As Batalhas contra Deus II
O signo da modernidade é também o signo da ascensão do ateísmo. Esta constatação do declínio de Deus tem sido feita tanto pelos intelectuais e cientistas, como também pelos líderes das grandes religiões instituídas. Especialmente esta é a opinião dos papas católicos desde o Syllabus de 1873 de Pio IX, que lançou um anátema de 80 artigos contra o mundo moderno, até a última encíclica de Bento XVI, a Spe Salvis, de 16/12/2007.
A reação antidarwinista
O palco maior da reação às teorias de Darwin tem sido os Estados Unidos, mais do que a Grã-Bretanha, pátria de Richard Dawkins e de Christopher Hitchens, os dois mais conhecidos difusores do neodarwinismo (um na área científica e o outro no campo midiático). A primeira forma de contestação partiu dos defensores do Criacionismo, em geral expressado por pastores batistas e de outras seitas pentecostais.
Baseados no Bible Belts, o Cinturão Bíblico, composto pelos estados sulistas nos quais a presença religiosa dos Evangélicos é mais atuante, os Criacionistas têm procurado impedir o ensino das teorias evolucionistas e darwinistas nas escolas públicas, considerando-as expressões de uma modernidade materialista e atéia que voltou suas costas a Deus.
Um tanto mais sofisticada é a teoria do Desenho Inteligente, cujo representante mais conhecido é o bioquímico norte-americano Michael Behe (in The Edge of Evolution) que, com argumentação, mais científica do que religiosa, procurou refutar alguns aspectos afirmativos do darwinismo, propondo a existência de um “desenhista original” que teria projetado determinadas características das espécies que não estariam submetidas ou afetadas pelo processo da evolução ou da luta pela sobrevivência.
Provavelmente esta foi uma das razões que tenha levado a dupla neodarwinista britânica a um cerrado ataque à religião e a Deus em suas últimas publicações. Mas também deve se considerar o efeito da tensão gerada no mundo anglo-saxão pela surpreendente restauração e expansão do fundamentalismo religioso nos últimos anos que, segundo Christopher Hitchens, estaria alimentando o conflito sem fim no Oriente Médio, contribuindo para a instabilidade da ordem mundial numa escala sem precedentes.
Bibliografia
Behe, Michael – A caixa preta de Darwin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
Behe, Michael – The edge of evolution: in search of the limits of Darwinism:
Nova York: Simon&Schuster, 2007.
Darwin, Charles – Origem das Espécies. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2002.
Dawkins, Richard – O relojoeiro cego. São Paulo: Cia das Letras, 2001
Dawkins, Richard – Deus – um delírio. São Paulo: Cia. das Letras, 2007
Denton, Michael - Evolution: A Theory in Crisis. Bethesda: Adler & Adler, 1985.
Denton, Michael - Nature’s Destiny: How the Laws of Biology Reveal Purpose in the Universe, The New York: The Free Press, 1998
Hitchens, Christopher – Deus não é grande. Rio de Janeiro:Ediouro, 2007.
Miller, Kenneth – Finding Darwin´s God. A scientist´s search for common ground between God and Evolution. Nova York: Harpers Collins PS Edition, 2007.
Minois, George - História do Ateísmo. Lisboa. Editor Teorema. 2004.
Throwes, James – Breve história do ateísmo ocidental. Lisboa;Edições 70 , 1982
Terra Educação
http://noticias.terra.com.br/educacao
Permalink Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 115.
Marcos disse,
17 de Março de 2008 @ 08h 56m
Amigão: o Syllabus é de 1864. É a súmula dos 80 erros modernos na visão do Vaticano e acompanha a Encíclica Quanta Cura.