*Os Fantasmas de Abu Ghraib (documentário)

“Fantasmas de Abu Ghraib”
de Rory Kennedy, EUA, 78 min., 2006

Fábio Yamaji

No final de 2003, vieram a público imagens impressionantes de torturas e abusos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, durante a guerra iniciada pelos americanos após o 11 de Setembro. A diretora Rory Kennedy, filha do ex-senador e candidato a presidente dos Estados Unidos, Bob Kennedy, investigou a fundo a história daquelas fotos, entrevistando envolvidos em todos os níveis: oficiais do exército, políticos, algozes e vítimas - além de especialistas em casos de tortura, advogados, membros da inteligência americana. Com o objetivo de desenhar os contextos político e psicológico em que os crimes foram cometidos, tentando entender tais atrocidades, Kennedy apurou abusos de poder, despreparo da polícia militar carcerária, violação aos direitos humanos, prisão de civis inocentes, desrespeito às regras da Convenção de Genebra (assinada pelos americanos), mentiras de guerra.

A questão é: as torturas foram aplicadas pelos carcerários por conta própria, em momentos de ócio e sadismo longe de casa, ou foram ordens vindas de cima? Ou ainda, as duas hipóteses? E até que ponto os policiais militares americanos responsáveis pela guarda dos prisioneiros iraquianos estariam dispostos a vestir a carapuça de carrasco, em nome de ordem superior? Rory Kennedy comenta esta questão logo na abertura do filme, ao inserir registros dos anos 60 do experimento de Stanley Milgram – psicólogo da Universidade de Yale - que testava os limites da obediência à autoridade colocando os participantes na posição de algozes.

Curiosamente, as técnicas de tortura em Abu Ghraib se assemelham às aplicadas na base de Guantânamo e, quem diria, às da época da ditadura brasileira. Fato é que se essas fotos não tivessem vindo à tona esses crimes jamais seriam conhecidos. E seus responsáveis punidos? Nem todos…

Produzido pela HBO, “Fantasmas de Abu Ghraib” tem conteúdo precioso - mas forma nem tanto. A inspiração passa longe neste quesito. Burocrático, Kennedy conforma-se em reportar sua investigação sem firulas ou sutilezas. Assim, cru e cruel.

Fonte: Cinequanon

Contribuição: Telma Alencar, leitora do Blog, diretamente de Ottawa, Canadá, a quem agradecemos pelo envio do material.

Parte 1 -

Parte 2 -

Parte 3 -

Parte 4 -

Parte 5 -

Parte 6 (última parte)

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5 Comentários »

  1. José Luis Sotomaior Karam disse,

    7 de Agosto de 2008 @ 07h 52m

    Alguns comentários:
    01. Abaixo do texto do Fábio Yamaji há indicações de “Parte 1″, “Parte 2″, etc., em branco. Correspondem a continuidade do texto? Como faço para acessá-las?
    02. Tive informações de que o governo americano, alegando que o ataque ao Afganistão e ao Iraque não correspondia a uma “guerra convencional”, estava fora das imposições da Convenção de Genebra, de 1949. Alegaram, ainda, que os iraquianos e afegãos não eram “soldados”, mas civis terroristas. Justificaram, com isso, o uso de tortura na busca de informações.
    03. Até onde sei, os soldados americanos invadiam as casas dos iraquianos, sequestrando famílias, separando maridos de esposas e pais de filhos e roubando pertences em seu interior. É verdade?
    04. Quanto às técnicas de tortura, não surpreende que sejam similares às adotadas pela ditadura brasileira. Os torturadores daqui foram treinados por agentes da CIA, tendo, dessa forma, aprendido suas técnicas. Um desses “técnicos” que “trabalhou” em Belo Horizonte treinando agentes da repressão foi, inclusive, homenageado com nome de rua, cancelado após o fim da ditadura.

  2. José Luis Sotomaior Karam disse,

    7 de Agosto de 2008 @ 11h 49m

    A propósito, a rua em Belo Horizonte se chamava “Dan Mitrione”.

  3. Telma disse,

    26 de Janeiro de 2009 @ 23h 58m

    José Luis, andei pesquisando o Dan Mitrione que por aqui retrataram como uma vítima de terroristas. Faz parte da mania do imperio…Como sempre, bem no estilo Americano, quem mandam para ai, geralmente é agente da CIA. Seja abertamente ou disfarçado de ^colaboração” , gente de negócios, Embaixador etc…Mas achei o filme do Costa Gavras que aborda o caso desse expert em tortura Dan Mitrione, que foi mandado para ai como se fosse um Oficial da Embaixada Americana.Os Tupamaros, quando raptaram este animal, interrogaram-no para que ele revelasse detalhes da cumplicidade Americana nos regimes de Ditadura na America Latina. Assim, eram “terroristas” para os americanos mas o terror de Estado que os americanos levaram para ai , como até hoje, é chamado de Democracia.O filme completo - Estado de Sítio - está no google
    http://video.google.com/videoplay?docid=2829856441089092191&hl=en

  4. Miguel Accacio disse,

    19 de Fevereiro de 2009 @ 17h 12m

    Do que foi publicado por aqui, a respeito de Abu Ghraib, parece que houve um certo descontrole, vale dizer, um “cada um faz o que quer”. Não se identificou um padrão de tortura definido. E nem o trabalho mencionado esclarece os reais motivos da aplicação daqueles procedimentos. Normalmente, tais métodos visam a obtenção de informações. Em Abu Ghraib, a coisa parecia mais buscar a desmoralização dos detidos. Deixo de analisar o mérito.
    No caso do americano Dan Mitrione, considero que foi assassinado por um grupo terrorista estrangeiro. Deixo de chama-lo “animal” como fez a comentarista que atende por Telma, porque teria que me utilizar de igual forma em relação a subversivos e comunistas, vários deles assaltantes e matadores de soldados.
    O que chamam de tortura envolve discussão ética das mais complexas. Qualquer integrante das forças regulares que fosse capturado por comandos terroristas, no tempo de Dan Mitrione no Brasil, seria certamente executado, não sem antes ser submetido aos procedimentos apropriados. Isso porque, naturalmente, o inimigo buscaria saber de informações técnicas e táticas de seu oponente. Guerra é guerra.
    Hei de estar ainda por aqui a falar sobre essa discussão estéril a respeito do real alcance da Lei de Anistia. Hei de voltar.

  5. Miriam de Sales Oliveira disse,

    17 de Dezembro de 2009 @ 18h 36m

    O seu blog,q/conheci agora,num rápido zapear é realmente muito importante e necessário ao conhecimento das verdades q/a mídia convencional nunca expõe.
    Claro q/visitarei sempre.
    Abraços

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