partir daí a especulação seria contida. Assim, qualquer dessas moedas poderia servir para a compra de petróleo. Seriam também retomados outros aspectos positivos, como o direcionamento dos investimentos à produção de bens e riquezas.
Outro caminho seria uma opção pela energia nuclear. Para Mirak-Weissbach, a Opep deveria organizar-se para o futuro de pouco petróleo investindo agora suas imensas reservas em centrais nucleares, a energia do futuro para todos. O analista registra as opiniões de vários chefes de Estado inclusive do Irã, que põe à disposição sua tecnologia própria de que um país neutro (a Suíça é citada) poderia centralizar as atividades de enriquecimento de urânio e fabricação dos combustíveis nucleares para as usinas. Isso afastaria o fantasma do desvio de produção para chegar a armas nucleares. E também permitiria redirecionar o petróleo para aplicações mais interessantes, por exemplo na petroquímica.
No discurso, os aliados ocidentais brilham. No terreno firme dos fatos econômicos e políticos, a aliança vai-se desfazendo em derrotas, dívidas de trilhões, recessão, crise financeira, isolamento e condenações. Por enquanto, as brancas jogam e perdem…
Rabo de artigo
O agudo comentário de Mirak-Weissbach não toca na existência de uma indústria e um estoque de armas nucleares nas mãos de aliados ocidentais, Rússia e China. A dupla Bush-Cheney ameaça uma guerra nuclear contra o Irã. Falta um motivo, real ou fictício. Entre 29 e 30 de agosto deste ano, um míssil nuclear com carga dez vezes maior que a da bomba de Hiroxima desapareceu nos Estados Unidos, numa história militar tão ou mais cheia de desencontros e mentiras quanto a dos ataques às torres gêmeas em 2001.
Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, em 1º de fevereiro de 2007, Zbigniew Brzezinski iniciou com as palavras: “A guerra no Iraque é uma calamidade histórica, estratégica e moral”. Sobre a possível ação militar contra o Irã, afirmou que poderia vir após “alguma provocação no Iraque ou um ato terrorista nos Estados Unidos que seria atribuído ao Irã”.
Revista NovaE
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