Cartéis mexicanos organizam a passagem de migrantes cubanos aos EUA

Joëlle Stolz

Exilados cubanos nos EUA pagam aos cartéis da droga mexicanos para organizar a passagem de migrantes cubanos para o território americano. Segundo as autoridades mexicanas, esse tráfico rende até US$ 19 mil por migrante, o que explica que grupos criminosos estabelecidos tenham investido nesse mercado.

Um incidente ocorrido em 11 de junho serviu de advertência. Agentes do Instituto Nacional de Imigração acompanhavam de ônibus 33 cubanos em situação irregular, assim como quatro outros migrantes da América Central que tinham sido capturados na costa mexicana do Caribe e deveriam ser internados no centro de detenção administrativa de Tapachula (sul de Chiapas).

Normalmente os migrantes cubanos são retidos por um mês em Tapachula antes de receber, depois de pagar uma multa, um documento que os autoriza a ficar dez dias no México, quando o governo fecha os olhos para os meios pelos quais eles chegam à fronteira dos EUA, onde recebem automaticamente uma licença de permanência temporária.

Mas o veículo foi interceptado em Chiapas por um comando de cerca de dez homens fortemente armados e usando capuzes que “libertaram” os cubanos. Dezoito deles foram encontrados oito dias depois no Texas. Eles tinham transitado por um esconderijo na região de Veracruz, na costa atlântica mexicana, antes de atravessar a fronteira em Reynosa, no Estado de Tamaulipas (nordeste). Mas essa rota é controlada pelo cartel do Golfo e seus matadores, os “zetas”.

A presença destes últimos na operação foi confirmada pelo procurador-geral adjunto da República, José Luis Santiago Vasconcelos.

Na segunda-feira (23/06), o jornal “La Jornada” trouxe outros detalhes: dois passadores americanos de origem cubana, detidos em 8 de junho pela marinha mexicana quando transportavam o grupo de 33 cubanos, confessaram pertencer a uma organização anticastrista baseada em Miami, a Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA).

Segundo eles, a FNCA recorre desde 2005 ao serviços do cartel do Golfo. Os candidatos a emigração deixam Cuba em pequenas embarcações e depois, ao atingir águas internacionais, embarcam em iates ou lanchas “off-shore”, antes de ser transferidos para Tamaulipas, e os “zetas” se encarregam de escoltá-los até a fronteira.

Os dois passadores, aos quais o tribunal ofereceu o status de testemunhas protegidas, afirmam que uma parte do dinheiro pago pelos migrantes serve para corromper funcionários mexicanos.

Para o jornal mexicano “El Universal”, a península de Yucatan se tornou a “Nova Flórida”, uma base que permite que os meios anticastristas atraiam para os EUA talentos até então cobiçados pelo regime de Havana, principalmente esportistas. Foi o que ocorreu com o jovem prodígio do beisebol Dayan Viciedo, 19 anos, que chegou em 20 de maio em uma lancha à costa mexicana e já é cortejado por clubes americanos.

“Le Monde”

Enviar por e-mail. Hits para esta publicação: 203.

Deixe um Comentário