Vitória de John McCain sinaliza fragmentação do Partido Republicano
No verão passado a campanha presidencial de John McCain parecia estar nas últimas. Agora a sua vitória em New Hampshire marca uma impressionante recuperação. Porém, isso pode não ajudar muito, nem a ele nem à causa republicana, já que o campo do seu partido está irremediavelmente fragmentado
Marc Pitzke
John McCain é um homem supersticioso. Ele preferiu hospedar-se no mesmo hotel em que ficou em New Hampshire em 2000, a última ocasião em que obteve uma reviravolta política em uma eleição primária. O hotel é o Crowne Plaza, em Nashua, a cidade na qual anunciou a sua primeira disputa pela candidatura republicana oito anos atrás. Ele ficou no mesmo quarto e alugou o mesmo salão. Durante o dia ele chegou até a usar o mesmo pulover azul e verde, com gola “V”, que vestiu naquela ocasião.
Às vezes a política é mais do que estratégia ou cálculo frio. Em certas ocasiões política diz respeito simplesmente a cerrar os dentes e partir para a luta. Isso se aplica a John McCain. Na noite que passou em New Hampshire, ele provou aquele velho adágio segundo o qual em política o jogo só termina no apito final. Esta é, até o momento, a maior lição da campanha. E uma lição que alguns democratas estão tendo que digerir.
“Obrigado, obrigado, obrigado”, gritou para os seus eufóricos eleitores McCain, de 71 anos, que até recentemente era descartado como sendo uma velharia trágica. “Nós mostramos a eles o que é um retorno”.
O salão transformou-se em um mar de bandeiras de listras e estrelas, e nele ressoou o grito de batalha: “Mac retornou! Mac retornou!”, seguido dos gritos patrióticos “U-S-A! U-S-A!” para o velho herói da Guerra do Vietnã.
Déjà vu: muita coisa na vitória de McCain na eleição primária de New Hampshire faz lembrar a vitória de 2000. Naquele ano, como agora, o seu ônibus de batalha, o “Straigh Talk Express” (algo como “Expresso da Fala Honesta”) rodou pelo Estado - e os repórteres foram sempre bem-vindos. À época ele embaraçou George W. Bush, relegando este a um segundo lugar com uma vitória de 49% a 30%. Desta vez ele derrotou o rival Mitt Romney.
Mas é claro que muita coisa mudou nos últimos oito anos. Em 2000 tratava-se de um simples duelo entre McCain e Bush. McCain era oito anos mais novo, e Bush rumou para a vitória na Carolina do Sul, jogando-o para fora da disputa com tanta força que McCain demorou muito para se recuperar.
“Duas pratas e um ouro”
McCain tem boas razões para estar felicíssimo com o seu sucesso, mas isso não torna a disputa republicana pela presidência nem um pouco mais fácil. Pelo contrário, a vaga do candidato republicano à presidência ficou subitamente escancarada, mais escancarada do que nunca.
Na semana passada, Iowa deu a vitória a Mike Huckabee, o oponente da Teoria da Evolução com consciência social e retórica de pastor. Em New Hampshire foi a vez de McCain, o rebelde que não concorda com a liderança do Partido Republicano. Muitos não deram atenção à pequena eleição primária de Wyoming, onde Mitt Romney - o milionário sempre alinhado que continua a se achar o favorito, apesar das duas derrotas que sofreu - saiu vitorioso.
“Até agora só houve três disputas, e eu obtive duas medalhas de prata e uma de ouro”, disse Romney.
Michigan, Carolina do Sul e Flórida são as próximas paradas deste circo itinerante de promessas eleitorais. E os candidatos partiram antes mesmo que os confetes fossem varridos. McCain seguiu para Michigan, e Huckabee para a Carolina do Sul. Na quinta-feira eles todos se encontrarão em Myrtle Beach, na Carolina do Sul, para mais um debate na televisão onde os assuntos serão impostos e imigração e onde se discutirá o que mais confere qualificação para a liderança - o fato de ter servido as forças armadas, feito parte de uma diretoria executiva ou pregado em um púlpito.
A recuperação de McCain foi um grande feito. As suas verbas secaram, os seus estrategistas ou desistiram ou foram demitidos e vários especialistas previram que ele não se recuperaria da gafe cometida durante uma visita a Bagdá em abril, quando caminhou pelo mercado Shorja, em Bagdá (protegido por cem soldados e por um colete a prova de balas - e alegou: “Há bairros em Bagdá nos quais atualmente eu e você podemos caminhar”.
O seu apoio à política de Bush para o Iraque também pareceu prenunciar a sua queda, assim como o seu apoio à fracassada reforma da lei de imigração. No final, porém, a “fala honesta” de McCain saiu vencedora, pelo menos em New Hampshire.
Uma onda de adrenalina de curta duração?
Ele tem ímpeto. Mas agora McCain enfrenta o Michigan, o Estado no qual Romney foi criado. E depois a Carolina do Sul, onde o sulista Mike Huckabee atrai os eleitores cristãos. E a seguir a Flórida, onde Rudy Giuliani, que ignorou Iowa e New Hampshire, consolidou um forte reduto eleitoral entre os latinos e ex-novaiorquinos.
Todos os candidatos republicanos estão começando a dar sinais de desgaste. Romney, que perdeu as duas primeiras grandes eleições apesar de ter investido mais de US$ 20 milhões na campanha; Huckabee, que está perdendo ímpeto apesar da sua vitória em Iowa; Giuliani, cuja estratégia eleitoral parece cada vez mais arriscada; e o enrolado Fred Thomson.
Os assessores de McCain não sabem como disseminar a onda de adrenalina de New Hampshire pelo país - sem os milhões de Romney e o apoio do establishment do partido.
Esse é o dilema dos republicanos. Um grande número de candidatos continua na disputa, mas nenhum deles é de fato convincente, e todos parecem envelhecidos ao papagaiarem os apelos de Obama por “mudança”.
Nenhum deles está conseguindo mobilizar o partido inteiro. Nenhum parece ser capaz de forjar aquele tipo de aliança que garantiu a vaga de candidato pelo partido a Ronald Reagan. Em vez disso, todos os candidatos estão se dirigindo aos seus próprios públicos, às suas próprias facções dentro do partido. “Temos um punhado de candidatos incapazes de vencer”, reclamou o ex-senador republicano Rick Santorum.
“É uma guerra de desgaste”, diz Dan Bartlett, ex-assessor de Bush. Provavelmente o partido de Lincoln nunca antes esteve assim tão dividido.
Por ora, McCain ainda pode regozijar-se com a sua recuperação. Na sua festa eleitoral na noite de terça-feira o DJ tocou “Eye of the Tiger”, da banda Survivor, a trilha sonora do filme “Rocky III”. Um trecho da música diz: “Apenas um homem e a sua vontade de sobreviver”. Ouvindo isso, John McCain sorriu como um garotinho.
Der Spiegel
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marcus disse,
24 de Março de 2008 @ 15h 12m
PELO JEITO É GEORGE W.BUSH II, POIS O MCCAIN É A FAVOR DA OCUPAÇÃO DO IRAQUE QUE MATOU 3750 SOLDADOS E MANDOU A ECONOMIA DOS EUA PARA O BURACO.