Rússia nega que política está por trás de suspensão do fornecimento de petróleo

Judy Dempsey

A Rússia negou que haja motivações políticas por trás da repentina redução do fornecimento de petróleo para a República Tcheca, que teve início um dia depois de Praga ter irritado o Kremlin ao assinar um acordo para escudo antimísseis com os Estados Unidos.

Apesar de terem mencionado “motivos técnicos” para o corte, os diplomatas russos em Praga não disseram quando o fornecimento pleno seria retomado, disseram autoridades tchecas na segunda-feira.

Em 8 de julho, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, visitou Praga para assinar um tratado permitindo ao Pentágono a instalação de parte de seu escudo antimísseis em território tcheco.

Mal o tratado foi assinado e a Rússia anunciou que retaliaria, apesar do Ministério das Relações Exteriores russo não ter especificado naquele momento qual seria a forma. Um dia depois, a quantidade de petróleo enviada pela Rússia por oleoduto Druzhba (ou amizade, em português) foi reduzida.

Mas as autoridades tchecas foram cuidadosas na segunda-feira em não sugerir que o Kremlin estava usando seu poder como fornecedora de energia para punir o país.

“Os russos disseram que a redução no fornecimento não foi política”, disse Tomas Bartovsky, um porta-voz do Ministério da Indústria e Comércio tcheco, em uma entrevista. “O lado russo disse que havia alguns problemas técnicos. Eles envolviam a reestruturação das empresas que lidam com o óleo cru.”

Quando lhe foi pedido para que fosse mais específico, Bartovsky disse que não podia; a Rússia não forneceu nenhum detalhe adicional.

A Transneft, a empresa russa que envia o petróleo para a República Tcheca, disse que as reduções podiam ser atribuídas a fatores econômicos. “Não tem nada a ver com política”, disse Mikhail Barkov, vice-presidente da empresa, para a agência de notícias “Interfax”. “É uma questão puramente comercial.”

Barkov também disse que as duas empresas russas cortaram o fornecimento porque podiam refinar o petróleo cru na Rússia em termos mais lucrativos.

As reduções, que representam cerca de 15% das importações de petróleo da República Tcheca pelo oleoduto da amizade, levantam dúvidas sobre os motivos russos e sua credibilidade como exportador confiável, em um momento em que a União Européia (UE) está buscando adotar uma política comum para segurança da energia.

Quando a Rússia reduz ou suspende o envio de gás natural ou petróleo para a Europa, ela supostamente deveria informar a Comissão Européia por meio de um sistema de alerta com o qual concordou 18 meses atrás.

O acordo foi acertado depois que a Rússia suspendeu o fornecimento para Belarus, um importante país de trânsito para o petróleo e gás natural russos destinado aos mercados europeus. O resultado foi que alguns países informaram falta dos produtos.

Ferran Tarradellas Espuny, um porta-voz de Andris Piebalgs, o comissário de energia da UE, disse que “não houve necessidade de ativar o sistema de alerta” desta vez.

“A comissão está em contato com o lado tcheco. Os tchecos disseram que contam com reservas suficientes para durar cerca de 95 dias e que possuem fontes alternativas de energia.”

A Rússia fornece mais de um quarto do gás natural e petróleo usados na Europa. Muitos dos ex-países comunistas da Europa Central e Oriental são quase completamente dependentes da energia russa, porque suas infra-estruturas foram ligadas diretamente aos oleodutos e gasodutos soviéticos.

Durante os anos 90, a República Tcheca adotou uma estratégia de diversificação de energia, comprando a partir do oleoduto TAL-IKL, que fornece petróleo dos países no Mediterrâneo. A República Tcheca também tem um acordo com a Alemanha para aumentar o fornecimento de petróleo a partir do oleoduto Ingolstadt.

Como resultado, a República Tcheca conta com amplas reservas. “Neste sentido, nós somos muito, muito afortunados”, disse Bartovsky, o porta-voz do Ministério da Indústria e Comércio tcheco. Mas Bartovsky disse não saber por quanto tempo durará a redução do fornecimento de petróleo pelos russos.

Há três anos, o petróleo russo destinado para uma refinaria de petróleo lituana também foi suspenso por motivos técnicos. A Transneft, o monopólio russo responsável pelo envio do gás natural e petróleo por gasodutos e oleodutos, disse na época que tinha ocorrido um rompimento do oleoduto e que precisaria de alguns poucos meses para repará-lo. O fornecimento de petróleo para a refinaria ainda não foi retomado.

Os governos polonês e lituano disseram na época que a Rússia adotou essa política para minar os planos de uma empresa polonesa, a PKK Orlen, que impediu a Rússia de adquirir a refinaria.

“International Herald Tribune”

Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 97.

Deixe um Comentário