Relator da ONU diz que biocombustíveis são um crime contra a humanidade
AFP
A produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços mundiais dos alimentos, declarou nesta segunda-feira o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, o suíço Jean Ziegler, em entrevista a uma rádio alemã.
Os críticos dessa tecnologia argumentam que o uso de terras férteis para cultivos destinados a fabricar biocombustíveis reduz as superfícies destinadas aos alimentos e contribui para o aumento dos preços dos mantimentos.
Ziegler pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que mude suas políticas sobre os subsídios agrícolas e deixe de apoiar apenas programas destinados à redução da dívida. Para ele, a agricultura também deve ser subsidiada em regiões onde se garanta a sobrevivência das populações locais.
O ministro das Relações Exteriores alemão, Peer Steinbrueck, deu seu apoio ao apelo feito pelo FMI e o Banco Mundial neste fim de semana para responder à crise gerada pelo aumento de preços dos alimentos, que está gerando violência e instabilidade política em inúmeros países.
“A Alemanha não fugirá de sua obrigação nesse tema”, afirmou Steinbrueck.
Ziegler acusou a União Européia de dumping agrícola na África.
A UE financia as exportações de superávits agrícolas europeus para a África, onde são oferecidos pela metade ou a um terço de seu preço de produção”, queixou-se Ziegler. “Isso arruina completamente a agricultura africana”, acrescentou.
Em entrevista ao jornal francês “Liberation”, Ziegler também advertiu que o mundo se dirige para “um período muito longo de distúrbios e outros tipos de conflitos derivados da escassez de alimentos e aumentos de preços”.
Nesse contexto, a Comissão Européia indicou nesta segunda-feira que vai propor a supressão das subvenções para os cultivos destinados à produção de biocombustíveis, em meio à crescente polêmica causada pelo desenvolvimento dessa fonte de energia para lutar contra a mudança climática.
Vários outros dirigentes europeus já manifestaram preocupação com a utilização da produção agrícola com fins energéticos em detrimento dos alimentos, num contexto de alta dos preços das matérias-primas.
A produção agrícola com fins alimentares deve ser claramente prioritária”, afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier.
A França propôs nesta segunda-feira uma iniciativa européia frente ao aumento de preços das matérias-primas e a crise alimentar que isto provoca, impulsionando um apoio reforçado à agricultura comunitária e uma ajuda maior a este setor nos países pobres.
“Em um mundo em que vai ser necessário produzir mais e melhor para alimentar nove bilhões de habitantes, há necessidade dos esforços de todos e também da Europa”, afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier, ao antecipar as grandes linhas da proposta que deve apresentar a seus colegas da União Européia em Luxemburgo.
AFP
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riccardopetrillo disse,
20 de Junho de 2008 @ 00h 59m
Os biocombustíveis não são um “crime contra a humanidade”, mas sim uma alternativa muito mais responsável e inteligente de gerar energia. O importante é planejar a produção, investir para o aumento da produtividade agrícola e definir as áreas destinadas a produção das matérias-primas. Crime contra a humanidade são os “inimigos inventados” pelos Estados Unidos e Europa para roubar petróleo do Oriente Médio, exterminando milhares de famílias inocentes, além de provocar alterações climáticas que poderão gerar a morte de milhões de pessoas. A produção dos biocombustíveis também não interessa às multinacionais do petróleo, pois poderão perder mercado a médio e longo prazo. Os países de grande extensão territorial como Brasil, China, India, Estados Unidos, Russia e Canadá podem produzir biocombustíveis, sem comprometer a produção agrícola mundial. O importante é que os países menos favorecidos tenham acesso facilitado às tecnologias para aumentar a produtividade na produção de alimentos, e dar melhor tratamento ao solo, evitando a desertificação e outros problemas ambientais.